ALIMENTAÇÃO
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[+] Francisco Varatojo - Adoçantes
Adoçantes
por Francisco Varatojo
Aproxima-se o Verão e quer ver-se livre dos incómodos "pneus" e celulite; leu o meu anterior artigo sobre o açúcar e chegou à conclusão de que a partir de agora não vai comer mais açúcar e vai substituí-lo por "adoçante" sintético - sempre que bebe um refrigerante passa a pedir um "sugar free" ou "diet" ou "sem açúcar" e sempre que vai ao café pede "adoçante" em vez de açúcar.
Pois bem, se quer um bom conselho não faça isso: se o açúcar é extremamente prejudicial para a saúde é ainda assim melhor (difícil de acreditar, não é?) do que os adoçantes sintéticos disponíveis no mercado. Existem muitos estudos que ligam estes produtos a problemas como o cancro da bexiga, esclerose múltipla, Alzheimer e muitos outros.
De entre todos, o pior parece ser Aspartame, utilizado em refrigerantes, pastilhas elásticas e outros. Actualmente, nos Estados Unidos existe uma enorme campanha para banir o Aspartame do mercado e segundo a FDA (Food and Drug Administration) os sintomas mais comuns deste produto sintético são:
Dor Abdominal, Dor Artrítica, Fadiga Crónica, Depressão, Diarreias, Tonturas, Fome ou Sede Excessivas, Dores de Cabeça, Enxaquecas, Palpitações Cardíacas, Urticária, Incapacidade de Concentração, Impotência, Dores Articulares, Mudanças de Personalidade, Perda de Memória, Problemas Menstruais, Adormecimento das Extremidades, Ataques de Pânico, Fobias, Convulsões, Zumbido nos Ouvidos, Perda de Visão, Aumento de Peso.
Está impressionado? No entanto, estes são apenas os sintomas mais comuns, a lista de todos os sintomas possíveis é enorme e provavelmente ocuparia metade do espaço deste artigo. Se apresenta alguns destes sintomas sem causa aparente e se ao mesmo tempo é um apreciador dos alimentos "diet" ou "sugar free", experimente cortar com eles durante um mês ou dois e provavelmente sentirá uma grande melhoria. Pelo menos, assim é demonstrado pelos muitos estudos realizados nos Estados Unidos sobre este fenómeno moderno dos adoçantes sintéticos.
E agora, que fazer? O açúcar é prejudicial, os adoçantes são piores, será que não podemos gozar a doçura, especialmente quando a vida nalguns casos tem um sabor tão amargo?
A resposta é sim; existem muitas alternativas doces no mercado actual; em primeiro lugar, se reduzirmos o consumo de produtos animais (particularmente carne) e começarmos a comer no dia a dia hidratos de carbono complexos (presentes nos cereais, vegetais, feijões), deixamos de ter desejo por alimentos muito doces; segundo, há um bom número de opções no que toca a adoçantes naturais, que passo a citar:Mel ou Malte de Arroz - Este xarope equilibrado, com um grande teor de maltose e de hidratos de carbono complexos, é absorvido de uma forma lenta e gradual na corrente sanguínea; tem uma doçura subtil e um sabor rico. Este xarope utiliza cevada germinada para criar um adoçante equilibrado, cujo segredo está na fermentação enzimática.
Malte de Cevada - Este adoçante é semelhante ao malte de arroz, mas o arroz é substituído por cevada e a cevada germinada transforma os amidos do cereal num adoçante complexo que é digerido gradualmente.
Fruta - Purés de fruta, manteigas ou pastas de fruta seca ou cozinhada são adoçantes excelentes uma vez que contêm menos água, o que concentra o sabor e conteúdo natural do açúcar.
Amasake - Um adoçante tradicional no Oriente, produzido a partir de diferentes cereais, geralmente arroz integral; tem uma consistência espessa e a textura de um pudim.
Os adoçantes acima mencionados, são na minha opinião os mais saudáveis e que, consequentemente devem ser utilizados com mais regularidade; outros adoçantes naturais possíveis estão listados abaixo - sugiro-lhe que os utilize com muito mais moderação, apenas em situações especiais.
Frutose - Muito na moda actualmente, este açúcar simples refinado, tem a mesma estrutura molecular do açúcar da fruta; é cerca de duas vezes mais doce do que o açúcar branco, no entanto liberta glicose na corrente sanguínea mais lentamente. Contudo, a frutose pode subir os níveis de triglicéridos, particularmente em pessoas com um estilo de vida mais sedentário.
Sumo de fruta Concentrado - Estes sumos, denominados "modificados", têm um efeito semelhante ao açúcar branco, perderam o sabor da fruta assim como os nutrientes. Se comprar concentrados de fruta escolha aqueles que são evaporados em vácuo (se não vier mencionado no rótulo, prefira outros), e que mantêm o sabor e aroma, para além das vitaminas e minerais. Cuidado com os concentrados de sumo de uva que não sejam biológicos (de agricultura orgânica): o resíduo de pesticidas pode ser muito elevado.Mel - Uma abelha necessita de toda uma vida para produzir uma colher de sopa de mel. O mel consiste essencialmente de glucose e frutose e é duas vezes mais doce do que o açúcar, sendo muito rapidamente absorvido na corrente sanguínea. O mel, se produzido na sua zona geográfica, pode ajudar a combater a febre dos fenos e ser útil nalguns problemas cardíacos. Nota: em crianças com menos de um ano de idade o mel pode levar a uma forma tóxica, mesmo fatal, de botulismo.
Melaço - O melaço, obtido a partir do açúcar, é um açúcar simples altamente processado que entra rapidamente na corrente sanguínea. O melaço pode também conter resíduos químicos associados à cultura e processamento do açúcar branco. Se alguma vez utilizar melaço, utilize apenas aquele que é biológico (produzido sem produtos químicos).
Outros adoçantes possíveis de relativa boa qualidade são malte de trigo e geleia de milho, isto mencionando apenas aqueles mais facilmente adquiridos no mercado nacional.
Espero que todas estas alternativas lhe agradem; não esqueça porém, que a melhor forma de obtermos doçura na vida é através de actividades que nos dêem prazer, relacionamentos (de amizade ou românticos) gratificantes e um estilo de vida em que equilibramos actividades profissionais com outras mais relaxantes.
No próximo artigo escreverei sobre um alimento pouco conhecido da maioria dos portugueses, no entanto extremamente benéfico para a saúde: as algas.
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[+] Francisco Varatojo - Algas
Algas
por Francisco Varatojo
As algas - os legumes do mar
Seguramente que já ouviu falar das algas como alimento e é possível que até já tenha tido a coragem e curiosidade de as experimentar numa visita a um restaurante chinês, japonês ou macrobiótico. Pode até ter gostado bastante da experiência mas pensar que estes alimentos são por demais exóticos para utilizar no dia a dia e como tal fazem parte de um grupo especial de produtos que se utilizam em períodos excepcionais para aumentar a cultura gastronómica ou para nos divertirmos.
Ou, acha que gostaria de as utilizar com regularidade mas não sabe onde as comprar e muito menos como as cozinhar; para além disso não tem a mínima ideia de que algas deve escolher, uma vez que há tantas variedade diferentes.
Pois bem, neste artigo vou tentar elucidá-lo sobre estes preciosos alimentos e dar-lhe algumas dicas de como os utilizar.
As algas são literalmente vegetais marinhos (da mesma forma que as cenouras ou os brócolos são vegetais terrestres) e são utilizadas há séculos como alimento por povos como os chineses, japoneses, escoceses, irlandeses, islandeses, escandinavos, alemães, assim como pelos índios da América Latina que as utilizavam como medicamento para diferentes males.
Os vegetais marinhos têm uma riqueza enorme em minerais, particularmente cálcio (são muito mais ricas em cálcio do que os produtos lácteos) e em oligoelementos como cobre, zinco, estrôncio, cobalto, níquel, molibdénio, chumbo, estanho, vanádio, bromo, prata, crómio, bário, lítio, bismuto; o seu teor em proteínas é também bastante elevado assim como o teor em hidratos de carbono e vitaminas, possuindo algumas das algas quantidades assinaláveis de vitamina B12 que geralmente se considera só existir em produtos animais.
Se ficou impressionado com o valor nutricional destes alimentos, fique também a saber que as algas, quando bem confeccionadas, são extraordinariamente saborosas e enriquecem grandemente uma refeição. Num país como Portugal, podemos comer algas regularmente uma vez que somos banhados por uma extensa costa e da mesma forma que ingerimos bastante peixe devíamos ingerir o seu companheiro de habitat - as algas marinhas.
Quando comprar algas, as melhores disponíveis no mercado português são as japonesas ou as da costa da Bretanha, uma vez que são recolhidas ou cultivadas em mares pouco poluídos (costa bretã e região norte do Japão - ilha Hokaido).
As mais utilizadas são:
Wakame - de sabor suave, as wakame são principalmente utilizadas em sopas ou confeccionadas em conjunto com os vegetais. Deve demolhá-las durante cerca de 20 minutos e o tempo de confecção é de 15, 20 minutos.
Kombu - excelentes para cozinhar em conjunto com as leguminosas (tornam-nas muito mais macias e digeríveis, evitando a formação de gases intestinais) ou com os vegetais devem também ser demolhadas e demoram mais tempo a cozinhar do que as wakame (30 a 45 minutos ou mais).
Nori - muito em moda actualmente, uma vez que é com esta alga que se faz o famoso sushi, a nori prepara-se tostando-a rapidamente na chama do fogão. Pode comê-la directamente (tem um sabor agradável a peixe) ou parti-la aos pedaços e salpicar sobre a sopa, vegetais ou feijões.
Aramé - alga muito fina que se cozinha com os vegetais, excelente para os órgãos reprodutores femininos (mas também boa para os homens); deve demolhar cerca de 15 minutos e cozinha durante mais ou menos meia hora (ou mais).
Hiziki - textura semelhante à aramé, mas mais espessa e com um sabor a mar muito mais forte, a alga hiziki tem uma quantidade enorme de cálcio (ver tabela); cozinha como a aramé.
Agar-agar - em flocos ou barra, a agar-agar prepara fantásticas gelatinas de fruta ou de vegetais; excelente para obstipação e para ajudar a perder peso; deve demolhá-la poucos minutos e cozinhar até que a alga se dissolva; deixe depois solidificar e obtém uma gelatina excelente.
Estas são as principais algas utilizadas - pode também experimentar outras, menos conhecidas e um pouco mais exóticas como a dulse, mekabu, ou alface do mar.
Sugiro-lhe que vá consultando as receitas apresentadas na XIS onde pode aprender como melhor utilizar este extraordinário alimento natural.
No próximo número escreverei sobre chás e outras bebidas.
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[+] Francisco Varatojo - Alimentos Biológicos
Alimentos Biológicos
por Francisco Varatojo
"Nenhuma actividade humana, nem mesmo a medicina, tem tanta importância para a saúde como a agricultura."
Prof. Pierre Delbert (Academia de Medicina, França)Numa época em que a maioria das pessoas se encontra quase completamente desligada da terra e em que os alimentos nos chegam à mão processados e acondicionados, esquecemo-nos do quão vital é a agricultura para a nossa sobrevivência neste planeta.
Na realidade, dependemos totalmente da actividade agrícola para a nossa subsistência e o tipo de agricultura praticado influencia decisivamente a saúde humana, a saúde dos solos e todo o ecossistema.
A agricultura química moderna nasceu há mais de um século quando Justus von Leibig, um professor de química alemão, queimou plantas para analisar o resíduo das cinzas. Após a 1ª Grande Guerra as empresas que produziam explosivos e material bélico foram transformadas em fábricas produtoras de adubos agrícolas e ainda hoje, muitos dos produtos químicos utilizados na agricultura foram usados em campos de concentração na 2ª Guerra Mundial ou na Guerra do Vietname.
Como reacção a uma prática agrícola altamente industrializada e quimicalizada, surge nos Anos 40 o movimento da Agricultura Biológica (ou Agricultura Orgânica) que pretende promover técnicas de produção mais ecológicas e criar alimentos mais saudáveis para a Humanidade.
Os alimentos oriundos de uma agricultura biológica, cultivados sem adubos fosfatados ou pesticidas têm vantagens notórias, nomeadamente:
* Têm um valor nutricional superior: o teor em minerais, vitaminas e antioxidantes é mais elevado do que nos alimentos produzidos com uma agricultura convencional.
* Não contribuem para a contaminação dos solos, águas ou atmosfera.
* Têm um sabor mais rico, devido ao menor teor de água.
* São isentos de herbicidas, fungicidas ou insecticidas, que muitos estudos consideram estar ligados a muitas das doenças modernas como cancro, alergias ou infertilidade.
Em Portugal, começam a existir cada vez mais produtos biológicos à venda: cereais, feijões, vegetais, etc. e, apesar de ainda serem um pouco mais caros são, na minha opinião, uma opção que devemos fazer, quer em termos de saúde pessoal, quer em termos de saúde ambiental.
Ao apoiarmos o cultivo de alimentos de origem biológica, contribuímos enormemente para a despoluição dos solos e ambiente, podemos evitar a erosão dos solos e a desertificação e melhoramos a nossa saúde.
Para mais informações ou livros sobre agricultura biológica e alimentos biológicos, pode contactar a AGROBIO - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica
Calçada da Tapada, 39, r/c Dto.
1300-545 Lisboa
Tel.: 213 641 354
Fax: 213 623 585
E-mail: agrobio@agrobio.ptMuitas das carências nutricionais modernas são provavelmente devidas à fraca qualidade dos alimentos actuais. Imensos estudos apontam para um decréscimo substancial de nutrientes que pode ir até 90% nalguns minerais como ferro, quando se passou de uma agricultura biológica para a agricultura moderna.
Em 1963, o Departamento de Agricultura Americano, publicou o livro "Composition of Foods Handbook" onde se podem verificar as seguintes alterações no mineral ferro entre 1948 e 1963 (antes e depois de os fertilizantes e pesticidas químicos começarem a ser usados em grande escala)
Conteúdo em ferro dos alimentos (partes por milhão):
1948 1963
Espinafre 801 31
Feijão verde 118 8
Couve 57 4
Alface 262 14
Tomates 969 5 -
[+] Francisco Varatojo - Alimentos Fermentados
Alimentos Fermentados
por Francisco Varatojo
Quando desejamos adquirir uma boa saúde ou recuperar de problemas, tratar o sistema digestivo é fundamental e é difícil operar mudanças profundas no organismo sem mudarmos a condição do tracto digestivo, particularmente dos intestinos e da flora intestinal.
De acordo com o ponto de vista da macrobiótica, o sistema digestivo é o nosso sistema mais básico - é a partir deste que criamos o sangue que vai ser filtrado e transformado pelos órgãos do sistema circulatório e depois usado pelos sistema nervoso.
Dum ponto de vista biológico, os nossos intestinos são a nossa raiz e têm a mesma função no corpo humano que as raízes das plantas têm para a saúde das mesmas. Uma planta com raízes fortes e um bom solo cresce forte e saudável, da mesma forma que uns intestinos saudáveis criam seres humanos saudáveis. No caso das espécies animais, o solo é representado pelos alimentos ingeridos, que determinam em grande parte o tipo de vida biológica existente em todo o tubo digestivo, e em particular na zona inferior do tubo digestivo, o intestino delgado e o intestino grosso.
Como curiosidade, existem mais bactérias numa grama de fezes do que existem estrelas no Universo e os micróbios do tubo gastrointestinal formam uma área metabólica extraordinária dentro do corpo, sendo unicamente superados pelo fígado. Atendendo ao tamanho microscópico das bactérias, considere que o peso total das bactérias no cólon (intestino grosso) dum ser humano é superior a 2 quilogramas. Espantoso, não é?
Assim, é vital que o ambiente intestinal seja apropriado para que o tipo de microrganismos que aí residem sejam benéficos, para que a flora intestinal seja adequada e conducente a uma melhor saúde. Infelizmente, os maus hábitos alimentares modernos tendem a destruir a flora intestinal, fazendo com que os microorganismos saudáveis sejam mortos e substituídos por outros indesejáveis. Os antibióticos de largo espectro fazem o mesmo, de uma forma ainda mais acentuada, e essa é uma das razões pelas quais que deviam ser utilizados apenas em situações mais drásticas.
É interessante notar que quando estudamos os hábitos alimentares de todas as culturas espalhadas pelo Mundo, a maioria delas utiliza alimentos fermentados numa base diária, alimentos esses que são fundamentais para uma boa digestão e para a criação de uma flora intestinal saudável:
Na Europa, os alimentos fermentados mais utilizados foram os pickles, as azeitonas, o chucrute, o iogurte (nos países de Norte) e também pequenas quantidades de bebidas alcoólicas como cerveja e vinho processados de forma natural. No Oriente, usavam-se Miso (pasta de soja), Shoyu (molho de soja), Umeboshi (pickle de ameixa), Tempeh (produto fermentado a partir da soja, alimento tradicional da Indonésia), Saké (vinho de arroz), entre outros.
Os alimentos fermentados citados acima beneficiam o sistema digestivo de 3 formas diferentes:
1. Fornecem enzimas e vitaminas que ajudam a assimilarmos melhor os alimentos.
2. Têm bactérias que ajudam a repovoar a flora do intestino grosso.
3. Produzem moléculas de assimilação fácil; no Miso ou no Shoyu, por exemplo, as proteínas da soja, de difícil assimilação, são convertidas em aminoácidos (moléculas mais simples).Assim, pode começar a adquirir um bom hábito de ingerir alimentos fermentados de boa qualidade todos os dias, melhor ainda, a todas as refeições. No entanto, é importante que escolha alimentos fermentados cujo processo de fermentação seja realizado de uma forma natural, uma vez que em muitos dos alimentos fermentados modernos (quase todos aqueles que pode obter num supermercado) a fermentação é acelerada com produtos químicos, o que não é em nada benéfico.
