DIVERSOS
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[+] Francisco Varatojo - Alimentação Macrobiótica Padrão
Alimentação Macrobiótica Padrão
por Francisco Varatojo
Na sequência do artigo sobre macrobiótica passo agora a descrever a Alimentação Macrobiótica Padrão, um modelo alimentar desenvolvido por Michio Kushi nos finais dos anos 70.
Considere por favor que este modelo é apenas um padrão e como tal deve ser adaptado às diferentes condições pessoais, climáticas, geográficas, etc.
Alimentação Macrobiótica Padrão
- 50 a 60% da alimentação diária devem consistir de cereais integrais. Cereais integrais incluem arroz integral, cevada, millet, aveia, milho, trigo, centeio, trigo sarraceno, cuscuz, bulgur, flocos de aveia, flocos de cevada, carolo de milho, massas, pão, crepes, panquecas, etc. Deve dar-se preferência a cereais integrais em grão, em particular se existirem problemas de saúde sérios, uma vez que os cereais sob a forma de farinha são mais difíceis de digerir e as farinhas ao oxidarem perdem muitas das propriedades originais do cereal em grão.
- Sopa deve ser consumida 1 a 2 vezes por dia. As sopas são em geral de vegetais mas podem também incluir cereais, leguminosas, algas, peixe. Uma sopa particularmente aconselhada é a sopa de Miso ou sopa de pasta de soja, devido aos efeitos benéficos que o miso tem na reconstrução da flora intestinal.
- 25 a 35% incluem os mais diversos vegetais (para além dos vegetais utilizados nas sopas). Os vegetais devem ser cozinhados de diferentes formas mas é importante que alguns sejam bem cozinhados e outros levemente cozinhados ou consumidos sob a forma de salada crua. Vegetais para uso diário incluem cebolas, cenouras, abóbora, brócolos, couve, agrião, nabos, couve de bruxelas, cogumelos, germinados, nabiças e muitos outros.
Vegetais como batatas, tomates, beringelas são geralmente desaconselhados ou devem ser utilizados muito ocasionalmente se se gozar de boa saúde.
- 10 a 15% da alimentação consistem de leguminosas, derivados das leguminosas e algas. As leguminosas incluem grão de bico, lentilhas, feijão azuki, feijão frade, feijão catarino, feijão manteiga e todos os feijões disponíveis nos diversos climas; derivados das leguminosas como tofu, tempeh, natto, seitan (neste caso derivado do trigo mas sendo um alimento com alto teor proteico é incluído neste capítulo) podem e devem também ser usadas regularmente.
As algas foram durante muitos anos utilizadas em diferentes culturas e utilizam-se em pequena quantidade neste regime, cozinhadas em conjunto com os vegetais, leguminosas ou cereais. As algas para uso regular têm nomes como wakame, kombu, aramé, hiziki, nori entre outras.
Para além dos alimentos mencionados nas alíneas acima, a Alimentação Macrobiótica Padrão inclui em quantidades variáveis os seguintes alimentos:
- Sementes e oleaginosas - sementes de sésamo, de abóbora, de girassol; amendoins, amêndoas, pinhões, nozes.
- Frutos da estação e da área geográfica em que vivemos - maçãs, pêras, morangos, castanhas, pêssegos, melão, melancia, uvas, etc.
- Peixe, preferivelmente de carne branca - pescada, linguado, robalo, cherne, dourada, tamboril entre muitos outros.
- Bebidas diversas, em especial chás tradicionais, cafés de cereais, sumos de vegetais ou de frutos. Se se gozar de boa saúde ou em situações especiais, pequena quantidade de bebidas alcoólicas como cerveja, vinho ou whisky de malte.
- Óleos e temperos como óleo de sésamo, de girassol, de milho, azeite e temperos como vinagre de arroz, vinagre de ameixa, gengibre, algumas ervas aromáticas entre outros. Os óleos devem ser de primeira pressão a frio e não extraídos a altas temperaturas com solventes químicos à base de petróleo (a maioria dos óleos no mercado).