Considere também que necessitamos de uma quantidade muito pequena deste tipo de alimentos, uma vez que as suas funções são essencialmente catalíticas.
Pessoalmente, acho que os melhores alimentos fermentados para uso diário são os pickles (processados sem vinagre ou produtos químicos), chucrute (pickle de couve utilizado tradicionalmente no Norte da Europa) e o Miso e o Shoyu. O miso, em particular, é um extraordinário alimento e os japoneses dizem que o Miso foi um presente dos deuses para a humanidade. As bactérias que, no Miso, criam a sua fermentação, Aspergillus Oryzae e Aspergillus Hatcho, produzem uma enorme quantidade de enzimas - amilases, proteases e lipases - o que faz com que este alimento seja um auxiliar digestivo precioso.
Para terminar, deixo-lhe uma receita simples de pickles que pode fazer facilmente em casa:
Pickle de Cebola com Molho de Soja
Ingredientes:
2 chávenas de cebolas, cortadas em meias-luas.
2 a 4 colheres de sopa de molho de soja.Coloque as cebolas num coador e mergulhe-as rapidamente em água quente de forma a retirar-lhes o sabor forte e pungente. Coloque-as numa tigela e verta o molho de soja por cima. Misture bem. Deixe repousar duas horas ou toda a noite.
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[+] Francisco Varatojo - Alimentos Geneticamente Modificados
Alimentos Geneticamente Modificados
por Francisco Varatojo
Os alimentos transgénicos ou alimentos geneticamente manipulados começaram a ser introduzidos em maior escala no mercado mundial, particularmente no mercado americano, em 1996 e desde então os consumidores dos principais países europeus têm-se manifestado abertamente contra a introdução destes alimentos no mercado, particularmente sem uma conveniente rotulação que identifique claramente se os ingredientes utilizados num determinado produto alimentar foram ou não geneticamente manipulados.
Em Portugal, país de brandos costumes, pouco se tem falado ou escrito sobre o assunto e não existe um verdadeiro movimento que discuta o potencial perigo deste tipo de alimentos para a saúde humana e ambiental.
Por tudo o que tenho lido e estudado sobre o assunto sou manifestamente contra a utilização de alimentos transgénicos e penso que corremos um enorme risco ao permitirmos que eles entrem em nossas casas, na maioria das vezes de uma forma totalmente escamoteada. Neste momento no mercado americano estão disponíveis transgénicos do milho, feijão soja, batatas, abóbora, papaia assim como leite e outros produtos lácteos derivados de vacas tratadas com uma hormona geneticamente manipulada (rBST) e existem já uma grande variedade de enzimas geneticamente manipuladas que são utilizadas pela indústria de processamento alimentar.
Caso não saiba, o feijão soja e os derivados do milho por exemplo, são utilizados em centenas de produtos existentes nas prateleiras dos supermercados, como margarinas, bolachas, iogurtes, chocolates, etc.
Na realidade a manipulação genética é uma experiência científica à escala mundial em que todos somos cobaias e da qual não se sabe minimamente quais vão ser os resultados. Enquanto que um produto farmacêutico requer muitas vezes 15 anos de testes rigorosos para ser aprovado (e ainda assim muitas vezes é retirado do mercado) os alimentos GM não foram sujeitos a um escrutínio rigoroso, tendo em consideração os efeitos a médio e a longo prazo na saúde e no ambiente. Isto, porque quem parece lucrar com todo este processo são meia dúzia de multinacionais que exercem uma enorme influência junto de governos e da "elite" intelectual e económica mundial. Segundo um artigo recente da "Time" já se testaram cerca de 4500 plantas GM e para as companhias de biotecnologia isto representa um aumento de vendas de 75 milhões de dólares para 1,5 biliões de dólares anuais em apenas dois anos.
A filosofia subjacente à manipulação genética é de que a natureza não é perfeita e de que a ciência pode substituir o seu papel, com melhores resultados: podemos ter melhores colheitas, evitar a fome no Mundo e ter espécies vegetais mais resistentes a pragas. Infelizmente, nenhum destes pressupostos está provado e os problemas mencionados existem e continuarão a existir enquanto não se alterarem muitas das realidades económicas e sociais modernas.
As colheitas GM são imprevisíveis e existem numerosos artigos nos principais jornais médicos avisando das suas possíveis consequências. O "New England Journal of Medicine" (um dos mais prestigiados jornais médicos mundiais) alertou para o risco do aumento de alergias mortais e criticou a FDA (Food and Drug Administration) por favorecer a indústria em detrimento da protecção do consumidor.
O que são na realidade os alimentos geneticamente manipulados?
São alimentos cujos genes foram modificados ou manipulados pelos humanos de forma a que exibem características que não teriam no seu estado natural. A engenharia genética cruza espécies que naturalmente não se cruzariam. Assim, por exemplo, cruzaram-se genes de um peixe em morangos e em tomates.
As culturas onde se utiliza mais manipulação genética são o feijão soja, o milho, colza e algodão. A maioria dos organismos GM existem em duas variedades: "resistente aos insectos" e "tolerante aos herbicidas". As culturas resistentes aos insectos são também chamadas "pesticidas plantas" porque a planta é considerada (e regulada) como um novo insecticida. A planta à medida que cresce produz uma toxina de insecto em cada célula e durante toda a estação de crescimento. Quando comemos milho GM resistente a insectos, por exemplo, estamos a comer um pesticida.
Antigamente, um agricultor tinha que ter cuidado com a utilização de herbicidas porque estes podiam destruir a colheita. Agora a cultura é alterada geneticamente de forma que não seja danificada pelo produto químico. Como resultado, os agricultores podem utilizar muito mais pesticidas, que vão terminar no nosso prato à hora das refeições.
Ao mesmo tempo, quando os organismos GO são libertados no ambiente qualquer estrago que produzam é irreversível. Os organismos GO são organismos vivos, pelo que se podem multiplicar, mutar, reproduzir-se com outros organismos vivos, durante muitas gerações. Potencialmente, a poluição biológica produzida pelos organismos geneticamente manipulados é muito mais perigosa do que a poluição química ou nuclear.
A mim, estas técnicas assustam-me, porque acredito que existe uma ordem natural à qual não devemos e não podemos fugir. Brincarmos a Deus é perigoso, letal e demonstra uma enorme arrogância para com uma Natureza que é misteriosa, mas generosa, justa e perfeita. Existem formas de alimentar todo o mundo, se para tal, utilizarmos métodos de agricultura e estilos de vida mais equilibrados e sustentáveis.
No próximo artigo, falarei dos perigos específicos para a saúde e ambiente dos organismos GM assim como do que podemos fazer para evitar que eles entrem em nossa casa.
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[+] Francisco Varatojo - Bebidas
Bebidas
por Francisco Varatojo
Está a chegar o tempo quente e com ele o aumento no consumo de bebidas de toda a espécie: refrigerantes, sumos naturais, cerveja, água, são os preferidos da maioria dos europeus; no entanto, tal como com os alimentos devemos seguir determinados critérios quando elegemos as nossas bebidas preferidas, ou arriscamo-nos a arranjar problemas digestivos, ou outros mais sérios se ingerirmos grandes quantidades de bebidas alcoólicas ou refrigerantes.
Seguramente que já ouviu inúmeras vezes que é necessário beber pelo menos um litro de água por dia ou mais, para que os rins possam funcionar bem; bem, na minha opinião esta recomendação é controversa e discutível: em primeiro lugar as necessidades diárias de água variam imenso de indivíduo para indivíduo, dependendo de factores como o clima, grau de actividade física, peso corporal, tipo de alimentação, entre outros.
Se fizer muito calor é óbvio que necessitamos de beber mais assim como se nos exercitarmos arduamente, uma vez que perdemos muito mais líquido através da transpiração (nestas situações precisamos também de mais sal, dado que com o suor eliminamos sais minerais essenciais); o estilo alimentar que seguimos determina também, na minha opinião, a quantidade de líquido necessária: com uma alimentação baseada em produtos animais e doces (alimentação portuguesa vulgar) temos que beber muito mais porque os produtos animais têm um teor de líquido mínimo, ao criarem uma condição de sangue mais ácida (menos alcalina) produzem muito mais sede e também ao beber muito "lavamos" muitas das toxinas e purinas existentes nos alimentos de origem animal.
No entanto, se optarmos por uma alimentação predominantemente de origem vegetal (não significa que só comemos produtos de origem vegetal, tão só ingerimos mais alimentos vegetais do que animais) a situação é completamente diferente: os cereais, vegetais e frutos contêm uma enorme quantidade de água ou são cozinhados com muita água reduzindo substancialmente a quantidade líquidos necessária; assim, quando comemos sopa de legumes ou arroz cozido ou salada, ou puré de maçã (ou uma infinidade de outras preparações) estamos na realidade a ingerir uma quantidade de líquido aceitável, pelo que não é imprescindível beber muito; também, com uma alimentação deste tipo ingerimos muito menos toxinas e purinas e consequentemente não é necessário "lavar" o corpo destes detritos.
Assim, sugiro-lhe o uso de bom senso no consumo de bebidas e deixo-lhe algumas recomendações que penso o (a) podem ajudar a passar um Verão mais saudável e menos aguado.
- Beba confortavelmente quando tiver sede; o excesso de líquidos faz com que os rins, uns filtros extraordinariamente delicados; tenham que trabalhar de mais e sobrecarrega também o sistema circulatório. Algumas pessoas necessitam de beber mais, outras menos, descubra o seu ponto de equilíbrio, experimentando - afinal, o que conta é o resultado que temos e não o que os outros nos sugerem.
- Se possível, não beba enquanto come, uma vez que os líquidos durante a refeição diluem os sucos digestivos, podendo abrandar ou dificultar a digestão.
- Se tiver problemas de bexiga (ou simplesmente uma bexiga mais sensível) não beba antes de dormir e vai ver que é muito mais fácil de acordar na manhã seguinte, para além de, muito provavelmente não ter que se levantar durante a noite para urinar.
- Beba devagar, aprenda a mastigar os líquidos; se possível siga a máxima de Ghandi: "beber os sólidos e comer os líquidos"
- Evite bebidas geladas, dê preferência às bebidas à temperatura ambiente.
- Escolha como bebidas preferenciais água e chás naturais não aromáticos; se gostar de bebidas alcoólicas, não abuse e prefira a cerveja, o vinho tinto, ou o whisky de malte (não é uma gralha nem estou a gozar consigo); sumos de vegetais ou de frutos não tropicais são também uma boa opção, particularmente em dias muito quentes.
- Evite ou abdique totalmente do consumo de refrigerantes (que são essencialmente água, açúcar e muitos produtos químicos) e leia bem os rótulos sempre que comprar um sumo "natural" (muitas vezes os sumos "naturais" contêm uma quantidade apreciável de açúcar e preservantes.
- Reduza o consumo de café (que faz uma sede enorme) ou melhor ainda deixe de o beber se tiver problemas de saúde ou se for muito ansioso ou nervoso; o "descafeinado" não é necessariamente melhor uma vez que a cafeína é extraída com solventes químicos.
Dirija-se a uma loja de produtos naturais ou a uma ervanária e fique a conhecer a enorme variedade de chás naturais e cafés de cereais existentes no mercado português.
É precisamente sobre estes chás e cafés (para além de outras bebidas) que vou escrever o próximo artigo.
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[+] Francisco Varatojo - Bebidas - 2ª parte
Bebidas - 2ª parte
por Francisco Varatojo
No meu último artigo escrevi sobre bebidas de Verão e sobre os cuidados a ter com os líquidos que ingerimos.
Esta semana descreverei alguns dos chás (e outras bebidas) mais utilizados na prática macrobiótica e vegetariana, particularmente aqueles que são menos conhecidos da população em geral. A maioria destes chás pode ser adquirido em casas de produtos naturais ou ervanárias e alguns deles mesmo em supermercados.
Chá Três Anos ou Kukicha
É de longe o chá mais utilizado pelos macrobióticos de todo o Mundo; o nome "Três Anos" advém do facto de neste chá se utilizarem as folhas mais velhas (com 3 anos) da planta do chá; é a bebida mais barata no Oriente mas é simultaneamente a mais saudável.
O Kukicha foi divulgado no Ocidente pelo filósofo George Ohsawa e é um óptimo chá para uso diário; uma vez que praticamente não contem cafeína pode ser utilizado quer por adultos quer por crianças. O Chá Três Anos tem um efeito alcalinizante e consequentemente fortalece-nos e refresca-nos quando cansados. No caso de insónias tem um efeito sedativo; pode aliviar as náuseas e a gastrite.
É uma excelente bebida diária para pessoas com nefrite (infecção renal), infecções da bexiga, neurastenia, doenças cardiovasculares, indigestão e fadiga geral.
Preparação: utilize uma colher de sopa para um litro de água (se o sabor for muito forte para si, pode utilizar menos chá) e após levantar fervura deixe borbulhar durante cerca de 10 minutos. Pode voltar a utilizar as folhas se desejar.
Chá Verde ou Ryoku-Cha
Muito na moda ultimamente, o Chá Verde é originário da mesma planta do chá mas neste caso utilizam-se as folhas mais jovens apanhadas na Primavera. Contém alguma cafeína pelo que não deve, regra geral, ser utilizado todos os dias e não é aconselhável ser regularmente bebido por crianças.
O Chá Verde ajuda a dissolver e eliminar gordura animal do corpo e é bastante eficaz a baixar os níveis de colesterol.
Preparação: não deve ser fervido; coloque ½ colher de chá do chá numa cafeteira de cerâmica, verta uma chávena de água a ferver por cima e deixe repousar durante 3-5 minutos. Coe e beba.
Chá Mú
A palavra Mú tem diferentes significados possíveis - "infinito" ou "vácuo" ou "único" - este chá é uma combinação de 16 ervas e plantas (peónia, ginseng, canela, gengibre, sementes de alperce entre outras); tem um sabor peculiar (que eu pessoalmente adoro) mas em geral não se utiliza todos os dias durante muito tempo.
O chá Mú tem propriedades medicinais aceitáveis, nomeadamente:
Alivia o cansaço, ajuda a perder peso, melhora o funcionamento do estômago, é eficaz nalguns tipos de tosse e é uma bebida específica para praticamente qualquer tipo de problema dos órgãos reprodutores femininos.Preparação: Ferva o conteúdo de uma saqueta de chá em 3 chávenas de água durante 10 minutos.
Se desejar uma extraordinária bebida refrescante e revigorante para os dias quentes de Verão (e também para o Inverno) adicione ao chá Mú (já preparado e frio) a mesma quantidade de sumo de maçã natural.
Café de Cereais
Existem no mercado português diferentes marcas de café de cereais, mas os melhores são os que não contêm figos secos na sua preparação. O meu favorito (pelo seu sabor e aroma) é o café Yannoh (não é uma marca mas um tipo de café de cereais que existe em diversas marcas comerciais).
O café de cereais é produzido a partir de cereais (e nalguns casos leguminosas e vegetais) torrados; o café de cevada tão típico no Norte de Portugal é também um café de cereais, neste caso produzido exclusivamente a partir da cevada.
Os cafés de cereais são tonificantes e revitalizantes e têm também um efeito benéfico no caso de obstipação, dores de cabeça crónicas, dispepsia (digestões difíceis). São excelentes para qualquer pessoa que necessite de fazer grandes esforços intelectuais.
Preparação: Uma vez que existem diferentes tipos de cafés comercializados, siga as instruções indicadas no rótulo.
Chás de Cereais Tostados
Pode obter chás de cereais, simplesmente tostando os cereais integrais numa frigideira, fervendo-os depois em água; os mais utilizados e saborosos são o chá de cevada, de arroz e de trigo.
Qualquer um deles tem um efeito refrescante, mas especificamente o chá de cevada é bom para eliminar gordura animal do corpo, o chá de arroz para problemas intestinais e dores de cabeça e o chá de trigo para tonificar o fígado e para ajudar a lidar com o calor excessivo do Verão.
Preparação: Toste os cereais numa frigideira pesada durante 5-10 minutos, mexendo constantemente. Adicione 10 porções de água para 1 porção de cereal tostado, deixe levantar fervura e macere durante 15 minutos. Coe e beba quente ou frio.
Outros Chás
A maioria dos chá tradicionais portugueses são também excelentes bebidas para uso diário e incluem - chá Dente de Leão, chá Hipericão, chá de Artemísia, Camomila, Tília, Cavalinha, Pés de Cereja, entre muitos outros.
No dia a dia é preferível utilizar chás pouco aromáticos e dar ênfase aos que possuem um sabor mais neutro.
Dada a enorme variedade de plantas (e não só) a partir das quais podemos preparar bebidas específicas ou para uso regular, parece-me ser uma boa ideia voltar a escrever sobre este tema num artigo futuro.
No próximo artigo escreverei sobre temperos e condimentos específicos, o seu uso e propriedades.
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[+] Francisco Varatojo - Cereais
Cereais
por Francisco Varatojo
No último artigo escrevi sobre como devemos comer, quais as regras importantes para que possamos tirar o maior partido dos alimentos que ingerimos; espero que tenham conseguido colocar em prática algumas das recomendações então enunciadas.
Desta vez, proponho-vos que comecemos a falar sobre o que devemos comer, quais os melhores alimentos para a criação duma vida mais saudável. Cada vez mais tomamos consciência que comer de uma forma adequada é vital para a prevenção e recuperação de muitas das doenças modernas, a aumentarem assustadoramente nestas últimas décadas; no entanto, existe uma enorme confusão sobre o que significa uma boa alimentação: devemos ser Vegetarianos, Macrobióticos, Vegans, Omnívoros, Frugíveros, ingerir cápsulas de suplementos?
A quantidade de livros existentes sobre teorias alimentares é enorme e cada uma das teorias justifica cientificamente premissas em muitos casos completamente contraditórias uma das outras. Este assunto em si mesmo justifica na realidade um artigo futuro, mas a maioria das "escolas" alimentares e nutricionais parece estar de acordo em relação a um ponto: é essencial consumir diariamente cereais, particularmente sob a sua forma integral ou semi-refinada.
Recentemente nos Estados Unidos, o governo americano decretou que as embalagens de cereais integrais devem ter um rótulo onde se explicam as vantagens destes alimentos e onde se indica que eles são preventivos de doenças como cancro, doenças cardiovasculares, diabetes, entre outras. Acho isto fantástico e considero que existe um tremendo avanço nas recomendações nutricionais actuais; no entanto, à medida que a população assume consciência da importância destes alimentos, as firmas produtoras de alimentos começam a comercializar todo o tipo de produtos com cereais, mas onde em muitos casos a sua qualidade é duvidosa e os cereais são acompanhados de enormes quantidades de açúcar, lacticínios e outros alimentos que provocam muitas das doenças que os cereais supostamente previnem.
O consumo de cereais não significa, para min, o uso de papas para o pequeno almoço produzidas a partir de alimentos refinados, ou a adição de farelo a sopas ou qualquer outra combinação ou mistura mais ou menos esquisita ou sofisticada. Ingerir cereais todos os dias implica consumirmos produtos como arroz, massas, cuscus, pão, cevada, centeio, maçarocas de milho, flocos de aveia e muitos outros, em especial sob a sua forma integral.
A Humanidade evoluiu com os cereais e não existe nenhuma cultura civilizada que não tenha utilizado os cereais como alimento principal: na Europa o trigo, a cevada, o centeio, o milho, em África o millet e o arroz, no Oriente o arroz, na América Latina o milho.
A nossa estrutura biológica, e particularmente a estrutura dentária e intestinal mostram que os cereais são o alimento por excelência da espécie humana: temos 32 dentes, dos quais 20 são molares (concebidos para moer grãos), 8 são incisivos (para cortar fibra vegetal) e 4 são caninos (para cortar fibra animal); os nossos intestinos são relativamente longos, muito maiores do que os intestinos de um animal carnívoro e mais pequenos do que um herbívoro e têm uma estrutura adequada para digerir particularmente a fibra dos cereais.
Os cereais integrais fornecem ao organismo uma nutrição adequada e recentemente descobriu-se que contêm serotonina, uma substância que acalma significativamente o sistema nervoso. Também, os açucares presentes nestes alimentos são açúcares polissacarídeos, ou açúcares complexos, compostos por várias moléculas, que se desdobram lentamente no organismo e são absorvidos nos intestinos, fornecendo uma energia gradual e dando uma resistência enorme; quando comemos regularmente cereais conseguimos manter níveis de energia e vitalidade regulares e sentimo-nos muito menos cansados.
Infelizmente, e em particular desde a II Guerra Mundial o consumo destes alimentos decresceu de uma forma muito acentuada; não apenas isso, mas a qualidade dos cereais modernos é francamente má e a maioria das pessoas acaba por comer apenas pão branco, completamente desprovido de vitaminas importantes do complexo B e de proteínas, ou arroz ou massas refinadas, também deficitárias nos mesmos nutrientes.
A título de exemplo e de acordo com o livro "The Changing American Diet" publicado pelo "Center for Science in the Public Interest", em 1910 os cereais forneciam "per capita" cerca de 38% do aporte calórico diário, em 1976 cerca de 19% e neste momento muito menos do que isso. O significado destes números em termos de saúde pública, é para mim assustador: significa que deixámos de comer os alimentos mais importantes para a manutenção física da nossa existência e para a nossa evolução intelectual, emocional e espiritual.
Assim sendo, caros leitores e leitoras, sugiro-lhes que comecem hoje a incluir cereais integrais ou semi-integrais a todas as refeições. Ou pelo menos cereais, mesmo que nalguns casos sejam refinados; quando for comer fora, peça sempre para acompanhar o prato com arroz ou massas, ou pão saloio, ou uma qualquer outra forma destes extraordinários alimentos, que algumas culturas chegaram mesmo a deificar. Quando cozinhar em casa, comece a habituar-se ao sabor e textura dos cereais integrais: verá que não se arrepende e que os efeitos se começarão a fazer sentir no seu bem-estar e vitalidade.
No próximo artigo escreverei detalhadamente sobre cada um dos cereais e como os utilizar.
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[+] Francisco Varatojo - Cereais - 2ª Parte
Cereais - 2ª Parte
por Francisco Varatojo
Espero que por esta altura já tenham começado a utilizar diariamente cereais integrais nas refeições diárias.
Como provavelmente tiveram alguma dificuldade quer na selecção quer na preparação dos mesmos, neste artigo passarei a descrever os principais cereais integrais disponíveis no mercado português, as suas qualidades e as melhores formas de os utilizar
Arroz integral
É de longe o cereal mais utilizado na alimentação macrobiótica e vegetariana e o seu uso foi difundido pelo filósofo e educador japonês George Ohsawa. O arroz integral tem um valor nutricional muito superior ao arroz branco, particularmente no que toca à riqueza em vitaminas do grupo B e proteína. É um alimento excelente para desenvolvimento intelectual e espiritual e de um ponto de vista físico beneficia particularmente os pulmões o intestino grosso sendo um dos melhores alimentos para tratar problemas intestinais.
Cuidado no entanto com o seu consumo excessivo (o uso exclusivo ou quase de arroz integral como único cereal) - pode levar a uma magreza exagerada, uma tonalidade mais amarelada da pele e a um semblante demasiado sério.
O arroz integral pode ser consumido simples (muito mais saboroso se cozinhado na panela de pressão), com leguminosas ou vegetais, em sopas e até em sobremesas.
É aconselhável demolhá-lo sempre antes de o cozinhar - não só fica muito mais saboroso, como isso ajuda a desdobrar o ácido fítico, tornando muito mais fácil a absorção de diferentes oligoelementos, particularmente zinco.
Cevada
A cevada é um cereal relativamente desconhecido para a maioria das pessoas, mas já foi um alimento base em muitas culturas espalhadas pelo mundo; na medicina oriental considera-se que este cereal beneficia o fígado e a vesícula e é particularmente indicado para ajudar a dissolver gordura e proteína animal, beneficiando imenso as pessoas que desejem perder peso e necessitem de dissolver quistos, cálculos.
É particularmente saboroso quando cozinhado em conjunto com o arroz, em sopas e em estufados de vegetais e/ou feijões.
Se a tostar até alourar e ferver durante alguns minutos obtém chá de cevada, excelente para refrescar, para tratar o fígado e para perder peso.
Millet ou milho painço
Foi também o alimento principal de muitos países, particularmente no norte da Europa e em África e é o único cereal alcalino. O Millet é o cereal por excelência para tratar problemas de estômago e pâncreas, particularmente diabetes, e ajuda a aumentar a vitalidade física e a lidar com o clima frio.
Pode cozinhá-lo em conjunto com arroz, utilizado em sopas ajuda a dar consistência e à sopa mas as minhas receitas favoritas de Millet são Millet cozinhado com abóbora ou com couve-flor.
Trigo
É o cereal por excelência do nosso país e da maioria dos países europeus e geralmente é utilizado sob a forma de pão ou massas.
O Trigo beneficia também o fígado e é um cereal extraordinário para quem tem que despender muito esforço físico.
Pode ser confeccionado na sua forma integral e em grão e é particularmente saboroso quando cozinhado com feijões ou com o arroz integral (3 partes de arroz para 1 de trigo).
As massas de Trigo são um excelente alimento para quem necessita de energia rápida, quem tem pouco tempo para cozinhar e ajudam a adquirir uma maior flexibilidade.
Derivados do Trigo como o Cuscuz ou o Bulgur são bastante versáteis, cozinham rapidamente e são bastante saborosos quando cozinhados juntamente com vegetais.
E com toda esta conversa sobre o trigo, quase esquecia de referir o pão, um alimento sem o qual a maioria dos portugueses não consegue viver: em primeiro lugar, tente evitar o pão branco, uma mistura de farinha branca com fermento cuja qualidade é francamente má nos tempos que correm, assim como o pão integral de padaria, que não é na realidade (na maioria dos casos) pão integral, mas sim pão produzido a partir de farinha branca ao qual se adiciona farelo de trigo e fermento. Dê preferência ao pão integral à venda em casas de produtos naturais, que deverá ser produzido com farinha integral biológica e levedo natural, o que faz com que este se torne muito mais digerível e também mais saboroso.
Se tem problemas intestinais como obstipação ou problemas pancreáticos não coma muito pão, em especial não o coma torrado; aprenda a aquecer o pão no vapor durante 2 ou 3 minutos, uma verdadeira delícia, e um alimento muito mais fácil de digerir do que o pão torrado. Uma também boa forma de comer este tão tradicional produto é à boa maneira alentejana, demolhado na sopa.
Centeio
O centeio tem propriedades semelhantes ao trigo e é particularmente bom para o tempo frio; utiliza-se, em geral, sob a forma de pão.
Aveia
O cereal mais calorífero e com mais gordura, consequentemente o melhor para quem necessita de aquecer e de aumentar de peso; a aveia é também muito boa para bebés e crianças, assim como mães em período de aleitamento.
A maioria das pessoas conhece a aveia sob a forma de flocos (que não devem ser cozinhados com leite mas com água), mas esta pode também ser cozinhada sob a forma de cereal em grão - basta adicionar 4 a 5 vezes mais de água e deixar cozinhar em chama baixa durante 2 a 3 horas ou mesmo toda a noite (neste caso em chama muito, muito baixa e com uma placa difusora) para obter um riquíssimo pequeno almoço que fará o gáudio de crianças e adultos.
Milho
Foi o cereal principal das civilizações Azteca e Maia e é o cereal mais ligeiro de todos; na realidade quase todo o milho existente actualmente é híbrido e é muito maior do que o milho tradicional, pelo que este alimento é quase mais um vegetal do que um cereal.
Beneficia o coração e o intestino delgado e pode ser comido sob a forma de maçarocas, pipocas, pão (a famosa broa de milho portuguesa), arepas (panquecas tradicionais da América Latina) e polenta (tradicional de Itália e produzido a partir de farinha ou carolo de milho).
Trigo Sarraceno
Um cereal relativamente desconhecido no nosso país, o trigo sarraceno foi o alimento tradicional da Rússia, aí denominado de Kasha. É o melhor cereal para adquirir vitalidade e para nos ajudar a adaptar ao tempo frio.
O sabor do trigo sarraceno é peculiar e a maioria das pessoas consome-o sob a forma de esparguete, chamado Soba.
Agora que já sabe um pouco sobre a maioria dos cereais, resta-me recomendar-lhe que tanto quanto possível escolha para o dia a dia cereais oriundos de agricultura biológica; a quantidade de pesticidas presentes na maioria dos alimentos modernos prejudica gravemente a saúde e já se podem adquirir no mercado português produtos orgânicos de excelente qualidade.
No próximo artigo escreverei sobre a importância dos vegetais.
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[+] Francisco Varatojo - Chás Medicinais para o Sistema Digestivo
Chás Medicinais para o Sistema Digestivo
por Francisco Varatojo
"Os prados e as colinas são as melhores farmácias"
Paracelso
Médico do séc. XVIO uso de chás medicinais remonta a tempos imemoriais. Há muito séculos que se utilizam plantas (ou minerais ou mesmo animais) sob a forma de chás ou tisanas com o objectivo de tratar diferentes maleitas.
A vantagem dos chás sobre o uso directo das plantas é que, uma vez que são tomados de uma forma líquida, são facilmente absorvidos e actuam muito mais depressa em todo o organismo.
Neste artigo escreverei sobre 3 chás benéficos para o sistema digestivo que podem ser facilmente adquiridos em ervanárias ou lojas de produtos naturais.
Chá de Dente de Leão (ou taráxaco ou quartilho) - o dente de leão é uma planta abundante durante a Primavera e é utilizado em todo o Mundo.
É tradicionalmente utilizado para problemas de fígado e as suas propriedades principais são:
* Facilita a digestão e estimula o apetite; pode também ser utilizado em casos de obstipação.
* Aumenta a produção de bílis e como tal é excelente para todos os problemas de fígado e vesícula.
Para além dos efeitos benéficos sobre o sistema digestivo, o chá é dente de leão é também diurético, ajudando o organismo a eliminar substâncias tóxicas. Como curiosidade, na língua francesa o dente de leão chama-se "pissenlit", que significa "urinar na cama".
As raízes do dente de leão pode também ser torradas e transformadas em "café", que para além das propriedades do chá, aumenta a vitalidade e melhora a concentração mental.
Chá de Artemísia (ou flor-de-são joão, erva -de-são-joão) - os efeitos terapêuticos da artemísia são conhecidos pelo menos desde os tempos Grécia Antiga, particularmente pelos seus efeitos benéficos no fígado e vesícula assim como nos órgãos reprodutores femininos (daí o seu nome, de Artémis ou Diana, a deusa que socorria as parturientes).
O chá de artemísia tem as seguintes qualidades:
* Estimula as funções do fígado e vesícula biliar e abre o apetite
* É laxante - em casos de obstipação, prepare o chá de artemísia com uma pitada muito pequena de sal e beba uma chávena em jejum durante três ou quatro dias.
* É vermifuga - ajuda a expulsar parasitas intestinais, particularmente oxiúros
Ajuda também a normalizar o ciclo menstrual, e pode ser bastante eficaz no caso de dismenorreia (dores menstruais) ou amenorreia (ausência de período menstrual).
O chá de artemísia, no entanto, não deve ser bebido mais do que 7 ou dias seguidos, devido ao seu efeito estimulante sobre o sistema nervoso e não deve ser bebido por mulheres grávidas ou que estejam a amamentar (o leite fica com um sabor muito amargo).
Chá Três Anos (ou Kukicha) - O chá três anos é utilizado há séculos no Extremo Oriente e foi difundido no Ocidente pelo filósofo George Ohsawa.
O chá três anos é a bebida mais utilizada pelos praticantes de macrobiótica e os seus efeitos medicinais são notáveis, nomeadamente no caso de problemas digestivos.
É útil nas seguintes situações:
* Alivia a náusea e a gastrite .
* Melhora o funcionamento estomacal e intestinal.
Pode também utilizar o chá três anos nas seguintes condições:
* Pode ser eficaz no caso de insónia e de ansiedade.
* É excelente para nefrites e infecções de bexiga.
* Melhora a função cardíaca.
* Alcaliniza rapidamente o sangue (tanto quanto saiba não há nenhuma outra bebida com tal capacidade de alcalinizar) e consequentemente é uma excelente ajuda no caso de cansaço e baixa imunidade.
O Chá três anos pode também ser utilizado externamente para problemas visuais ou auditivos (neste caso adiciona-se uma pitada de sal).
Num próximo artigo escreverei sobre os efeitos terapêuticos de outros chás.
Existem diferentes formas de preparar as plantas para a preparação de um chá ou tisana, mas as mais comuns são:
Infusão
As infusões usam-se principalmente para preparar as partes mais delicadas das plantas como as flores, folhas e caules mais tenros.
1. Para preparar uma infusão coloque as plantas a usar num recipiente, preferivelmente de cerâmica.
2. Verta água a ferver sobre as plantas.
3. Tape o recipiente e espere 5 ou 10 minutos.
4. Coe com um passador ou coador e beba o líquidoDecocção
As decocções são utilizadas para fazer infusões com as partes mais duras das plantas (como por exemplo no Chá Três Anos descrito no texto) como as raízes, caules duros, sementes.
A preparação de uma decocção é a seguinte:
1. Coloque os ingredientes num recipiente com água.
2. Deixe levantar fervura; assim que ferver, coloque em chama muito baixa durante 3 a 15 minutos.
3. Deixe repousar alguns minutos
4. Coe com um passador ou coador e beba o líquido -
[+] Francisco Varatojo - Comer Bem
Comer Bem
por Francisco Varatojo
Seguramente que já reflectiu sobre a importância de comer bem (estou a falar em qualidade, não quantidade) e já várias vezes pensou em alterar os seus hábitos alimentares - mas será que pensou muito, muito a sério nas implicações profundas dos alimentos na nossa saúde e bem estar?
Pois bem, a história é a seguinte: sem nos alimentarmos a nossa vida não é possível (se quer descobrir o verdadeiro poder da comida, experimente passar um ou dois dias sem comer nada), o que comemos transforma-se no sangue, sangue esse que vai nutrir todas as células, órgãos e sistemas do corpo, incluindo o cérebro e o sistema nervoso - pois é, a nossa alimentação, influencia também a forma como actuamos, a percepção do Mundo à nossa volta.
Concerteza que lhe é fácil perceber que a ingestão de drogas, álcool, café alteram a visão que temos do ambiente circundante - isso acontece porque estas substâncias modificam a estrutura química do sangue muito rapidamente; o que comemos faz precisamente o mesmo, só que na maioria dos casos mais lentamente. Os alimentos que escolhemos ingerir não apenas influenciam a saúde dos órgãos, mas determinam em grande parte a forma como pensamos e reagimos, um facto frequentemente negligenciado pelas ciências do comportamento.
A partir de agora, passarei a escrever regularmente para a Xis sobre todo o tipo de assuntos relacionados com a alimentação; desejo tanto quanto possível, ajudar os leitores a fazerem escolhas mais conscientes sobre como comer e a aprenderem a distinguir alimentos melhores ou não tão bons, a definir critérios de selecção alimentares que melhorem a sua vida.