- Condimentos para uso de mesa, se bem que utilizados em quantidades mínimas, são bastante importantes em especial se houver problemas de saúde; os condimentos principais são gomásio (sementes de sésamo com sal), umeboshi (pickle de ameixa), tekka (condimento produzido a partir de diferentes raízes), sementes de sésamo, condimento de cebolinho e muitos outros.
Na prática macrobiótica considera-se que os alimentos a evitar ou a usar muito esporadicamente são: carnes vermelhas ou brancas, ovos, produtos lácteos, açúcar, vegetais e frutos de origem tropical, café e chá preto, alimentos refinados e quimicalizados.Parte integrante do regime macrobiótico é a culinária; o modelo alimentar aqui descrito é extremamente saboroso, versátil e variado se a prática culinária for apropriada e pode ser bastante sensaborão se não for bem confeccionado; é aconselhável assistir a aulas de cozinha, consultar livros de culinária e pedir ajuda a pessoas mais experientes se desejar encetar uma alimentação deste tipo.
Em qualquer dos casos, começar a utilizar diariamente cereais integrais, vegetais e leguminosas na sua alimentação, pode seriamente contribuir para uma melhoria da sua saúde e qualidade de vida.
A Alimentação Macrobiótica Padrão preenche os requisitos nutricionais das principais organizações nutricionais mundiais e está de acordo com as linhas gerais no que toca à prevenção de cancro e doenças cardiovasculares.
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[+] Francisco Varatojo - Alimentos como Energia
Alimentos como Energia
por Francisco Varatojo
"Ki", "Chi", "Prana", "grande vento" - são palavras que pode já ter ouvido ou lido em conferências, artigos ou livros relacionados com a filosofia e/ou medicina orientais. A palavra "ki" é utilizada pelos japoneses, "chi" pelos chineses, "Prana" pelos indianos, "grande vento" por algumas tribos de índios americanos. Outras culturas utilizaram nomes diferentes para definir o mesmo conceito.
Estes termos referem-se a uma "energia vital" que para os orientais cria, anima e permeia todos os fenómenos. O "ki" (termo que utilizarei neste artigo) é uma essência vital que se encontra em todas as coisas e tem aspectos quer da matéria quer da energia. As teorias da física moderna (particularmente da física quântica) que mostram uma alternância entre a matéria e a energia têm muito em comum com as teorias orientais milenares.
Na terminologia oriental a expressão "ki" faz parte dum enorme número de palavras que definem determinados estados físicos ou emocionais, quando, por exemplo, nos referimos à doença ou à saúde.
Assim, em muitos idiomas orientais não se diz, por exemplo, que uma pessoa está doente, mas sim que o "ki" da pessoa está a sofrer ou que o "ki" está doente, nunca que o corpo está doente ou que a mente está doente, porque a visão que têm dos fenómenos é global e energética.
A título de exemplo, refiro algumas expressões japonesas para que possa melhor perceber este conceito que sendo muito diferente da visão analítica, cartesiana, ocidental, é usado por muitos povos há milhares de anos.
Byo Ki (doença): significa o "ki está a sofrer" ou o "ki está desordenado"
Kyo Ki (louco, doente mental): significa "ki errado" ou "ki fora de ordem"
Ki Ga Shizumu (depressão): o "ki está a afundar-se", o "ki está a ir para baixo"
Yu Ki (coragem): "ki activo"
Ki O Ushinau (desmaiar): "perder o ki"
Ki Ga Chiisai (cobarde): o "ki é pequeno"
Nas disciplinas da medicina oriental o diagnóstico e o tratamento são realizados com base neste conceito: considera-se que a doença surge quando existe uma desarmonia nesta "energia vital" e utilizam-se técnicas como a Acupuntura, Moxabustão (aplicação de calor), massagem Shiatsu, "Asanas" de yoga, alimentação e outras para restabelecer um fluxo saudável ao longo dos "meridianos" e Chacras (respectivamente, canais bem definidos por onde esta energia corre e centros de energia).