Porque na realidade, nós somos literalmente o que comemos e muitas vezes a resposta às nossas perguntas está mesmo por baixo do nosso nariz, três vezes (pelo menos) por dia.
Mas se o que comemos é importante, a forma como o fazemos é provavelmente ainda mais importante, pelo que decidi escrever este primeiro artigo sobre regras alimentares que o ajudarão imenso, independentemente até daquilo que escolha como alimentos.
Imagine o seguinte cenário: Senta-se calma e confortavelmente à mesa com a família ou amigos e servem-lhe uma sopa quente que come com calma, pousando a colher entre cada colherada à medida que vai falando e ouvindo; a seguir come o prato principal com a mesma calma, mastigando cuidadosamente os alimentos, talvez com uma música ambiente suave, apreciando os diferentes sabores, texturas e cores de cada alimento. No final bebe um chá, conversa mais um pouco e vai então trabalhar ou ouvir as notícias da noite.
Imagine agora outra cena: acorda de manhã cansado e mal disposto, engole uma chávena de café enquanto veste o casaco porque já está atrasado para o emprego, antes de ir trabalhar come apressadamente uma sandes ou um bolo e à hora de almoço com os escassos 60 minutos que tem para almoçar decide comer de pé no bar da esquina um bitoque acompanhado de um café duplo para ajudar a digestão. À noite chega a casa estoirado e cozinha no microondas uma refeição rápida que come acompanhado do seu cônjuge, igualmente cansado, enquanto vê as trágicas notícias da noite na televisão com o som altíssimo.
Não acha que o primeiro cenário é muito mais conducente a uma vida saudável? E será que não é possível melhorar substancialmente a qualidade da sua vida se tiver em consideração alguns aspectos importantes?
Sugiro-lhe então as seguintes recomendações:
- Coma sempre sentado e nunca de pé, zangado ou a correr - o sistema digestivo humano ao contrário do de outros animais tem uma estrutura em que é necessário estar sentado para os órgãos digestivos descontraírem e digerirem adequadamente a comida. Corte com o hábito de comer de pé e aprenda a apreciar as refeições sentado e com as costas direitas.
- Mastigue bem, pelo menos 30 vezes cada garfada; se quer exercitar os maxilares e adquirir uma calma imensa, mastigue muito mais do que isso. Uma das regras para se mastigar bem é começar calmamente com a primeira garfada - se assim o fizer a tendência é das restantes se manterem ao mesmo ritmo. Ao mastigarmos os alimentos a digestão processa-se muito melhor: ao misturarmos os alimentos com saliva estes tornam-se mais saborosos, digeríveis e assimiláveis. Os orientais dizem também que a saliva e mastigação fornecem aos alimentos mais energia vital, ki ou chi.
- Não coma duas ou preferivelmente três horas antes de dormir; quando comemos antes de dormir, o sono não é tão reparador, é mais fácil aumentar de peso, o sistema digestivo é afectado e o fígado não consegue executar tão bem as suas funções de desintoxicação. Faça a experiência de não comer antes de dormir durante uma semana e sinta a diferença no sono e quando se levanta de manhã. Se tem tendência para acordar cansado, esta é uma prática a levar à letra.
- Coma refeições regulares e completas, pelo menos 2, preferivelmente 3 por dia; o hábito de passar o dia a depenicar, sem comer nenhuma verdadeira refeição é um mau hábito - sobrecarrega o sistema digestivo, afecta o metabolismo de açúcar, contribui para a obesidade. Tente comer refeições completas, não apenas uma sandes e um galão para o almoço, com um chocolate a meio da tarde.
As quatro sugestões acima mencionadas são seguramente fáceis de implementar se quiser; comece a ter consciência do quão importante, eu diria mesmo sagrado, é alimentarmo-nos como deve ser. Respeite os alimentos que leva à boca, considere o trabalho que deu, desde a produção até à confecção, cada uma das refeições que diariamente come. Se o fizer, não só começa a desenvolver uma atitude mais ecológica como o seu corpo começa a vibrar melhor.
Bom apetite!
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[+] Francisco Varatojo - Condimentos
Condimentos
por Francisco Varatojo
Os temperos e os condimentos são ingredientes essenciais numa alimentação saudável e equilibrada: realçam o sabor dos alimentos, ajudam na digestão, melhoram o aspecto estético da comida e, para além disso, muitos deles têm qualidades terapêuticas notáveis.
Neste e no próximo artigo apresentarei alguns temperos e condimentos relativamente pouco conhecidos do público em geral, mas que no entanto pelas suas qualidades nutricionais são uma excelente alternativa à panóplia de molhos e condimentos modernos repletos de gordura, produtos químicos e açúcar, e que contribuem duma forma séria para muitos dos problemas de saúde actuais.
Sal Marinho Integral
O sal é essencial à vida e todos os povos lhe deram uma enorme importância, reflectida por exemplo na nossa linguagem na palavra salário, oriunda da palavra latina salarium, o pagamento realizado aos soldados romanos para comprarem sal.
Na Idade Média o estatuto social de um indivíduo era medido pela quantidade de sal que se colocava na mesa quando havia hóspedes a comer em casa e as grandes correntes humanas seguiam as estradas que convergiam para as localidades onde se comercializava o sal.
Apesar de o sal ser essencial para uma boa saúde, na alimentação moderna utiliza-se, regra geral, uma enorme quantidade deste "alimento" e , pior ainda, o sal moderno é sal refinado, 99,9% cloreto de sódio ao qual muitas vezes é adicionado iodo e dextrose (açúcar). O sal refinado provoca muito mais sede e pode afectar o funcionamento renal.
Em contrapartida, o sal marinho integral, à venda nas lojas de produtos naturais, preserva muitos dos minerais e oligoelementos inexistentes no sal refinado e tem um sabor menos salgado e ligeiramente adocicado.
No sal marinho integral encontramos uma quantidade aceitável de magnésio, flúor, brómio, cloreto de cálcio, e de elementos traço e consequentemente numa alimentação saudável uma das primeiras alterações a fazer é substituir o sal refinado pelo sal integral.
O sal marinho integral é essencial para a criação de um bom sangue, linfa e fluidos corporais assim como para os sistemas digestivo e nervoso. O sal (se não for consumido em excesso) beneficia também os rins, bexiga, coração e intestino delgado.
O sal deve ser utilizado na preparação dos alimentos e não à mesa, a não ser muito excepcionalmente. O hábito português de salpicar a comida com sal (mesmo que seja de boa qualidade) é prejudicial para a saúde, pelo que deve ser o mais possível evitado.
Quando comprar sal integral, certifique-se que está a adquirir sal integral branco e não cinzento; o sal marinho integral de cor cinzenta tem muito mais magnésio do que o branco e pode afectar os rins e as articulações.
Molho de Soja Natural Shoyu
Apesar de relativamente pouco conhecido em Portugal, o molho de soja é um tempero básico em todo o Oriente e na culinária natural e pode ser usado em sopas, massas, vegetais, feijões, algas. O seu sabor subtil combina bem com sabores doces, picantes ou ácidos.
O Shoyu é produzido a partir do feijão soja, trigo e sal marinho que são fermentados e envelhecidos em barricas de madeira. O Shoyu comercial é de uma qualidade muito inferior porque é envelhecido artificialmente e produzido a partir de ingredientes de qualidade inferior.
O molho de soja Shoyu deve ser utilizado na culinária, e só excepcionalmente à mesa. Ajuda a digerir os cereais integrais e os vegetais; tem uma enorme quantidade de proteína, minerais e vitaminas do grupo B e é frequentemente utilizado em remédios caseiros (sobre os quais escreverei brevemente um artigo) como Tamari-Bancha (chá três anos com molho de soja) que alivia a fadiga e neutraliza uma condição demasiado ácida.
Pasta de Soja Miso
O Miso é utilizado no Oriente há séculos e os japoneses dizem que este alimento foi um presente dos deuses para a humanidade; o Miso é um puré com um sabor salgado e levemente doce, produzido a partir do feijão soja e sal fermentados com cevada ou arroz (as variedades mais conhecidas); é principalmente utilizado na preparação de sopa, a famosa sopa de Miso, mas pode também ser usado na preparação de pratos à base de vegetais, molhos, pastas e pickles.
As principais variedades de Miso incluem o Mugi Miso (Miso de cevada), Hatcho Miso (Miso de soja) e o Genmai Miso (Miso de arroz integral); no dia a dia, dá-se geralmente preferência ao Miso de cevada, que tem um sabor mais equilibrado. Existem também Misos doces especialmente utilizados em molhos e pratos especiais e "Miso instantâneo" para viagens.
O Miso contem enzimas que melhoram a digestão e fortalecem a qualidade de sangue; tem um elevado teor em proteína, vitaminas e minerais; segundo muitos estudos realizados o Miso ajuda a prevenir e a tratar o cancro da mama, doenças cardiovasculares e doenças provocadas por radiação.
Deve ter em atenção que os alimentos apresentados neste artigo são condimentos e consequentemente utilizam-se em quantidades moderadas, para temperar a comida.
No próximo artigo continuarei a escrever sobre condimentos e temperos.
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[+] Francisco Varatojo - Condimentos - 2ªparte
Condimentos - 2ªparte
por Francisco Varatojo
No último artigo escrevi sobre condimentos e temperos, particularmente sobre o sal marinho integral e temperos derivados do feijão soja - molho de soja Shoyu e Miso. Hoje continuarei a escrever sobre o mesmo tema, mencionado outros condimentos e temperos naturais que podem ser utilizados no dia a dia.
Historicamente, os temperos foram utilizados em todas as culturas como elementos chave da culinária de cada país; no passado, quando havia muito menos alimentos importados e processados, os condimentos permitiam que se pudessem apreciar diariamente os mesmos alimentos das mais diversas formas.
No Extremo Oriente, os mais utilizados foram o Miso, molho de soja, ameixas Umeboshi, pó de algas, mostarda, rábano ralado, entre outros; no Médio Oriente, sementes de sésamo, cebolas picadas, cebolinho ralado e sumo de limão foram os favoritos; nos países ocidentais demos preferência a temperos e guarnições como salsa ou coentros picados, chucrute, pickles, vinagre de maçã, azeitonas e uma grande variedade de molhos produzidos a partir da farinha de trigo como o molho Bechamel.
Na culinária e medicina orientais (assim como nos primórdios da medicina ocidental, a medicina hipocrática), considera-se que todas as refeições por mais simples que sejam nos devem fornecer 5 sabores distintos - doce, picante, salgado, ácido, amargo. Segundo a milenar teoria das 5 transformações chinesas o sabor doce tonifica o baço, o pâncreas e o estômago, o picante estimula os pulmões e o intestino grosso, o salgado, os rins, a bexiga e os órgãos reprodutores, o ácido, o fígado e a vesícula, e o amargo o coração e o intestino delgado. No entanto, uma quantidade excessiva ou má qualidade de cada um destes sabores acaba por danificar o órgão que por ele seria nutrido.
Assim, um bom cozinheiro é aquele que consegue criar um bom equilíbrio destes cinco sabores numa refeição (ou simplesmente num prato), conseguindo assim um menu muito mais saboroso, esteticamente mais harmonioso e que nos deixa satisfeitos e de boa saúde.
Sugiro-lhe que a partir de agora tenha estes aspectos em consideração sempre que preparar um prato; verá que as refeições são muito mais saborosas e não terá tanta necessidade de andar a petiscar entre o almoço e o jantar.
Sabor doce
Numa alimentação centrada em cereais e vegetais o sabor doce é relativamente fácil de obter uma vez que a maioria dos cereais e bastantes legumes são naturalmente adocicados. No entanto, se desejarmos uma qualidade de doce mais intensa (sem com isso recorrer ao açúcar) pode tentar a utilização de: Miso, Miso cozinhado com cebolas ou pimentos vermelhos, salsa ou coentros secos, creme de maçã, malte de cevada ou mel de arroz.
Sabor picante
Os condimentos picantes (sem recorrer a especiarias nocivas para a saúde) são agrião, cebola crua, gengibre, nabo ou rabanetes ralados, mostarda e algumas ervas selvagens.
Sabor salgado
Ao cozinharmos com sal, mesmo se em pequenas quantidades, já estamos a ingerir este sabor; para um toque mais salgado os condimentos ideais são Gomásio (sementes de sésamo tostadas e moídas com sal), pequena quantidade de Shoyu nos vegetais ou massas, pó de algas, ameixas Umeboshi (pickles tradicionais de ameixa muito utilizados no Oriente e com excelentes propriedades terapêuticas).
Sabor ácido
Obtém-se em alimentos como sumo de limão, vinagre de arroz, vinagre de maçã, raspa de limão, pickles de vegetais, chucrute, azeitonas.
Sabor amargo
Os condimentos amargos incluem sementes de sésamo levemente tostadas, condimentos à base de grelos ou nabiças, nozes tostadas, alga Nori, Tekka (condimento preparado a partir de raízes salteadas e temperadas com Miso).
Existem muitos outros alimentos a partir dos quais pode obter cada um destes sabores específicos; sugiro-lhe que seja criativo e que utilize aqueles cujo sabor mais aprecia.
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[+] Francisco Varatojo - Hidratos de Carbono
Hidratos de Carbono
por Francisco Varatojo
A base da nossa alimentação diária deve consistir de hidratos de carbono mas nem todos os hidratos de carbono são iguais - batatas, arroz branco, arroz integral ou açúcar não têm de todo o mesmo efeito.
Ao longo dos anos a ciência nutricional tem vindo a alterar substancial e quase radicalmente as suas recomendações: no início do estudo da nutrição os alimentos proteicos foram eleitos como "a nata" dos nutrientes, uma vez que a proteína é utilizada para formar tecido corporal.
Os diferentes estudos epidemiológicos efectuados nas últimas décadas mostraram no entanto que um consumo elevado de proteína pode contribuir para imensos problemas e actualmente recomenda-se que a base da alimentação consista em hidratos de carbono.
A famosa roda dos alimentos utilizada como modelo nutricional adequado está em completo desuso e o modelo nutricional mais moderno, aprovado em 1992 pelo Ministério da Agricultura Americano é a Pirâmide Alimentar que tem na sua base cereais como alimento principal. É interessante notar que a Roda dos Alimentos foi financiada pela indústria do gado bovino e dos produtos lácteos e que a Pirâmide Alimentar demorou imensos anos a ser aprovada pelo Governo Americano devido a um "lobbying" intenso da indústria alimentar e farmacêutica.
Mas, se a base da nossa alimentação diária deve consistir de hidratos de carbono, nem todos os hidratos de carbono são iguais - batatas, arroz branco, arroz integral ou açúcar não têm de todo o mesmo efeito, apesar de todos estes alimentos serem tecnicamente hidratos de carbono ou açúcares.
Os hidratos de carbono, ou glúcidos ou açúcares constituem a nossa principal fonte de energia, mas para além de servirem para "queimar" (como a lenha numa lareira) têm outras funções importantes:
* Os hidratos de carbono são o melhor combustível para as células, proporcionam a energia química necessária para as funções corporais, exercício muscular, manutenção da temperatura, digestão e assimilação de nutrientes, entre outras.
* Fazem parte dos ácidos nucleicos - ADN e ARN - que servem para conservar e transmitir a informação genética e das membranas celulares.Dum ponto de vista estrutural quando falamos de hidratos de carbono podemos estar a referir tipos diferentes de açúcares:
Monosacáridos - frutose (presente no mel e nas frutas), glicose (fruta, mel, alguns vegetais) e galactose.
Disacáridos - Lactose (leite), sacarose (açúcar), maltose (obtida por hidrólise dos amidos).
Polisacáridos - Glicogénio, amido, dextrina e celulose.
Generalizando, chamam-se aos monosacáridos e aos disacáridos açúcares simples (apenas uma ou duas moléculas) e aos polisacáridos, açúcares complexos (muitas moléculas).
Existe uma enorme diferença entre ingerirmos açúcares simples ou complexos e devemos comer maioritariamente açúcares complexos.
Apesar de no final do processo digestivo todos os hidratos de carbono se converterem em açúcares simples, quando comemos hidratos de carbono complexos (presentes nos cereais, vegetais, leguminosas) o desdobramento dos açúcares é mais lento, o que nos vai dando energia gradual e uma maior estabilidade emocional.
Quando comemos maioritariamente açúcares simples (presentes no açúcar, mel, frutos, etc.) obtemos energia mais rapidamente, mas assim que o pâncreas detecta níveis mais altos de açúcar no sangue segrega insulina e os níveis baixam muito rapidamente podendo criar uma hipoglicemia reactiva; a ingestão excessiva de açúcares simples cria também um comportamento emocional muito mais instável uma vez que as nossas emoções estão intimamente ligadas com as flutuações de açúcar no sangue.
Para além disso, se comemos os hidratos de carbono com fibra (como por exemplo nos cereais integrais e nos vegetais), a assimilação é ainda mais lenta, criando um fornecimento constante de açúcar na corrente sanguínea.
Assim, podemos também classificar os hidratos de carbono segundo a velocidade com que são absorvidos nos intestinos:
De absorção muito rápida: Sumos de frutas, mel, açúcar, melaço...
De absorção rápida: Fruta (diferente de sumos de fruta porque a fruta tem fibra associada), polisacáridos refinados (pão branco, arroz branco, farinhas refinadas).
De absorção lenta: cereais integrais e derivados, vegetais e leguminosas.
Uma vez que referi o efeito da fibra na assimilação dos açúcares, gostaria também de mencionar que a fibra presente nos alimentos ajuda a baixar o colesterol, regula os níveis de glicose (açúcar) no sangue, dá consistência às fezes. Devemos comer a fibra no seu estado natural (em conjunto com os alimentos que a contêm) e não duma forma isolada (sob a forma de farelos ou outros) porque a fibra em excesso pode prejudicar a absorção de minerais e vitaminas e provocar diarreia, dores intestinais ou flatulência em pessoas com sistemas digestivos mais sensíveis.
Como conclusão:
1. A maioria da nossa alimentação deve consistir de hidratos de carbono.
2. Devemos comer uma percentagem maior de hidratos de carbono complexos do que de hidratos de carbono simples. (é preferível evitar completamente o açúcar e adoçantes sintéticos). Os alimentos que têm hidratos de carbono complexos são os cereais, as leguminosas e os vegetais; as batatas sobem os níveis de açúcar muito depressa e não são de todo a melhor forma de ingerirmos açúcares.
3. É melhor comermos os cereais na sua forma integral ou semi-integral do que na sua forma refinada.Maltose 138 Massas 55
Glicose 100 Arroz integral 50
Puré de batatas 90 Flocos de aveia 40
Sacarose 75 Pão integral 35
Pão branco 70 Produtos lácteos 35
Batatas cozidas 70 Lentilhas 30
Bolachas 70 Grão de bico 30
Milho 70 Massas integrais 30
Arroz branco 70 Fruta 20
Beterraba 65 Vegetais 15
Banana 60Índice glicémico de diferentes alimentos - o índice glicémico indica a rapidez com que um hidrato de carbono sobe os níveis de glicose (açúcar) no sangue; quanto mais processado, refinado é um alimento mais alto é o índice glicémico; neste caso é mais fácil ter hipoglicemias reactivas ou no caso dos diabéticos ter hiperglicemias (níveis de açúcar elevados).
(tabela extraída do livro "El Equilibrio a través de la Alimentacion" de Olga Cuevas Fernández
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[+] Francisco Varatojo - Lacticínios
Lacticínios
por Francisco Varatojo
Na época actual, a população adquire cada vez mais a consciência de que uma boa alimentação é vital para a manutenção da saúde e bem estar. Cada vez mais pessoas reduzem o consumo de carne, açúcar, "fast food" e procuram nas lojas e mercados de produtos naturais alimentos integrais e biológicos.
No entanto, devido a toda a publicidade veiculada na comunicação social e em grandes cartazes espalhados nas ruas, o leite e os lacticínios continuam a ser considerados alimentos saudáveis, essenciais, quase sacrossantos: necessitamos de beber leite todos os dias para obter o cálcio necessário à formação e manutenção da massa óssea e assim evitar a osteoporose.
Escrever um artigo refutando tais afirmações e mencionado que o leite e os produtos lácteos não são assim tão saudáveis pode parecer uma total heresia, mesmo um perigo para a saúde pública. No entanto, alguns dos mais conceituados nutricionistas e médicos mundiais afirmam categoricamente que o consumo de produtos lácteos não evita a osteoporose e que podemos viver com melhor saúde quando nos abstemos de os ingerir.
Na realidade, o número de cientistas que acha que o leite e seus derivados não são bons para a saúde cresce todos os dias: Frank Oski (médico, director do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina John Hopkins e Médico-Chefe do John Hopkins Children's Center), Walter Willet (médico, presidente do Departamento de Nutrição da Harvard Public School e Professor de Medicina da Faculdade de Medicina de Harvard), Lawrence Kushi (nutricionista, responsável por inúmeros estudos epidemiológicos e professor de Nutrição na Faculdade de Columbia de Nova Iorque), Colin Campbell (médico, Professor na Faculdade de Medicina de Cornell e responsável pelo maior estudo de nutrição até hoje realizado, o China Health Project), o falecido Benjamin Spock (médico), Neal Barnard (médico), John McDougall (médico) e muitos outros nomes conhecidos na comunidade científica internacional têm escrito e realizado alocuções públicas em que condenam veemente o uso dos produtos lácteos, afirmando que toda a publicidade feita aos mesmos não passa de uma fraude científica encabeçada por empresas comerciais.
Citando Walter Willet no recente livro publicado pela Escola Médica de Harvard, "Eat, Drink and Be Healthy": "... os produtos lácteos não deviam ocupar o lugar proeminente que ocupam na Pirâmide Alimentar do Ministério da Agricultura Americano, nem deviam ser o cerne da estratégia nacional para prevenir a osteoporose. Em vez disso, os factos mostram-nos que o cálcio alimentar deve ser oriundo de uma variedade de fontes...", ou "...mas o leite dá-nos mais do que apenas cálcio e alguns dos seus componentes - como calorias extra, gordura saturada, e açúcar conhecido como galactose - não são necessariamente bons para si. E mais, cerca de 50 milhões de adultos nos Estados Unidos não conseguem digerir completamente o açúcar conhecido como lactose. Como não o consegue fazer a maioria da população mundial".
Sei que o que está a ler lhe pode parecer chocante, mas considere os seguintes factos:
Países do Mundo com maior consumo de lacticínios per capita: Finlândia, Suécia, Estados Unidos da América, Inglaterra.
Países do Mundo com maiores índices de osteoporose per capita: Finlândia, Suécia, Estados Unidos da América, Inglaterra.
Ingestão de cálcio na China rural: metade da ingestão da população americana.
Fracturas ósseas na China Rural: 5 vezes menos do que na população americana.
O que os diferentes estudos científicos apontam, praticamente sem excepção, é que absorção de cálcio depende de muitos mais factores do que a simples ingestão de lacticínios; os factores mais importantes parecem ser:
O tipo de alimentação que se tem - Uma alimentação com alto teor de proteína de origem animal como é a alimentação moderna, faz com que o organismo excrete muito mais cálcio; quanto mais proteína animal comemos, mais cálcio perdemos.
O grau de actividade física - A actividade física é essencial para a fixação de cálcio nos ossos; um pequeno passeio diário de meia hora pode operar maravilhas no que toca à prevenção da osteoporose.
Produção de hormonas reprodutoras como estrogéneos e testosterona - Redução na produção destas hormonas (estrogéneos nas mulheres, testosterona nos homens) torna difícil produzir e recriar massa óssea.
Vitaminas D e K - Estas vitaminas desempenham um papel importante na absorção e fixação de cálcio.
Apesar de a osteoporose não ter que ver apenas com o consumo de cálcio este é no entanto necessário; contudo, os lacticínios não são de forma alguma os únicos detentores deste mineral. Os vegetais verdes de rama fornecem a mesma quantidade de cálcio do que o leite, assim como por exemplo as oleaginosas.As algas contêm uma quantidade muito superior de cálcio, algumas como a Hiziki, 14 vezes mais de cálcio por 100 gramas.
Em debates ou conferências em que menciono a quantidade de cálcio doutros alimentos é-me geralmente respondido que é verdade que outros alimentos contêm a mesma ou uma maior quantidade de cálcio, mas que este não é bem absorvido no sistema digestivo, não é "bio-disponível."
Os factos, parecem contudo ser diferentes. Segundo o "American Journal of Clinical Nutrition" a absorção de cálcio de diferentes alimentos é, por exemplo, a seguinte:
Couve de Bruxelas - 63.8%
Brócolos - 52.6%
Rama de nabo - 51.6%
Couve - 50%
Leite de vaca - 32%Portanto, não é apenas possível obter cálcio a partir de muitos outros alimentos, como é tão bem ou melhor assimilado que no leite de vaca.
Gostaria de frisar que não sou contra o consumo de lacticínios, apesar de achar que é perfeitamente dispensável, se assim se desejar; publicitar o seu uso como sendo absolutamente essencial para a saúde, nomeadamente para a osteoporose é, no mínimo, revelador de falta de informação e parece-me também ser pouco ético. Até hoje, ainda não vi qualquer estudo onde tal conclusão fosse evidente e inequívoca.
Uma vez que o tema é controverso e complexo, voltarei a ele no meu próximo artigo sobre alimentação.
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[+] Francisco Varatojo - Lacticínios - 2ªparte
Lacticínios - 2ªparte
por Francisco Varatojo
No último artigo sobre alimentação escrevi acerca dos lacticínios, e do seu efeito na prevenção da osteoporose. Apesar da controvérsia do tema, levantei as questões sobre se os produtos lácteos resolvem realmente a osteoporose e mencionei estudos que parecem não comprovar de todo essa relação.
Mas, para além do tema da osteoporose, os lacticínios podem também não ser tão benéficos para a saúde como nos diz a publicidade, em especial quando consumidos em enormes quantidades como o faz a população moderna.
Pessoalmente, acredito que existe uma certa ordem natural que devemos seguir e dentro dessa ordem não somos um ser com características para ingerir leite ou derivados: como mamífero que somos, a ordem natural (que se aplica a todos os mamíferos) é sermos amamentados com leite materno até cerca de um ano, para depois sermos desmamados e começarmos a comer alimentos sólidos.
Na realidade, o ser humano é o único animal que após desmamado continua a ingerir leite e ainda por cima de uma outra espécie. Basicamente, o leite de vaca é um alimento ideal para nutrir um bezerro que aumenta nas primeiras semanas cerca de 37 quilos; um bebé humano, no mesmo espaço de tempo, aumenta apenas 1 a 2 quilos.
Walter Willet, professor de nutrição na prestigiada Universidade de Harvard, mencionado por mim no último artigo, cita e corrobora com factos aquilo a que ele chama o "Lado Negro do Cálcio e dos Produtos Lácteos" . Para ele, as principais razões para evitar o consumo de leite e produtos lácteos são:
Intolerância à lactose
Gordura saturada
Calorias extra
Aumento do risco de cancro na próstata e possivelmente um aumento de risco de cancro nos ovários.Dos pontos acima citados, gostaria de referir:
Intolerância à lactose - A maioria da população mundial é intolerante à lactose, o açúcar presente no leite de vaca. A maioria das pessoas após os 4 anos de idade perde a capacidade de fabricar lactase, o enzima responsável pela digestão da lactose e apenas 25% da população mundial consegue digerir bem o leite. A intolerância à lactose manifesta-se em sintomas como diarreia, prisão de ventre, cólicas, náusea. Dos diferentes grupos étnicos, a intolerância à lactose é a seguinte: de descendência asiática - 90 a 100%, de descendência africana - 65 a 70%, de descendência hispânica ou italiana - 50 a 70%, de descendência caucasiana - 10%.
Gordura saturada - A gordura presente nos lacticínios é gordura saturada, responsável pela obstrução dos vasos sanguíneos que está na origem da maioria das doenças cardiovasculares modernas.
Cancro na próstata - Em nove estudos independentes sobre o desenvolvimento do cancro na próstata, o factor mais forte e consistente ligado a este tipo de cancro foi o consumo elevado de lacticínios. No maior destes estudos o "Health Professionals Follow-up Study", os homens que bebiam 2 ou mais copos de leite por dia tinham mais do dobro das hipóteses de desenvolver cancro da próstata avançado ou com metástases do que aqueles que não bebiam leite nenhum.
Cancro nos ovários - Existe um número significativo de estudos que apontam para a hipótese de o cancro nos ovários estar ligado ao consumo de produtos lácteos e apesar de tais estudos não serem conclusivos, a ligação parece ser demasiado forte para não ser considerada.
Antibióticos - O uso de antibióticos misturados na ração diária das vacas é enorme. Nos Estados Unidos, por exemplo, a vasta maioria dos antibióticos é utilizada nos animais e não em pessoas (isto apesar do seu uso em hospitais ter aumentado 100 vezes em 35 anos). Esses antibióticos acabam por ir parar ao leite e à carne, o que não me parece de todo ser benéfico. É bem possível que a resistência crescente de algumas bactérias aos antibióticos esteja ligada ao seu uso indiscriminado na cultura pecuária.
No meu caso pessoal deixei de consumir leite e produtos lácteos (um alimento que consumia em quantidades copiosas) há 24 anos e pouco tempo depois os sintomas de uma colite e de uma sinusite desapareceram completamente, até hoje. Na realidade, tenho testemunhado num número incontável de pessoas, melhoras extraordinárias em problemas como colite, sinusite, otite, asma e outros problemas respiratórios, alergias, quando deixam de consumir lacticínios e, em especial, quando deixam de comer lacticínios e açúcar.
Tenho a noção de que os dados apresentados nestes dois artigos sobre o leite são perturbadores, em particular quando a maioria da informação veiculada pela publicidade e comunicação social nos diz que este é essencial. Deve no entanto considerar que a informação veiculada pela publicidade pode não ser consubstanciada por factos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a FDA (Food and Drug Administration) proibiu as empresas produtoras de lacticínios de colocarem nas embalagens qualquer publicidade referente às vantagens destes alimentos porque de acordo com as regras da FDA é obrigatório corroborar as frases publicitárias com factos concretos e estes nunca são apresentados.
Não pretendo de todo com estes artigos semear o pânico ou ser o arauto da desgraça. Penso no entanto que é meu dever alertar e mostrar o outro lado da moeda, de forma a que se possa questionar o que às vezes parece ser inquestionável, informar-se e assumir tomadas de decisão conscientes sobre o estilo de vida e alimentação.
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[+] Francisco Varatojo - Mastigação
Mastigação
por Francisco Varatojo
Até hoje escrevi imensos artigos sobre alimentação e saúde, sobre o que é mais ou menos adequado comer e de que forma os diferentes alimentos alteram a nossa saúde e bem estar. No entanto, não tinha ainda escrito sobre a forma como comemos e mais concretamente, como mastigamos.
No entanto, a atitude que temos ao comer é, no mínimo, tão importante como aquilo que colocamos na boca e a mastigação desempenha em todo este processo um papel essencial.
Apesar de existir um número enorme de teorias nutricionais, com opiniões diversas e contraditórias sobre o que se deve ou não comer, em todas essas teorias existe uma opinião consensual - é importante mastigar bem os alimentos, uma boa digestão começa com a mastigação.
O processo da digestão começa na boca (na realidade, para ser verdadeiramente exacto, começa quando começamos a ver e a cheirar os alimentos) e nesta, por acção da saliva e duma enzima específica existente na mesma, a ptialina, começamos a desdobrar os hidratos de carbono complexos em hidratos de carbono mais simples. É essa a razão, pela qual quando mastigamos muito tempo, por exemplo, uma cenoura ou arroz, estes vão ficando cada vez mais doces.
Se a digestão na boca se der adequadamente, os alimentos são a seguir digeridos no estômago, onde as proteínas começam a ser desdobradas em aminoácidos, por acção da pepsina e do ácido clorídico. Mais abaixo, no duodeno, por acção dos sucos pancreáticos e biliares digerimos as gorduras e na fase final da digestão, no intestino delgado, finalizamos a digestão dos diferentes nutrientes.
Para que o processo digestivo se dê com uma grande eficácia, é vital que os alimentos sejam bem mastigados e ensalivados; os orientais consideram que a saliva é um líquido fortemente carregado com energia electromagnética e que tem propriedades curativas, pelo que devemos fazer um esforço para ensalivar bem os alimentos ingeridos.
Uma mastigação e ensalivação cuidadas trazem enormes benefícios para a saúde, de entre os quais me parece importante mencionar os seguintes:
1. Melhoria da digestão - como já mencionado, quanto melhor mastigarmos, mais eficientemente utilizamos os alimentos.
2. Maior calma e relaxamento - mastigar bem é um dos melhores tratamentos anti-stress existentes; se se sente frequentemente tenso e irritado, experimente pelo menos parar quando come e concentrar-se na mastigação.
3. Clareza de pensamento e raciocínio - na língua japonesa, a palavra mastigação significa "boa compreensão"; em particular, se respirarmos adequadamente quando mastigamos, o cérebro é mais irrigado com oxigénio e consequentemente pensamos de uma forma mais clara.
4. Menos desejo de comer açúcar e doces em geral - ao desdobrarmos convenientemente açúcares complexos em açúcares simples, sentimos menos vontade de comer doces e sobremesas e não necessitamos de passar o dia a petiscar numa tentativa de nivelar os níveis de açúcar que tendem a ser mais erráticos quando a mastigação não é adequada.
5. Criação de uma condição mais alcalina no corpo - um corpo saudável tem um ph levemente alcalino. Uma alimentação baseada em produtos animais e açúcares simples tende a criar uma condição mais ácida. A saliva é um líquido fortemente alcalino que quando bem misturada com a comida contribui para um ph mais alcalino.
6. Dentes e gengivas mais fortes - se usarmos os dentes convenientemente criamos uma condição mais alcalina na boca que ajuda as gengivas e os dentes a manterem-se saudáveis.
7. Maior capacidade de auto-cura - nos muitos anos de prática que tenho como consultor alimentar, verifico consistentemente que pessoas que mastigam bem têm uma muito maior capacidade de recuperar de problemas de saúde do que aquelas que não mastigam ou que mastigam mal.Espero que as razões invocadas até aqui o inspirem a começar a mastigar melhor os alimentos. Para além disso, quando comer, sugiro-lhe que ponha em prática as seguintes sugestões:
* Coma sempre sentado, com a coluna direita e descontraído; evite comer de pé, a andar ou com uma má postura. Não coma quando se sentir muito irritado ou ansioso - se estiver a atravessar uma turbulência emocional, respire profundamente antes de começar a refeição ou vá dar uma volta para "arejar".
* Não tome as refeições a ver televisão e evite ambientes ruidosos. Não atenda o telefone quando estiver a comer.
* Tente mastigar pelo menos 30 vezes cada garfada e pouse os talheres entre cada garfada; de forma a estimular bem os dentes e gengivas e ter uma boa digestão mastigue duma forma espirálica, utilizando todos os dentes.