A filosofia e medicina orientais consideram que o nosso carisma, alegria de viver, coragem, optimismo, são também expressões saudáveis desta energia vital que, quando flui adequadamente no nosso corpo, nos torna pessoas mais vibrantes e atraentes (não necessariamente no sentido físico da palavra atraente, mas mais dum ponto de vista humano e espiritual).
A ciência tem, duma forma geral, dificuldade em compreender e aceitar este tipo de interpretação da vida e dos fenómenos porque se baseia na observação e confirmação sensorial para validar os fenómenos, e isso não é fácil de fazer em relação à energia "ki" com a maioria dos métodos científicos de que dispomos actualmente. No entanto, o facto de não conseguirmos provar alguma coisa não significa só por si que ela não exista, tão só que não a conseguimos provar. Não podemos medir "cientificamente" o amor ou o ódio ou a compaixão ou a fé mas duvido que alguém possa pôr em causa o efeito desses estados de alma na nossa saúde ou bem estar. Descartes disse que "a ausência de prova não é prova de ausência", uma frase que nos pode ajudar a ter uma mente muito mais aberta e curiosa em relação aos fenómenos que podem parecer mais difíceis de entender.
Pessoalmente, estudo esta teoria há mais de 20 anos e estou profundamente convicto de que a vida é muito mais do que uma combinação de elementos químicos em diferentes proporções. Esta noção de "energia" pode ser o elo de ligação que nos falta para compreender muitos fenómenos aparentemente inexplicáveis.
Da mesma forma que tudo é "energia", os alimentos são e têm também uma energia, um "kiespecífico": podemos dizer que um alimento que nos faz sentir bem após é um alimento com um bom "ki"; e que um alimento que nos torna fracos tem um "ki" mais débil.Alimentos que são produzidos por métodos naturais, com exposição adequada a factores como o sol, a lua, água de boa qualidade, etc, têm um "ki" mais forte do que os mesmos alimentos produzidos duma forma artificial e mais rápida, por exemplo, mesmo se nutricionalmente eles aparentam ter os mesmos nutrientes.
Alimentos confeccionados num fogão a gás, eléctrico ou microondas têm uma energia diferente, e essa energia criará condições físicas e emocionais diferentes quando os alimentos se transformam no nosso corpo.
Assim, para além de podermos avaliar os alimentos segundo os seus nutrientes (obviamente um método útil e importante, mas não completo), podemos também considerar este aspecto menos material: a forma como esses alimentos nutrem o nosso "corpo vibracional".Para os orientais, absorvemos o carácter daquilo que comemos, pelo que um alimento "duro" cria "dureza", um alimento "mole" cria "flacidez". Um alimento "agressivo", cria "agressividade", um alimento "flexível" cria "flexibilidade", etc.
Em artigos próximos regressarei a este tema, escrevendo sobre como este "ki" nutre os nossos diferentes órgãos: fígado, coração, rins...
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[+] Francisco Varatojo - Aveline Tomoko Kushi
Aveline Tomoko Kushi
por Francisco Varatojo
Se já ouviu falar em arroz integral, shoyu, miso, futons, teatro noh e se aprecia a arte e a cultura orientais, assim como um modo de vida mais saudável, então provavelmente está em dívida para com Aveline Kushi, uma verdadeira pioneira do movimento de alimentos naturais e da macrobiótica.
Aveline Tomoko Kushi faleceu a 3 de Julho de 2001 e teve honras de obituário na revista Time e no Congresso Norte-Americano. O seu trabalho e o do marido, Michio Kushi, está exposto desde 1999 no Museu Smithsonian em Washington.
Eu fui privilegiado por ter vivido na sua casa em Boston, colaborado nas actividades da East West Foundation e Kushi Foundation e ter sido um dos responsáveis pela organização dos muitos seminários e cursos que Michio e Aveline Kushi deram em Portugal, um país de que gostavam em particular, nutrindo uma enorme paixão por Sintra, que visitavam sempre que podiam, e na realidade o único local do Mundo onde se dispunham a gastar um dia ou uma tarde a fazer turismo.