* Faça uma caminhada de dez minutos depois das refeições.Pode neste momento estar a pensar que estas recomendações fazem sentido mas que não é possível com o estilo de vida frenético moderno colocá-las na prática; considere-as como um investimento na sua saúde e asseguro-lhe que se se dispuser a gastar mais tempo a comer e a mastigar melhor, receberá inúmeros benefícios no seu bem estar físico e clareza mental.
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[+] Francisco Varatojo - Métodos Culinários
Métodos Culinários
por Francisco Varatojo
Nos últimos meses escrevi um bom número de artigos para a XIS, a maioria deles versando o tema da alimentação, a forma como os alimentos afectam a nossa saúde e como os podemos utilizar para aumentar o bem estar.
Ao pensar sobre o tema para este artigo, lembrei-me de que nunca tinha escrito sobre a importância da culinária e de como os diferentes métodos culinários, utensílios e "combustível" utilizados alteram a qualidade dos alimentos. Assim, dedico este e o próximo artigo à arte da cozinha e a todos as cozinheiras e cozinheiros que tornam a nossa vida mais agradável. Na realidade, a culinária é uma das artes mais elevadas e contribuiu, provavelmente mais do que qualquer outra, para a evolução e desenvolvimento humanos desde tempos imemoriais. O fogo e o seu uso na confecção dos alimentos permitiu-nos lidar melhor com o rigor do frio, tornou os alimentos mais digeríveis e alterou significativamente (para melhor) o funcionamento dos sistemas digestivo e nervoso; num artigo recente da "National Geographic" a culinária é apontada como o factor número um no processo evolutivo humano.
Infelizmente, na cultura moderna, cozinhar é um acto ao qual se dá muito pouco valor e que é na maioria das vezes totalmente relegado para segundo plano, levando à procura de "fast food", separação da família à hora das refeições, aumento de doenças crónicas e muitos outros problemas.
Um(a) bom(a) cozinheiro(a) influencia e controla a saúde daqueles para quem cozinha alterando e variando factores como o uso do fogo, temperos, combinações, estilos de corte, quantidade de gordura e água, etc. Talvez ainda mais importante, o estado de espírito do(a) cozinheiro(a) influencia grandemente os seus comensais. Uma atitude apropriada a cozinhar é tão importante como a qualidade dos ingredientes ou as técnicas culinárias.
Existe uma energia invisível que o cozinheiro oferece à comida e que afecta todos os que a comem. Se leu o livro ou viu o filme "Como Água para Chocolate" lembra-se seguramente como a cozinheira da casa distribuía a todos sentimentos de amor e alegria ao utilizar a cozinha como se esta fosse um templo e ao preparar os alimentos com o que de mais profundo, sincero e alegre existia em si mesma.
Nos templos Zen tradicionais no Japão e China, por exemplo, os cozinheiros eram os monges mais avançados do templo, e a culinária era apelidada de "arte para o desenvolvimento da consciência".
Os alimentos preparados com mau humor criam mau humor; alimentos preparados de uma forma caótica e demasiado apressada podem criar pensamentos e acções ansiosos e caóticos.
Assim, antes de escrever sobre tachos, panelas, fogões, óleo, sal e água, deixo-lhe umas sugestões para quando cozinhar ou para quando comer uma refeição preparada por outra pessoa:
Quando cozinhar:
* Ponha de lado as suas preocupações, descontraia-se e tente entrar na cozinha com uma sensação de paz e alegria.
* Considere o efeito que os seus alimentos vão ter nas outras pessoas e sinta-se grato pela oportunidade que tem de contribuir para a saúde e bem estar dos outros.
* Sinta respeito pelo trabalho e goste do que está a fazer, mesmo que a refeição seja muito simples.
* Mantenha a cozinha e utensílios limpos e arrumados e esteja consciente da sua própria condição: arregace as mangas, coloque um avental, apanhe o cabelo; evite música alta e elimine os odores que se sobreponham os cheiros e sons dos alimentos.
* Estude os efeitos dos alimentos e poderes curativos de cada alimento e não misture demasiados ingredientes no mesmo prato.
* Seja intuitivo: use as cores, sabores e sons como os seus guias e aprenda a sentir internamente quando os pratos estão prontos.
* Para aprender a cozinhar melhor, cozinhe para alguém de quem gosta.
Quando come:
* Reflicta no esforço despendido por todas as pessoas responsáveis para que a comida lhe seja servida no prato e seja-lhes grato.
* Manifeste verbalmente a sua apreciação a quem cozinha e não deixe comida no prato.
Considere que aquilo que come vai criar o seu sangue e consequentemente a sua saúde e bem estar.* Mastigar bem é não só importante para a saúde mas é também uma forma de mostrar apreciação pelos alimentos e por quem os confecciona.
* Coma num ambiente calmo evitando ver televisão, falar ao telefone ou ouvir musica muito alta.
* Antes de comer faça um esforço para pôr de lado as suas preocupações e ânsias e encare a refeição como um ritual sagrado.
Acredito que se começarmos a ter mais consideração e respeito pela comida e pela arte da culinária a nossa vida pode melhorar e podemos sentir-nos incomensuravelmente mais calmos e bem dispostos.
No próximo artigo escreverei sobre utensílios, microondas, métodos culinários e os seus efeitos na saúde.
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[+] Francisco Varatojo - Métodos Culinários - 2ª Parte
Métodos Culinários - 2ª Parte
por Francisco Varatojo
De volta à culinária, vou desta vez escrever sobre métodos culinários e seus efeitos, tachos, panelas e fogões.
E começo precisamente por estes últimos: o combustível utilizado quando cozinhamos é um factor importante para a qualidade dos alimentos e devemos ser selectivos quando escolhemos um fogão. De longe, os melhores fogões são os de lenha (calculo que neste momento esteja a esboçar um sorriso irónico pela tão pouco prática sugestão) uma vez que criam uma energia mais viva e rica nos alimentos para além de um sabor muito melhor. No entanto, nos tempos modernos não é de forma alguma prático cozinhar a lenha pelo que a segunda opção é o gás, já muito mais fácil de conseguir na maioria dos locais.
O ideal é ter um fogão e um forno a gás e não um forno eléctrico como a maioria das pessoas.
A electricidade sendo um combustível relativamente "limpo", afecta no entanto a qualidade dos alimentos uma vez que é transmitida aos mesmos; visto ser mais difícil controlar o calor dos fogões eléctricos, torna-se também mais difícil ser criativo quando se cozinha com este tipo de energia.
A evitar mesmo, na minha opinião, são os microondas; se bem que práticos, os fornos de microondas alteram significativamente a subtil energia dos alimentos e parecem danificar a sua integridade molecular, podendo conduzir a problemas de saúde. Experiências relatadas no prestigiado jornal médico inglês "The Lancet" (9 de Dezembro de 1989) demonstram que os fogões de microondas alteram suficientemente os alimentos de forma a provocar indigestão e "mudanças estruturais, funcionais e imunológicas" no corpo. O mesmo relatório menciona para além disso que os microondas transformam o aminoácido L-prolina em D-prolina, uma toxina que afecta o sistema nervoso, fígado e rins.
No que toca a utensílios de cozinha é preferível evitar o alumínio (um metal extremamente tóxico) e os utensílios de teflon (antiaderentes) que contêm substâncias tóxicas que reagem com ou são libertadas nos alimentos; dê preferência a tachos de aço inoxidável, ferro fundido, barro (não vidrado), vidro ou esmalte de boa qualidade. De todos, os preferíveis são os utensílios de ferro fundido e aço inox e se bem que bastante mais caros duram uma vida e são um bom investimento para a saúde.
Os métodos culinários e estilos de corte alteram também a qualidade dos alimentos pelo que devem ser o mais variados possível. Todos os métodos culinários fazem com que a comida se torne mais assimilável e com que esta aqueça melhor o nosso organismo. Menciono abaixo os principais métodos e os seus efeitos nos alimentos e no corpo:
Cozinhar no Vapor
Dá uma qualidade mais húmida e mais "yin" aos alimentos; realça mais o sabor de cada vegetal; demora menos tempo a preparar; ajuda a eliminar do organismo proteína e gordura animal; favorece o fígado e a vesícula biliar, o coração e o intestino delgado.
Cozinhar sem Água (Nishime)
Os vegetais cozinham no seu próprio suco e é uma das melhores formas de cozinhar; os alimentos ficam com o sabor doce mais realçado; é um método culinário que promove a estabilidade emocional e favorece o pâncreas, o baço e o estômago.
Saltear em óleo
Um bom método para pessoas friorentas e para utilizar no Inverno uma vez que saltear em óleo aumenta a temperatura do corpo; melhora também a resistência física e favorece os pulmões e o intestino grosso. A usar mais esporadicamente para quem tenha problemas de fígado (neste caso é preferível saltear os vegetais rapidamente num pouco de água).
Cozinhar na Panela de Pressão
Concentra os nutrientes e sucos dos alimentos; é rápido, economizando tempo e combustível. Cozinhar na pressão é preferível para alimentos como cereais, feijões e outros alimentos mais duros e só esporadicamente deve ser utilizado para cozinhar vegetais. Favorece as funções dos rins e da bexiga.
Cozinhar no Forno
Torna os alimentos mais secos e mais "quentes", faz realçar a doçura e aumenta a quantidade de gordura dos alimentos. Não deve ser utilizado diariamente particularmente por pessoas com uma condição e um aspecto muito "secos".
Um outro ponto a ter em atenção é a qualidade da água utilizada (um assunto que merece só por si um artigo e sobre o qual escreverei para o ano); tente cozinhar com água de boa qualidade ou água filtrada por um bom filtro de carvão; evite sempre que possível a água da torneira tratada com cloro e flúor.
Se quer apreciar melhor os alimentos e com isso obter benefícios para a saúde aconselho-o vivamente a frequentar aulas de cozinha natural, ler livros sobre o assunto, falar com pessoas mais experientes e acima de tudo começar a ensaiar. Cozinhar é como jogar ténis, fazer ski ou andar de bicicleta: aprende-se com a prática.
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[+] Francisco Varatojo - O Amargo Doce Açucar
O Amargo Doce Açucar
por Francisco Varatojo
Sente-se cada vez mais esquecido, com dificuldade em concentrar-se, deprimido sem razão aparente? O seu corpo está a ficar flácido e sistema digestivo funciona mal? Tem dores de cabeças constantes?
Se respondeu sim à maioria destas perguntas é bem possível que esteja viciado num alimento nalguns casos mais difícil de abdicar do que algumas drogas ou medicamentos. O açúcar branco, sacarose.
É verdade, o açúcar é uma substância aditiva (palavra moderna que se traduz por viciante) e dos poucos alimentos que nutricionalmente é completamente vazio (tem calorias, mas nada nos traz em relação a substâncias proteicas, minerais ou vitaminas) apesar de a maioria das pessoas comer uma quantidade diária aceitável deste moderno produto: o consumo médio na Europa é de 45 a 50 kgs de açúcar por pessoa por ano e a produção mundial ultrapassa os 50 milhões de toneladas por ano.
Antes da Revolução Francesa muito poucas pessoas consumiam açúcar (com excepção da classe rica, a única que na altura tinha cáries dentárias) e desde essa altura o consumo tem vindo a subir assustadoramente; actualmente podemos encontrar açúcar em produtos como o pão ou mesmo o sal, para além da enorme quantidade presente em chocolates, rebuçados, bolos de pastelaria, cereais de pequeno almoço, etc, etc.; na realidade a maioria de nós nem se dá conta do volume de açúcar consumido, uma vez que muitas vezes este está escondido nos mais diversos alimentos.
O problema com tudo isto é que o açúcar, apesar de doce, tem resultados muito amargos na nossa saúde e afecta muito mais do que apenas os dentes. Se come açúcar uma vez por mês isso não lhe trará provavelmente grandes transtornos, mas se não pode passar um dia sem este alimento (não é na realidade um alimento), então é possível que mais tarde ou mais cedo desenvolva problemas mais ou menos sérios.
- O açúcar não é digerido na boca, chega muito rapidamente ao estômago, o que provoca uma reacção massiva de sucos gástricos. A reacção de secreção embala-se o que provoca a hiperacidez estomacal conduzindo à aparição de gastrites e úlceras estomacais.
- Uma vez que a sua assimilação é feita ao nível dos intestinos e o açúcar não tem qualquer tipo de vitamina do grupo B, o organismo mobiliza as reservas de vitamina B do corpo. Uma vez que as vitaminas do grupo B regem os fenómenos de calcificação, o consumo da sacarose bloqueia a calcificação, conduzindo ao primeiro efeito de descalcificação dos ossos, dentes e sistema nervoso.
- O açúcar descalcifica também porque provoca uma hiperacidez estomacal. Para mantermos um pH do sangue na zona da saúde, mobilizamos sais alcalinos que constituem a reserva mineral do corpo, particularmente sais de cálcio e de magnésio. Neste processo dá-se o segundo efeito descalcificante. Segundo alguns autores, uma colher de chá de açúcar rouba minerais ao organismo durante 3 horas seguidas.
- O açúcar bloqueia o metabolismo de magnésio, um elemento sinergético de calcificação. O magnésio desempenha um papel importante nas moléculas que constituem os corpos imuno-protectores.
- O açúcar tem um feito negativo sobre o sistema nervoso parasssimpático e os órgãos por ele comandados. O cerebelo torna-se mais passivo, o que diminui as capacidades intelectuais.
- Segundo o Dr. Kendall, este produto provoca lesões arteriais e afecta o sistema cardiovascular.
- O Dr. Brckitt demonstrou que a ausência de fibras no açúcar contribui para o aumento de diverticulite e de cancro no cólon.
- A sacarose (significa açúcar, estou a evitar utilizar o termo tantas vezes) diminui as defesas do organismo, ao neutralizar a acção imunitária dos glóbulos brancos.
- O açúcar é a causa número um da diabetes e contribui de uma forma muito séria para um problema muito comum nos tempos actuais, hipoglicemia ou níveis baixos de açúcar no sangue; se sofre de hipoglicemia e pensa que comer sacarose resolve o problema, está enganado - a sacarose cria um círculo vicioso de hipoglicemia do qual é muito difícil sair.
- Para além de todas as razões enunciadas, que espero o façam pensar duas vezes sempre que decida comer este alimento, o açúcar contribui para a obesidade, trombose coronária e infecções primárias nos intestinos.
Provavelmente nesta altura já está assustadíssimo ou pensa que eu sou um doido radical numa cruzada anti-prazer. Acredite que não, o que estou a escrever é mesmo verdade e as verdades devem ser ditas, para que pelo menos possamos ter consciência daquilo que fazemos.
Sugiro-lhe a leitura do livro "Sugar Blues" escrito nos anos 70 por um jornalista americano casado com a falecida actriz Gloria Swanson, William Dufty. Neste livro, William Dufty relata com bastante humor e rigor científico a sua odisseia pessoal e a forma como a sua saúde física e emocional melhoraram quando começou a reduzir o consumo deste alimento.
No que toca ao prazer, ao sabor doce, é possível obtermos o sabor doce através de alimentos muito mais saudáveis como o malte de cevada ou o malte de arroz, ou outros. Evite no entanto sucedâneos como o aspartame ou a sacarina, muito piores para a saúde do que o açúcar branco.
Sobre estes alimentos escreverei no próximo artigo.
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[+] Francisco Varatojo - O Azeite
O Azeite
por Francisco Varatojo
As gorduras, apesar de serem uma pequena fracção da nossa ração diária de macronutrientes, são ainda assim essenciais, e a escolha de óleos de boa qualidade pode fazer uma enorme diferença na nossa saúde diária, particularmente na saúde cardiovascular.
De todos os óleos conhecidos, o azeite e o óleo de sésamo são de longe aqueles que foram mais utilizados e os que parecem ser mais aconselhados para uso regular: o azeite foi predominantemente utilizado na Europa e no Médio Oriente (existem registos históricos do uso do azeite que datam de 4 a 5000 anos a.C. em especial nas regiões do Egipto e Mesopotâmia)- , e o óleo de sésamo (ou gergelim) em praticamente todos os países do Oriente.
Neste artigo, falarei sobre o azeite, um óleo que parece estar ligado ao baixo nível de doenças cardiovasculares de alguns países. Em 1958, deu-se início ao "Seven Countries Study" (estudo de sete países), estudo esse que durou até 1973. O objectivo do estudo foi tirar conclusões sobre doenças cardíacas e morte por ataque cardíaco nos países estudados, os Estados Unidos, a Finlândia, o Japão, a Grécia, a Itália, a Jugoslávia e a Holanda. Os resultados mostraram que a Grécia e a Itália tinham o menor índice de doenças cardíacas enquanto que os Estados Unidos tinham o maior número de mortes devidas a este tipo de doença.
A conclusão dos cientistas, após estudar as diferentes variáveis, foi de que o baixo índice de doenças cardiovasculares nos países mencionados era principalmente devido ao uso regular de azeite na alimentação.
Pessoalmente, penso que não apenas o uso de azeite contribui para os resultados, mas também o tipo de alimentação que os Gregos e os Italianos usam: um padrão alimentar com muito menos produtos animais e gorduras saturadas do que os Americanos ou os Finlandeses, por exemplo.
No entanto, o azeite parece decididamente ter algo a ver com uma boa saúde cardíaca e, para além disso, é muito possível que ajude numa série de outras situações.