Aveline Kushi sempre me serviu como um exemplo de dignidade, graciosidade, determinação e compaixão, e era particularmente notável na forma como lidava com as crianças e como estava sempre disponível para ouvir e ajudar quem tinha problemas.
A 3ª filha numa família de 9 crianças, Aveline nasceu na perfeitura Izumo nas profundas montanhas do centro do Japão. Estudou Literatura e História na Universidade Feminina em Hamada e foi campeã de ginástica, uma actividade de que teve de abdicar com a Guerra do Pacífico.
Após o bombardeamento de Hiroshima adoeceu gravemente e teve uma enorme crise emocional, altura em que conheceu o filósofo e educador George Ohsawa, com quem passou a estudar macrobiótica e filosofia oriental.
Nos anos 50 decidiu dedicar a sua vida à causa da paz mundial e emigrou para os Estados Unidos para se casar com Michio Kushi, na altura um graduado de Direito Internacional na Universidade de Columbia, cujo sonho era a criação dum governo mundial, de forma a evitar uma 3ª Grande Guerra. Einstein, Thomas Mann, Upton Sinclair, Norman Cousins eram alguns dos principais protagonistas do movimento do Governo Mundial, que acabou por se transformar nas Organização das Nações Unidas.
Aveline iniciou em Nova Iorque em 1951 as primeiras actividades macrobióticas nos Estados Unidos que incluíram aulas de culinária, o restaurante Musabi e um campo de Verão em Long island e em Catskills.
Em 1960, os Kushis fundaram a primeira companhia de produtos naturais da América, a que deram o nome de Erewhon, em memória ao utópico livro de Samule Butler com o mesmo nome. A Erewhon cresceu tremendamente e Aveline foi a responsável pela introdução no mercado americano de alimentos nunca até aí conhecidos como arroz integral, millet, tofu, seitan, miso, cogumelos shitake, algas, chá 3 Anos, etc.
Numa busca incessante de qualidade e preocupada com o facto de as práticas de agricultura moderna deteriorarem seriamente a qualidade nutricional dos alimentos, Aveline Kushi reuniu-se com os agricultores da Califórnia e Arkansas e convenceu-os a cultivarem arroz produzido sem produtos químicos. Para tal, pagou-lhes antecipadamente as colheitas, independentemente do resultado e a um preço exorbitante.
Nos anos 70, promoveu o intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente divulgando a produção de futons (colchões tradicionais japoneses de algodão até então praticamente desconhecidos e actualmente um dos artigos que mais se vende nos Estados Unidos e Europa), teatro Noh, cerimónia do chá, aikido, caligrafia e muitas outras artes.
Foi instrumental nos estudos realizados sobre alimentação e doenças degenerativas, particularmente doenças cardiovasculares e cancro e ajudou a lançar as ideias de saúde natural, medicina alternativa e a revolução de saúde moderna.
Fundou as organizações sem fins lucrativos, East West Foundation, Kushi Institute e Kushi Foundation, escreveu numerosos livros de culinária, um livro para crianças e a sua autobiografia.
Aveline Kushi tinha também um sentido estético e artístico extraordinário e foi autora de desenhos e pinturas de uma enorme beleza, para além de ter ilustrado um bom número de livros editados pela Japan Publications e Warner Brothers.
Há 9 anos, foi-lhe diagnosticado uma cancro terminal no colo do útero e apesar de ter sido enviada para casa para morrer, continuou tanto quanto possível com as suas actividades normais e manteve até ao fim uma enorme lucidez e espírito de gratidão para com a vida.
Lembro-me de lhe telefonar durante os seus últimos meses de vida e de me dizer sempre o quão a vida era bela, para além de perguntar sempre acerca de todos aqueles que eram amigos comuns.