A pesquisa actual aponta para os seguintes benefícios do azeite:
* Reduz os níveis de LDL (lipoproteínas de baixa densidade) ou mau colesterol
* Aumenta os níveis de HDL (lipoproteínas de alta densidade) ou bom colesterol
* Ajuda a absorção intestinal
* Estimula a actividade da vesícula biliar
* Baixa a hipertensão
* Estimula a secreção de insulina, ajudando a baixar os níveis de açúcar
* Diminui a secreção de ácido no estômago
* Ajuda o desenvolvimento ósseo nas crianças
* Pode ajudar a reduzir o risco de cancro na próstata e cancro na mama
* Pode ajudar a prevenir a osteoporoseO azeite tem cerca de 76% de gorduras mono insaturadas (particularmente ácido oleico) e antioxidantes naturais como vitamina E, flavonóides e outros; os antioxidantes ajudam a prevenir a destruição celular provocada por substâncias com oxigénio, chamadas de radicais livres.
Curiosidade:
* O azeite a utilizar deve ser azeite extra virgem; o azeite extra virgem é obtido a baixas temperaturas e não é misturado com azeite ou outros óleos de má qualidade.
* O azeite de boa qualidade deve ser mantido no escuro e/ou em recipientes opacos e a temperaturas baixas; não deve ser guardado em recipientes de plástico.
* Se tem problemas de vesícula use o azeite com bastante moderação. -
[+] Francisco Varatojo - Plantas Terapêuticas
Plantas Terapêuticas
por Francisco Varatojo
Actualmente, procura-se cada vez mais tratar os problemas de saúde através de métodos naturais e convém talvez lembrar que os fármacos modernos se desenvolveram após um estudo aturado dos efeitos medicinais das plantas, plantas essas que muitas vezes eram utilizadas de uma forma empírica na medicina tradicional.
Muitos médicos modernos, preocupados com os efeitos colaterais dos medicamentos procuram estudar as plantas e prescrever tratamentos mais doces; há no entanto situações em que as drogas químicas são essenciais e este artigo não deve de forma alguma substituir uma consulta com o seu médico assistente.
Se no entanto, utilizar regularmente os alimentos e preparações abaixo enunciados, em combinação com uma alimentação adequada, pode provavelmente adquirir uma melhor saúde e evitar ou tratar muitos problemas comuns.
Cenouras: são um dos vegetais mais ricos e saborosos de que dispomos - as cenouras são antidiarreicas, remineralizantes e diuréticas.
Ajudam a melhorar a visão, uma vez que possuem uma grande quantidade de caroteno (ou provitamina A) que desempenha funções essenciais no mecanismo da visão.
Para além disso, ajudam a combater casos de anemia, infecções de bexiga e de cálculos renais ou biliares; acalmam também as dores de estômago e o excesso de acidez estomacal.
A cenoura pode ser utilizada em pratos de vegetais, sopas, crua (neste caso, é mais digerível se for ralada), em sumos ou em chás.
Agrião: estimula o apetite, activa o metabolismo; favorece a expectoração e descongestiona o aparelho respiratório.
Na Medicina Chinesa o agrião era considerado com um excelente tónico para o fígado e pulmões.
É preferível consumi-lo levemente cozinhado (1/2 a 1 minuto) do que cru, em particular se o agrião não for de origem biológica (cultivado sem produtos químicos).
Rabanete: não sendo dos alimentos mais fáceis de consumir pelas crianças, devido ao seu sabor forte, o rabanete é no entanto um excelente descongestionante do fígado e da vesícula; para além disso é um vegetal valioso no caso de afecções respiratórias e particularmente benéfico no tratamento da sinusite.
Pode utilizá-lo ralado (óptimo para ajudar a dissolver gordura e portanto aconselhado em conjunto com alimentos mais oleosos como fritos) ou cozinhado. De manhã, em jejum, desintoxica e descongestiona o fígado.
Cebolas: as cebolas cozinhadas são muito boas para acalmar o sistema nervoso (em casos de nervosismo, irritabilidade, etc.); ajudam também a aliviar as dores musculares, sendo portanto apropriadas para pessoas que desenvolvem um trabalho físico intenso.
O chá preparado a partir das cascas de cebola fervidas é excelente para tosses, particularmente em crianças.
Couve lombarda: Quando levemente escaldada é um óptimo tónico para abrir o apetite.
Tem também acções benéficas sobre o estômago e pâncreas, sendo particularmente indicada para casos de diabetes ou hipoglicemia.
Os vegetais até agora mencionados, podem e devem ser utilizados no dia a dia, preparados de muitas formas diferentes (cozidos, em sopas, em saladas, como temperos de outros pratos, etc.); mencionarei de seguida uma série de preparações específicas - pratos especiais, chás, condimentos - que se devidamente confeccionadas têm efeitos terapêuticos consideráveis.
Estas preparações têm como ingredientes base cereais integrais, vegetais, feijões e outros alimentos, que têm consistido na base da alimentação humana durante séculos e que, portanto, devem de qualquer forma ser consumidos regularmente como parte de uma alimentação mais saudável.
Creme de Arroz Integral Especial: para crianças doentes; para pessoas muito cansadas; para aumentar o apetite, ou como alimento principal em crianças ou adultos que não conseguem ingerir alimentos sólidos.
No Oriente, este creme de arroz é considerado um remédio universal que deve ser utilizado em todas as situações em que as pessoas se sintam muito debilitadas.
Preparação:
Toste (sem óleo) 1 chávena de arroz integral numa frigideira de aço inox até que este fique com uma cor dourada. Coloque este arroz numa panela, adicione 7 a 10 chávenas de água e deixe levantar fervura. Tape, baixe a chama e deixe ferver em chama baixa durante 3 a 4 horas. (Se utilizar uma panela de pressão, use cerca de 5 chávenas de água e ferva e cozinhe durante 2 horas).
Deixe que esta preparação arrefeça e depois coe-a através de uma gaze ou uma fralda, de forma a obter cerca de 3 a 3 ½ chávenas de um creme espesso. Adicione sal (não no caso de bebés), volte a aquecer e sirva quente.
Bebidas à base de Kuzu: o kuzu é o amido de uma raiz, que pode adquirir em boas casas de produtos naturais.
O nome técnico desta planta é "Pueraria lobata, Pueraria hirsuta) e é originária do sul da América e das montanhas do Japão. As suas propriedades medicinais são estudadas há séculos e entre elas contam-se as seguintes:
1. O kuzu fortalece e regula a digestão; digere-se facilmente e é rapidamente absorvido pelos intestinos.
2. O pó de kuzu é um amido muito concentrado, que contém mais calorias do que o mel, para a mesma unidade de peso.Indicações:
O kuzu é especialmente eficaz nos seguintes casos:
* Cansaço geral: o kuzu alivia o cansaço e aumenta a vitalidade.
* Problemas intestinais agudos : especialmente diarreia, incluindo diarreia provocada por cólera ou disenteria.
* Fraqueza intestinal crónica, ou doenças intestinais crónicas como colite ou tuberculose intestinal
* Constipações e gripes
* Febres
* Ajuda a cicatrizar úlceras no estômago, duodeno ou intestinos.
* É bom para pessoas que não conseguem ingerir alimentos sólidos
Creme de Kuzu - Para diarreias ou fraqueza intestinal; como revitalizante; para constipações
Preparação: Dissolva uma colher de chá rasa de kuzu num pouco de água fria. Junte a uma chávena de água fria e deixe levantar fervura enquanto mexe constantemente. Adicione uma pitada de sal ou um pouco de molho de soja shoyu.
Kuzu com Sumo de Maçã - para estimular o apetite; para baixar a febre; para acalmar; torna as fezes mais macias.
Preparação: Adicione ½ chávena de água a ½ chávena de sumo de maçã. Ferva lentamente com 1 colher de chá de pó de kuzu, até que o líquido engrosse.
Bibliografia:"A Saúde pelas Plantas Medicinais" - Enciclopédia de Educação e Saúde
Macrobiotic Home Remedies, Michio Kushi, Japan Publications
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[+] Francisco Varatojo - Proteína
Proteína
por Francisco Varatojo
Quantas vezes ouviu dizer que para ter um bom aporte proteico é necessário comer carne regularmente? E quantas vezes lhe perguntaram se a sua alimentação tem suficiente proteína?
A ideia prevalecente em relação à maioria das pessoas é de que a proteína animal é essencial e de que necessitamos de ingerir proteínas para termos energia; sem proteínas sentimo-nos mais cansados e não temos suficiente vitalidade para as actividades do dia a dia.
Dum ponto de vista nutricional tais ideias não têm qualquer fundamento científico: em primeiro lugar, a função da proteínas é de fornecer ao organismo, não a energia, mas os elementos necessários à construção, sobretudo em períodos de crescimento e à renovação celular a partir do estado adulto. O que nos fornece energia são os glúcidos (hidratos de carbono, açúcares) e de alguma forma os lípidos (gorduras).
As proteínas são essenciais mas não desempenham o papel quase mítico, que a maioria das pessoas lhe dá. Na realidade uma ingestão excessiva de proteína, comum à maioria das pessoas nos países ocidentais, afecta o organismo podendo provocar problemas nos rins, má assimilação de minerais conduzindo a problemas como a osteoporose, e é uma da principais causas de doenças cardiovasculares, em particular quando as proteínas ingeridas são maioritariamente de origem animal.
Em segundo lugar, não necessitamos de comer carne -ou mesmo peixe, ovos ou lacticínios - para ter quantidade suficiente de proteína. Apesar de eu pessoalmente comer ocasionalmente peixe, conheço um número enorme de pessoas em todo o Mundo que têm uma alimentação quase exclusivamente vegetariana há muitas anos, sem qualquer tipo de deficiência proteica.
Essencialmente as proteínas são substâncias cuja presença é constante nas células animais e vegetais e são obtidas pela polimerisação dos seus elementos primários apelidados de ácidos aminados ou aminoácidos. As proteínas são compostas essencialmente de 52,2% de carbono, 6,9% de hidrogénio, 21,5% de oxigénio e 16% de azoto.
Os aminoácidos são as substâncias que o corpo utiliza para fabricar as proteínas e considera-se que existem 8 ou 10 (segundo os diferentes autores) que são essenciais (não podem ser sintetizados pelo organismo): Isoleucina, Lleucina, Lisina, Metionina, Fenialanina, Treonina, Triptofano, Valina, Histidina e Arginina.
O conceito de que temos que comer alimentos de origem animal para obter todos os aminoácidos, advém do facto de só os produtos animais terem todos estes aminoácidos presentes, pelo que uma alimentação baseada em produtos de origem vegetal poderia ser carente nalguns aminoácidos essenciais. No entanto, se houver suficiente variedade na alimentação é quase impossível desenvolver carências proteicas: não é obviamente aconselhável seguir monodietas só à base de cereais ou vegetais ou frutos, mas se combinarmos os diferentes alimentos com bom senso ingerimos todos os aminoácidos sem qualquer problema.
Assim, os cereais têm de uma forma geral uma menor quantidade do aminoácido lisina enquanto que por exemplo as leguminosas têm menor quantidade do aminoácido triptofano; no entanto, quando na alimentação diária ingerimos cereais, leguminosas, sementes, os diferentes ácidos aminados combinam-se perfeitamente dando-nos um aporte proteico adequado. Em todas as culturas, ao longo da história se comeu arroz com feijão, trigo com lentilhas, broa de milho com grão ou outro feijão, etc. Apesar de esta teoria poder parecer um pouco complexa, na prática do dia a dia não necessitamos de contabilizar a quantidade de aminoácidos que ingerimos, desde que tenhamos uma alimentação variada, como amplamente explicado num livro famoso nos anos 80, "Diet for a Small Planet" de Frances More Lappe.
Um outro ponto a considerar é a forma como as proteínas são assimiladas, a Taxa Líquida de Proteínas Assimiláveis (em inglês, NPU ou Net Protein Utilization), ou seja o valor biológico e a digestibilidade das proteínas, o que determina a sua qualidade nutricional.
Interessantemente, a carne tem um NPU relativamente baixo em relação a outros alimentos como por exemplo o peixe, ou os ovos ou o leite, o que significa que a proteína presente na carne não é tão facilmente assimilável. O arroz integral por exemplo tem um NPU de 70, enquanto que a carne de porco ou frango têm um NPU de 65. O peixe tem um NPU de 80, pelo que a expressão "peixe não puxa carroça" não tem qualquer validade de um ponto de vista científico.
Caros leitores, fazendo uma breve pausa para reler este artigo, parece-me que estou a começar a ser demasiado técnico e um pouco fastidioso na forma como explico este assunto que afinal não é assim tão complicado, pelo que vou concluir fazendo um breve resumo:
- A proteína não é necessária para termos energia, apesar de ser essencial na alimentação diária; preocuparmo-nos com carências proteicas com uma alimentação minimamente variada não faz sentido; na realidade no mundo moderno, existem (na minha opinião) muitos mais problemas provocados por ingestão excessiva de proteína do que por carências desta.
- Não é necessário comermos carne para ter quantidade suficiente de proteínas - o peixe é muito melhor, não apenas pela proteína utilizável ser superior, mas também porque tem muito menos gordura saturada e contém ácidos gordos que se pensa serem preventivos de doenças cardiovasculares. A carne em excesso contribui para problemas como doenças cardíacas, artrite, gota, alguns tipos de cancro, entre outros males.
- Existem alimentos de origem vegetal com uma enorme quantidade de proteína: leguminosas, Tofu, Seitan, Tempeh, Natto, oleaginosas e mesmo alguns vegetais como os cogumelos ou os brócolos. Não apenas estes produtos são saborosos como são muito mais saudáveis, baratos e ecológicos.
No próximo artigo escreverei sobre fontes proteicas de origem vegetal e como as utilizar.
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[+] Francisco Varatojo - Proteína Vegetal
Proteína Vegetal
por Francisco Varatojo
No artigo anterior mencionei que é possível obtermos suficiente proteína na alimentação diária sem para tal recorrermos a produtos de origem animal, particularmente carne.
Na realidade as fontes proteicas de origem vegetal são muito mais económicas, mais ecológicas, são saborosas e melhores para a saúde: a vantagem das proteínas vegetais é que não contêm resíduos genericamente denominados por Purinas.
Neste momento, existem nas lojas de produtos naturais e em muitos supermercados, produtos de excelente qualidade que dão um excelente aporte proteico e que para além disso são fáceis de confeccionar; neste artigo citarei os mais importantes e as diferentes formas de os utilizar.
Leguminosas
Feijão Azuki, grão de bico, lentilhas, feijão frade, catarino, manteiga, soja, favas, ervilhas, etc.
As leguminosas têm sido ao longo dos séculos utilizadas como complemento dos cereais e são uma excelente forma de ingerir proteína de boa qualidade; podem ser cozinhadas em sopas, com cereais, vegetais, sob a forma de patés, etc.Se quer evitar a formação de gases que frequentemente acompanham a ingestão destes alimentos, sugiro-lhe que os cozinhe sempre com alga Kombu, um tipo de alga que se adquire facilmente em lojas de produtos naturais. As algas Kombu não só tornam as leguminosas mais digeríveis, como estas ficam também mais macias e saborosas; uma tira de Kombu é suficiente para uma panela cheia de feijões. Quando servir os feijões, se o seu sistema digestivo for mais débil, acompanhe-os com nabo ou rabanete ralados.
Os chineses utilizaram estes alimentos para tratar os problemas de rins e bexiga, e de todos os feijões o feijão Azuki é por excelência o alimento mais indicado para problemas renais e de bexiga.
O Azuki é um feijão pequenino vermelho, que pode cozinhar como qualquer outra leguminosa; é particularmente delicioso quando confeccionado com abóbora e se tem problemas renais pode com ele fazer um chá, cozinhando-o em 5 a 6 vezes mais de água, fervendo em chama baixa durante cerca de 40 minutos.
Tofu
O Tofu ou queijo de soja é um alimento produzido a partir do leite de soja; de uma enorme versatilidade, o Tofu tem tido uma cada vez maior aceitação em todo o Mundo; com um enorme teor proteico pode utilizar este alimento em sopas, cozinhá-lo com vegetais, no forno, sob a forma de molhos e pastas... Existem centenas de receitas de Tofu possíveis e sugiro-lhe que veja com atenção a secção de culinária da XIS onde muitas destas fantásticas receitas são apresentadas.
Leite de soja
O leite de soja é consumido por um número cada vez maior de pessoas, especialmente aquelas que têm alergias ao leite de vaca e pretendem uma alternativa.
Apesar do enorme teor proteico deste alimento, o leite de soja pode criar problemas digestivos e produzir mucos no sistema respiratório, especialmente quando ingerido gelado ou com a adição de adoçantes (mesmo adoçantes naturais); se pretende utilizar este alimento com regularidade o melhor é fervê-lo com alga Kombu durante cerca de 15 minutos. Também neste caso a alga Kombu torna o leite de soja muito mais digerível.
O leite de soja pode também ser utilizado na confecção de molhos e pastas.
Seitan
O Seitan é produzido a partir do trigo e é essencialmente glúten de trigo; tem uma textura semelhante à carne e por isso muitas pessoas o apelidam de carne vegetal; a melhor forma de o confeccionar é estufado com vegetais, um prato que mesmo os mais difíceis de satisfazer, costumam gostar imenso.
O Seitan deve ser evitado por pessoas com doença celíaca e alérgicas ao glúten.
Tempeh
Oriundo da Indonésia (mas produzido em Portugal, não misturem por favor a política com a vossa saúde), o Tempeh tem também um enorme quantidade de proteína e é um dos raros produtos de origem vegetal que contém vitamina B12.
Com um sabor peculiar, o Tempeh pode ser utilizado grelhado, frito, estufado com vegetais. (uma vez mais, prestem atenção à secção de culinária desta maravilhosa revista).
Molho de Soja
Shoyu e Tamari são oriundos do feijão soja e utilizam-se como temperos (não devem ser sistematicamente utilizados crus sobre os alimentos como a maioria das pessoas faz, mas sim adicionados nos minutos finais da cozedura). O sabor é extremamente agradável e são um excelente tempero para pratos de vegetais. Devido ao seu alto teor em sódio, devem ser utilizados com moderação, particularmente as pessoas que tenham que reduzir a quantidade de sal.