Aveline Kushi deixou 4 filhos e 13 netos, mas acima de tudo deixou um enorme sonho de Paz e Amor para toda a Humanidade.
Foi sem dúvida uma das mulheres que na era moderna mais contribui para a construção de um Mundo melhor.
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[+] Francisco Varatojo - Feng Shui
Feng Shui
por Francisco Varatojo
Feng Shui significa "vento" e "água" e a teoria que lhe está subjacente é de que todos os espaços têm uma vida, uma "energia" própria que influencia decisivamente os seus habitantes em todas os aspectos da vida.
Já alguma vez considerou que a disposição das mobílias na sua casa ou escritório, as cores das paredes, os materiais utilizados, a posição para onde dorme, a cadeira onde se senta para comer ou trabalhar, podem influenciar positiva ou adversamente todas as áreas da sua vida?
Pois bem, os especialistas de Feng Shui (pronuncia-se Fang Shué) dizem que sim e a confirmar os resultados estão empresas como a Body Shop, Aeroporto de Chicago, British Airways, ou o Hotel do Chiado em Lisboa (para além de muitas outras) que contrataram técnicos de Feng Shui para melhorar o ambiente de trabalho e aumentar a produtividade e bem estar.
O Feng Shui é uma arte originária da China, tem mais de 4000 anos e é usado em todo o Extremo Oriente, apesar de também existirem teorias semelhantes um pouco por todo o Mundo.
Feng Shui significa "vento" e "água" e a teoria que lhe está subjacente é de que todos os espaços têm uma vida, uma "energia" própria que influencia decisivamente os seus habitantes em todas os aspectos da vida. Da mesma forma que um acupunctor ou terapeuta de shiatsu detectam no corpo desequilíbrios energéticos específicos que são corrigidos através de agulhas ou da manipulação, um praticante de feng shui diagnostica os mesmo desequilíbrios num espaço e tenta corrigi-los através do uso apropriado de cores, objectos, disposição de mobília, podendo ir ao mais ínfimo pormenor de um qualquer espaço físico.
Ao estudar um espaço utiliza-se o chamado bagua (ver ilustração); o bagua representa os oito pontos cardeais, cada um deles relacionado com um aspecto específico das nossas vidas:
O norte, simbolizado por água, está relacionado com a carreira, sexualidade, espiritualidade.
O nordeste, simbolizado por solo branco, com individualidade, competitividade, introspecção.
Este, madeira verde, relaciona-se com iniciativa, recomeço e simboliza a força pura da Primavera.
Sudeste, madeira verde escura, está associado a comunicação, sorte, progresso harmonioso.
O sul, representa o fogo vermelho e simboliza a fama, reconhecimento público, visibilidade, paixão.
O sudoeste, solo negro, representa os relacionamentos, uma energia mais feminina e receptiva.
Oeste, metal vermelho, é associado a prazer, dinheiro, criatividade.
Noroeste, metal banco, representa a liderança, autoridade, organização, capacidade de planeamento.
O centro da casa, tem uma mistura de todas as energias e é associado à saúde ou ao bem estar geral.
Duma forma geral, cada uma das áreas da casa mencionadas deve possuir uma energia fluida e pulsante ou as áreas correspondente da vida podem ter problemas.
Também, conforme a energia correspondente, utilizam-se mobílias, materiais de construção ou cores compatíveis. Assim, é preferível ter um aquário a Norte (representado por Água) do que a Sul (Fogo). É melhor colocar objectos de metal a oeste ou nordeste (ambos representados por metal) do que a este ou sudeste (madeira). É muito mais benéfico utilizar a cor verde a este ou sudeste do que, por exemplo a sudoeste.
Considere por favor que estou a generalizar e que o processo de diagnóstico e correcção dos problemas pode ser bastante mais complexo.
Tipicamente, numa "consulta" de Feng Shui, o consultor reunir-se-á com o cliente, tentando saber quais são os objectivos pretendidos com a casa em questão e quais os problemas principais que nesse momento afectam a sua vida. De seguida, estudará cuidadosamente a casa (que pode ser um pequeno apartamento ou todo um arranha-céus) e elaborará um relatório sobre o que deve ser mudado e como devem essas mudanças ser efectuadas, de forma a atingir os objectivos pretendidos.
As alterações não são, na maioria dos casos, muito complicadas ou dispendiosas e tornarão o espaço muito mais funcional, acolhedor e esteticamente mais agradável.
Apesar existirem diferentes escolas de Feng Shui todas elas assentam nos mesmos princípios teóricos: movimentação da energia ki no espaço, teoria de yin e yang, teoria das 5 transformações chinesas e os oito trigramas.
No Feng Shui, a orientação da cama onde dormimos é considerada fundamental.Se a cabeça estiver virada para:
Norte - torna-nos muito mais sossegados e espirituais e é preferível para pessoas de mais idade.
Nordeste - é considerada a pior posição para dormir, criando um sono mais perturbado e irregular
Este - aumenta a criatividade e a ambição é a posição ideal para jovens.
Sudeste - melhora a comunicação e a capacidade de influenciar positivamente os outros
Sul - apesar de criar um carácter mais apaixonado, torna a pessoa mais excitável e não contribui para um sono profundo.
Sudoeste - o sudoeste está relacionado com melhores relacionamentos, mas considera-se que é preferível evitar o eixo nordeste-sudoeste para dormir.
Oeste - está relacionado com conforto e contentamento mas é preferível para pessoas cujas vidas já estejam estabelecidas.
Noroeste - relacionado com liderança, controle e autoridade, o noroeste contribui para um sono profundo e diz-se que é a posição ideal para pessoas num cargo de autoridade e para pais.
Dos imensos livros disponíveis em português sobre o Feng Shui, o mais bem estruturado e claro parece-me ser o "Feng Shui Prático" de Simon Brown, Círculo de Leitores.
Feng Shui em Acção - o que pode fazer em sua casa para melhorar o Feng Shui:
Coloque plantas verdes em casa - as plantas verdes enriquecem o ar em oxigénio e criam uma energia mais viva e activa.
Mantenha o espaço tão ordeiro como possível - evite acumulação de bugigangas e mobílias e certifique-se que pode caminhar facilmente por toda a casa, sem ter que andar sempre a desviar-se.
Não carregue o telemóvel no quarto de dormir - as ondas electromagnéticas emitidas pelos telemóveis criam uma energia ki mais caótica, o que deve de todo evitar no quarto de dormir.
De uma forma geral, não tenha as costas viradas para as portas - a posição é muito mais desconfortável e não nos sentimos protegidos.
Em casa e no escritório utilize materiais naturais - madeira, algodão, metal, vidro, etc., são de longe preferíveis a plástico ou tecidos sintéticos.
Dê preferência a mobílias com cantos arredondados - são esteticamente mais bonitas e têm uma energia mais pacífica.
Evite ficar sentado a um canto de uma mesa ou exposto a uma esquina de um móvel - as esquinas têm o nome de ki cortante e não nos deixam descontrair.
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[+] Francisco Varatojo - Feng Shui para quarto de crianças
Feng Shui para quarto de crianças
por Francisco Varatojo
Já alguma vez considerou que o quarto do seu filho pode influenciar a sua saúde, rendimento escolar, alegria, criatividade...?
Pois bem, os orientais pensam que sim. Segundo o Feng Shui (cujo significado literal é água e vento), uma arte com cerca de 4000 anos, o local onde vivemos e trabalhamos influencia a forma como nos sentimos e em grande parte condiciona a percepção que temos da vida em geral.
No Feng Shui (pronunciado Fang Shué) tomam-se em consideração aspectos como a forma da casa e das diferentes divisões, disposição e localização de portas e janelas, tipo de mobiliário utilizado, cores, etc. Para que nos sintamos bem numa casa ou escritório é necessário que a energia electromagnética ("ki" em japonês, "chi" em chinês") flua duma forma adequada - nem demasiado depressa, nem duma forma estagnada, para além de que essa mesma energia deve nutrir todas as áreas da casa, relacionadas com as diferentes actividades da nossa vida - relacionamentos, saúde, criatividade, carreira, reconhecimento social, bem estar económico, etc.