Miso
O Miso ou pasta de soja é provavelmente o mais rico e especial de todos os alimentos derivados da soja. Os japoneses dizem que o Miso foi um presente dos deuses para a Humanidade, e este alimento é excelente para desintoxicar, ajudar a lidar com a poluição ambiental, para além de ajudar o organismo a eliminar detritos radioactivos.
O Miso é um alimento fermentado e o melhor alimento de origem vegetal para ajudar a recriar a flora intestinal e criar um sistema digestivo saudável.
A forma mais usual de o utilizar é em sopa - a já famosa sopa de Miso - mas poder também ser utilizado para temperar pratos de vegetais ou para confeccionar molhos ou pastas.
Como vê, existe uma enorme variedade de alimentos proteicos disponíveis; só tem que ter a vontade de querer mudar para melhor e a disponibilidade para aprender a confeccionar alimentos um pouco diferentes daqueles a que está habituado.
Aproveito para mencionar que, na minha modesta opinião, o uso regular de granulado de soja não é bom para a saúde: o granulado de soja é muito difícil de digerir, provocando problemas intestinais e contribui também para um problema cada vez mais generalizado e sobre o qual escreverei num dos próximos artigos, hipoglicemia ou níveis baixos de açúcar no sangue.
No próximo artigo irei escrever sobre a amarga realidade do açúcar e como o podemos substituir por adoçantes naturais de muito melhor qualidade. Até lá, boas mudanças!
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[+] Francisco Varatojo - Sal - Amigo ou Inimigo
Sal - Amigo ou Inimigo
por Francisco Varatojo
Nos últimos 50 anos, o uso do sal na alimentação tem sido cada vez mais desaconselhado e provavelmente a maioria das pessoas considera o sal como nocivo ou mesmo perigoso para a saúde.
No entanto, o uso apropriado de sal e a utilização de um sal de boa qualidade (ver caixa) pode desempenhar um papel importante, mesmo vital, na criação da saúde.
De acordo com as teorias nutricionais ayurvédica e chinesa o sal contribui para as seguinte funções:
* Ajuda-nos a ficar mais centrados e mais focalizados devido às suas tendências fortemente yang (centrípetas e enraizadoras).
* Torna os alimentos mais nutritivos e substanciais e dá energia e vitalidade.
* Ajuda a digestão, contribuindo para a secreção de ácido clorídrico no estômago.
* Estimula a função renal e um uso apropriado promove a absorção de cálcio e a utilização de nutrientes em geral.
* O sal é considerado um purificador e como tal ajuda o organismo a eliminar toxinas.
Dum ponto de vista da ciência ocidental sabe-se que o sal desempenha um papel importante em determinadas funções fisiológicas, nomeadamente:
* Ajuda a produção de bílis, que torna possível a assimilação de gorduras nos intestinos.
* Aumenta os movimentos peristálticos do intestino, contribuindo para uma boa digestão.
* Alcaliniza o sangue, um aspecto importante na manutenção da saúde e prevenção da doença, uma vez que a maioria dos alimentos modernos tende a acidificar o sangue.
* O sódio ajuda a condução dos impulsos nervosos e também contribui para uma melhor contracção muscular.
Apesar de todos estes benefícios, um excesso ou uma má qualidade de sal podem produzir os seguintes transtornos:
* Os chineses consideram que se ingerirmos demasiado sal nos podemos tornar excessivamente materialistas e gananciosos, devido ao seu efeito focalizante.
* Enquanto que uma pequena quantidade promove a função renal, o excesso afecta os rins, interfere com o metabolismo de absorção de cálcio e de nutrientes em geral.
* Sal em excesso pode também contribuir para um excessivo emagrecimento e um aspecto fraco e emaciado enquanto que nalgumas pessoas produz retenção de líquidos e consequente inchaço.
* Como o sal tem tendência para atrair líquidos, pode aumentar a pressão arterial e conduzir à hipertensão, em particular quando se utiliza uma grande quantidade de produtos animais na alimentação.
Do que foi escrito até agora, parece evidente que é importante determinar que quantidades utilizar na alimentação diária. Na realidade, a maioria das pessoas utiliza demasiado sal, particularmente sob a forma de "sal escondido" tão comum nos alimentos modernos como batatas fritas, pão refinado e muito em particular na "fast food".
A maior parte das recomendações nutricionais modernas, recomenda o uso de cerca de 3,000 miligramas por dia, enquanto que o adulto médio moderno pode facilmente ingerir 17,000 miligramas por dia, uma quantidade claramente excessiva.
Assim, use o sal com moderação, considere que cada indivíduo tem necessidades e capacidades diferentes de lidar com ele e, acima de tudo, abstenha-se de utilizar o saleiro na mesa, uma forma particularmente nociva de utilização deste ingrediente.
A principal razão pela qual o sal tem tão má reputação é provavelmente porque o seu uso é sob a forma de sal refinado, um produto que consiste quase exclusivamente de NaCl ou cloreto de sódio. O sal refinado (o sal que a vasta maioria das pessoas consome) consiste em 99.5% ou mais de cloreto de sódio, com a adição de dextrose (um tipo de açúcar) e produtos químicos para o estabilizarem; para além disso, o sal refinado é geralmente aquecido a altas temperaturas, o que lhe pode alterar a estrutura química.
É de longe preferível utilizar sal marinho integral, que tem mais 4% de outros minerais e oligoelementos, muito importantes para um bom funcionamento do organismo.
Curiosidade:
O sal tem desempenhado um aspecto tão crucial na história humana, que a própria palavra salário, significa pagamento em sal, uma vez que os soldados romanos eram pagos com este produto.
O sal foi um bem tão precioso que no séc. VI alguns mercadores do deserto negociavam o sal ao mesmo preço que o ouro.
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[+] Francisco Varatojo - Vegetais
Vegetais
por Francisco Varatojo
Quantas vezes ouviu dizer que comer vegetais é muito importante para uma boa saúde? E segue este bom conselho ou não?
Bem, na minha prática diária de consultor alimentar numa grande cidade como Lisboa sempre que menciono a importância dos vegetais a maioria das pessoas responde -"vegetais como todos os dias na sopa e também costumo comer salada de alface"; os mais jovens arriscam: "bem, costumo comer batatas fritas (quase sempre de pacote) e salada de tomate, às vezes ketchup". Em contrapartida, quando viajo pela província, "couves, nabos, cenouras" são ainda para muitos sinónimo de alimento diário, muitas vezes cultivado num pequeno jardim, contíguo à casa onde habitam.
A verdade é que o hábito de comer legumes diariamente e a cada refeição vem-se perdendo cada vez mais, ao mesmo tempo que um número crescente de estudos científicos enfatiza a importância destes alimentos na prevenção e mesmo terapia da maioria das doenças degenerativas modernas.
Nos últimos dois artigos escrevi sobre a importância dos cereais integrais e expliquei que os mesmos foram a base alimentar de todos os povos do planeta; bem, os vegetais sempre acompanharam os cereais e foram utilizados como alimento secundário (não que secundário signifique de menor importância, mas tão só ingeridos em menor quantidade, por razões climáticas, geográficas e outras).
Devemos utilizar no prato os mais diversos legumes e no caso concreto de Portugal temos uma extraordinária variedade à nossa disposição: cenouras, cebolas, nabos, rabanetes, rábanos, couve-flor, brócolos, abóbora, couve lombarda, nabiças, grelos, couve portuguesa e tantos outros preciosos legumes que fizeram parte integrante da nossa culinária durante séculos.
Os vegetais que actualmente são mais utilizados, o tomate e a batata, não são oriundos do nosso clima e se comidos em grande quantidade podem contribuir para alguns problemas como artrite, doenças de pele, problemas digestivos, problemas renais. Os tomates, as batatas, mas também os pimentos (verdes e vermelhos), beringela, pimenta, pertencem à famílias das solanáceas e são relativamente tóxicos, o que vem sendo confirmado por cada vez mais estudos; o Dr. Norman Childers no seu livro "Nightshades and Health" (As Solanáceas e a Saúde) reporta que o consumo regular de tomates, batatas e beringela é a causa primária de artrite e que em muitos pacientes que sofrem desta incapacitante doença quando se retiram estes alimentos da alimentação diária os sintomas de artrite desaparecem em poucas semanas.
Assim sendo, sugiro-lhe que reduza o consumo destes vegetais e que os utilize apenas em situações especiais; se tiver problemas sérios de saúde, o melhor é talvez eliminá-los completamente do seu regime alimentar durante algum tempo.
Quanto a todos os outros, comece já hoje a encher o seu prato com eles: não só a refeição ficará muito mais colorida, como ainda mais importante, isso lhe trará enormes benefícios à sua saúde.
Para tirar um maior benefício dos legumes aqui vão alguns conselhos importantes:
- Sempre que possível compre vegetais de origem biológica (cultivados sem produtos químicos) ou adquira-os em mercados pequenos, evitando de uma forma geral os vegetais de supermercado. A quantidade de pesticidas e herbicidas utilizados nos legumes modernos é assustadora e prejudica seriamente a saúde humana e a dos solos, contribuindo para um grande número de problemas ecológicos. Sabia que em apenas quarenta anos a contagem de espermatozóides em estudantes universitários baixou cerca de 40% e que muitos estudos apontam como causa directa para esta situação o uso de produtos químicos na agricultura moderna?
- Não retire a casca a legumes como a cenoura, nabo, rabanete, etc. : lave-os com uma escova de vegetais disponível no mercado de produtos naturais; quanto a vegetais como o agrião, a alface, couves, não os deixe dentro de água para os lavar mas passe-os somente rapidamente por água fria.
- Corte os vegetais de formas diferente e artísticas: consulte livros de cozinha especializados ou melhor ainda, frequente aulas de cozinha de forma a aprender estilos de corte lindíssimos que enriquecem grandemente o aspecto estético da refeição e melhoram também a digestão e absorção dos alimentos.
- Em todas as refeições, utilize legumes bem cozinhados e outros levemente cozinhados; os vegetais mais cozinhados fornecem energia e vitalidade enquanto que os levemente cozinhados fornecem frescura e ajudam a adquirir flexibilidade - neste caso não os cozinhe mais do que um minuto, de forma a que eles mantenham uma cor viva e um aspecto estaladiço. Um mau hábito existente em Portugal é de cozinhar excessivamente os vegetais, de forma a que eles percam todo o brilho e fiquem desprovidos de vitamina C.
- Coma uma boa variedade de vegetais de raiz - cenouras, nabos, rábanos, bardana, rabanete, vegetais redondos - abóbora, brócolos, couve-flor, couve lombarda, e vegetais de folha - grelos, couve portuguesa, agriões, nabiças. Os vegetais de raiz fornecem vitalidade e melhoram o funcionamento dos órgãos inferiores do corpo como os intestinos ou os órgãos reprodutores, os vegetais redondos tornam-nos mais calmos e beneficiam órgãos como o estômago, o baço ou o pâncreas e os vegetais de folha fornecem frescura e flexibilidade e activam os pulmões, coração e fígado.
Bem, espero que este meu artigo o inspire para começar a cozinhar estes fantásticos alimentos todos os dias; no próximo artigo escreverei sobre os principais vegetais disponíveis e as suas propriedades.
Até lá, bom apetite.
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[+] Francisco Varatojo - Vegetais - 2ª Parte
Vegetais - 2ª Parte
por Francisco Varatojo
No último artigo mencionei a importância de comermos regularmente e a todas as refeições vegetais, alimentos essenciais para a manutenção e recuperação da saúde, dado o seu teor em hidratos de carbono complexos, fibra e vitaminas.
Passo agora a mencionar as qualidades de alguns dos principais legumes utilizados em Portugal, de forma a poder tirar um melhor partido destes maravilhosos alimentos. Lembre-se de que deve variar os métodos culinários para que a alimentação não se torne monótona e possa aproveitar ao máximo as propriedades de cada um deles.
Os vegetais podem ser cozinhados no vapor, cozidos, escaldados, cozinhados sem água, salteados de uma forma rápida, salteados de uma forma lenta, estufados, assados, comidos sob a forma de salada crua, salada prensada, sob a forma de "pickles": Não devem de uma forma geral ser cozinhados na pressão, a não ser que sejam combinados com alimentos como leguminosas ou cereais.
Cenouras
São um dos vegetais mais ricos e saborosos de que dispomos - as cenouras são antidiarreicas, remineralizantes e diuréticas.
Como diziam as avós, são também boas para os olhos uma vez que possuem uma grande quantidade de betacaroteno (ou provitamina A) que desempenha funções essenciais no mecanismo da visão.
Para além disso, ajudam a combater casos de anemia, infecções de bexiga e de cálculos renais ou biliares; acalmam também as dores de estômago e o excesso de acidez estomacal.A cenoura pode ser utilizada em pratos de vegetais, sopas, crua (neste caso, é mais digerível se for ralada), em sumos ou em chás.
Agrião
Estimula o apetite, activa o metabolismo; favorece a expectoração e descongestiona o aparelho respiratório.
Na Medicina Chinesa o agrião era considerado com um excelente tónico para o fígado e pulmões.É preferível consumi-lo levemente cozinhado (1/2 a 1 minuto) do que cru, em particular se o agrião não for de origem biológica (cultivado sem produtos químicos).
Rabanete
O rabanete é um excelente descongestionante do fígado e da vesícula; para além disso é um vegetal valioso no caso de afecções respiratórias e particularmente benéfico no tratamento da sinusite.
Pode utilizá-lo ralado (óptimo para ajudar a dissolver gordura e portanto aconselhado em conjunto com alimentos mais oleosos como fritos) ou cozinhado. De manhã, em jejum, desintoxica e descongestiona o fígado.
Cebolas
As cebolas cozinhadas são muito boas para acalmar o sistema nervoso (em casos de nervosismo, irritabilidade, etc.); ajudam também a aliviar as dores musculares, sendo portanto apropriadas para pessoas que desenvolvem um trabalho físico intenso.
O chá preparado a parir das cascas de cebola fervidas é excelente para tosses, particularmente em crianças.
Couve lombarda
Quando levemente escaldada é um óptimo tónico para abrir o apetite.
Tem também acções benéficas sobre o estômago e pâncreas, sendo particularmente indicada para casos de diabetes ou hipoglicemia.
Alho
Comido cru, funciona como vermífugo (elimina parasitas intestinais) e aumenta a vitalidade. Pessoas com um comportamento muito irritável ou instável devem utilizar alho muito ocasionalmente, pois este tende a aumentar estas tendências; nessas situações deve apenas ser utilizado como condimento, e preferivelmente cozinhado.
Cru ou cozinhado, tem sido reconhecido ao alho, desde a Antiguidade, tanto no Ocidente como no Oriente, uma série de propriedades medicinais bastante extensas das quais cito:
Qualidades hipotensoras: o alho provoca uma baixa da tensão arterial, devido aos seus efeitos vasodilatadores.
Fluidifica o sangue: O alho é um antiagregante plaquetário, tornando o sangue mais fluido, sendo portanto indicado para todas as pessoas com tendência para problemas cardiovasculares. Diminui também os níveis de colesterol no sangue, particularmente o LDL (chamado de mau colesterol).
Efeitos hipoglicemiantes: Normaliza os níveis de açúcar no sangue, sendo um excelente preventivo para a diabetes e um bom tratamento para a mesma.
Qualidades antibióticas anti-sépticas: Após muitos estudos realizados, sabe-se que o alho desempenha funções antibióticas importantes, em especial na presença de organismos como: "escherichia coli", "salmonela typhi", "shigella dysenteriae", estafilococos e estreptococos, diversos fungos e leveduras.
Desintoxicante e descongestionante do fígado: Em pequenas quantidades, tem efeitos benéficos sobre o fígado.
Abóbora
Tal como a cenoura ( e vegetais como a beterraba, a couve de bruxelas, a salsa, acelgas, espinafre) a abóbora fornece betacaroteno, uma substância que se converte em vitamina A no organismo; para além disso é um dos legumes com mais hidratos de carbono complexos, sendo ideal para pessoas que necessitem de despender muito esforço físico. Os orientais usam há séculos a abóbora para tratar problemas de estômago, pâncreas, baço e sistema linfático.
Pepino
Um vegetal a ser usado mais no Verão, o pepino é benéfico para alguns problemas de estômago e é um bom diurético. O sumo de pepino tem sido tradicionalmente utilizado para tratar borbulhas (aplicado localmente).
Deixo-lhe de seguida uma bebida preparada a partir de vegetais, que é particularmente benéfica para tratar a hipoglicemia (níveis de açúcar baixos, uma condição que afecta um grande número de pessoas); pode beber este caldo sempre que se sinta cansado, tonto, irritado, com desejo de doces, ansioso, com sono excessivo ou deprimido - sintomas que na maioria dos casos revelam uma condição hipoglicémica.
Caldo de Vegetais Doces
Ingredientes:
½ chávena de cebolas
½ chávena de cenouras
½ chávena de couve lombarda
½ chávena de abóbora
4 - 6 chávenas de água da fontePreparação:
Corte em pedaços pequenos cenouras, cebolas, abóbora e couve.
Ponha a água a ferver.
Adicione os vegetais à água a ferver e cozinhe durante 2 a 3 minutos.
Reduza a chama para o mínimo, tape e ferva em chama baixa durante cerca de 20 minutos.
Coe os vegetais.
Beba morno ou quente.
Pode guardar este caldo no frigorífico mas é preferível reaquecê-lo antes de o beber.No próximo artigo escreverei sobre alimentos proteicos de origem vegetal.
