Assim, segundo o Feng Shui, é possível determinar a qualidade de vida de alguém, observando a sua residência e ou local de trabalho, e consequentemente efectuar mudanças que alterarão positivamente (ou negativamente se o estudo for mal realizado) as variadas facetas do nosso dia a dia. Na realidade, a maioria das alterações são bastante simples de realizar e pouco dispendiosas, conduzindo também a uma melhoria estética considerável.
Em países como os Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Austrália, esta arte está a ter uma grande procura quer por parte de indivíduos quer por grandes empresas. Body Shop, British Airways, Virgin Records, são algumas das companhias que utilizam o Feng Shui para aumentar a produtividade e melhorar as condições de trabalho dos seus funcionários.
Em Portugal, comecei a organizar seminários de Feng Shui há cerca de doze anos e nos últimos dois anos um número muito grande de arquitectos e "designers" começou a frequentar os nossos cursos e a aplicar duma forma prática, e com excelentes resultados, a matéria estudada. Tenho aplicado os seus princípios na minha vida diária e dado alguns conselhos a quem os solicita, podendo verificar em todos os casos uma melhoria significativa na qualidade de vida.
Neste artigo, proponho-lhe que estudemos de uma forma simples quartos de crianças; o local onde o(s) seu(s) filho(s) dorme(m) é vital para o bem estar e é possível através de pequenas alterações criar um ambiente confortável, seguro, calmo e divertido.
O desafio principal de um quarto para crianças é de criar algo que seja divertido durante o dia e conducente a um sono profundo e reparador durante a noite. Para que tal, seja possível tenha em consideração os seguintes aspectos:
Localização - Idealmente, os quartos das crianças deveriam estar localizados a nascente ou sudeste, de forma a absorverem a energia ascendente (e representativa do crescimento) do sol. Oeste (poente), é também uma boa direcção, em particular para crianças hiperactivas.
Iluminação - Luzes viradas para cima são as ideais, particularmente se colocadas nas paredes. Tanto quanto possível evite candeeiros em metal, que conduzem duma forma mais acentuada a energia electromagnética e a electricidade estática.
Mobília - Se possível com cores vivas e com os cantos arredondados. Os cantos, se mais redondos, criam uma atmosfera mais harmoniosa e além disso, evitam que as crianças se aleijem com tanta facilidade.
Tecidos - Não utilize lençóis ou fronhas de almofada em material sintético, apenas em algodão. Os cobertores devem também ser em materiais naturais. O colchão, se em algodão maciço, permite que o sono seja mais reparador e que a transpiração se dê uma forma adequada.
Janelas - Devem ter cortinados de algodão, de preferência de enrolar; assim podem ser levantados durante o dia, criando uma atmosfera mais activa e baixados durante a noite, para que a criança possa dormir melhor.
Cor das paredes - Tons de azul são particularmente bons; "nuances" de verde ou amarelo podem também ser utilizados.
Camas - Se houver mais do que uma criança no mesmo quarto, é importante que durmam com a cabeça virada para o mesmo lado; a cabeceira deve estar encostada a uma parede; as camas devem ser em madeira.
Não deixe as camas por fazer durante o dia e se possível não arrume tralha debaixo da cama; se o fizer certifique-se que regularmente põe tudo em ordem e se desfaz do que não é necessário
Soalho - Evite o mais possível o uso de alcatifas; soalho em madeira é o mais saudável e o mais fácil de limpar.
Armazenagem - Coloque uma quantas caixas (em madeira, se possível) no quarto, de forma a que a criança aí guarde todos os brinquedos antes de dormir. Assim, durante o dia os jogos estão sempre disponíveis e à noite deixam o quarto livre, para que o sono seja mais profundo (acalmando assim a energia ki).
Aspectos a evitar num quarto de crianças:
Material eléctrico e electrónico - é essencial que a criança não durma perto duma aparelhagem de som (a distância mínima é de 1 metro, melhor 1 metro e meio); as colunas de som contêm um íman que altera bastante o campo electromagnético (existem bastantes estudos que confirmam esta recomendação); o mesmo é verdade para relógios digitais e computadores - estes, mesmo desligados, criam um campo de electricidade estática nociva para a saúde; se houver um computador, televisão ou aparelhagem no quarto, o ideal é de os desligar na tomada, durante a noite.
O melhor é não ter qualquer forma de equipamento electrónico num quarto de criança.
Cabeceiras por baixo de janelas - não coloque a cabeceira da cama debaixo de uma janela, o que cria uma energia muito activa e pode dificultar o sono.
Portas abertas - durante a noite, feche a porta do quarto, assim como as cortinas, acalmando assim o fluxo de energia e favorecendo um sono profundo.
Mobílias pesadas - a mobília do quarto deve ser tão "leve" e simples quanto possível; artigos pesados tornam o quarto opressivo e dão a ideia de não haver suficiente espaço.
Espelhos - evite ao máximo o uso de espelhos nos quartos; diz-se que impedem que nos livremos das emoções antigas. Ao mesmo tempo amplificam grandemente as ondas electromagnéticas e a electricidade residual, não nos deixando acalmar.
Direcção da cama:
Em Feng Shui, a direcção para onde a nossa cabeça está virada durante o sono é de extrema importância; conforma a direcção em que se dorme absorve-se mais ou menos de determinadas ondas energéticas; também, enquanto é extremamente difícil nalguns casos escolher a localização de um quarto, temos sempre a possibilidade de escolher a direcção da cama.
Experimente virar a cama dos seus filhos (ou a sua) em diferentes direcções e analise a forma como se sentem.
Com a cabeça virada para Norte - é uma boa direcção para curar insónias, mas podemos ficar demasiado sossegados. É uma direcção preferível para pessoas idosas e transmite paz, tranquilidade e espiritualidade.
Com a cabeça virada para Nordeste - não é uma boa direcção para dormir; pode conduzir a pesadelos e tornar-nos demasiado violentos; pode ser utilizada durante um período de tempo curto para melhorar a motivação.
Com a cabeça virada para Este - a posição ideal para crianças. Faz-nos sentir que amanhã é um novo dia e que tudo de bom pode acontecer; boa direcção para desenvolvimento e crescimento.
Com a cabeça virada para Sudeste - ideal para melhorar a comunicação a criatividade e a vida social.
Com a cabeça virada para Sul - não é uma boa direcção para dormir, apesar de aumentar as sensações de paixão (o Sul representa o fogo, o calor, a paixão); esta direcção deve ser evitada em crianças muito activas e com argumentativas.
Com a cabeça virada para Sudoeste - conduz a relacionamentos mais pacíficos, mas pode tornar-nos (ou às crianças) demasiado cautelosos.
Com a cabeça virada para Oeste - Bom equilíbrio entre o sono e sensação geral de contentamento; pode no entanto conduzir à inércia e à preguiça; melhor para pessoas com uma vida mais bem estabelecida e regular.
Com a cabeça virada para Noroeste - produz um sono profundo e dá uma sensação de liderança e controle. É uma boa orientação para os pais e para pessoas que necessitam de exercer autoridade.
Dado o espaço limitado que tenho para escrever não é possível estudar em detalhe alguns dos pontos mencionados acima. Espero no entanto que com este artigo o quarto dos seus filhos, e o seu, se tornem mais acolhedores e conducentes a um melhor bem estar familiar.
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[+] Francisco Varatojo - História da Macrobiótica
História da Macrobiótica
por Francisco Varatojo
A palavra macrobiótica é relativamente bem conhecida em Portugal, mesmo se muitas vezes a interpretação do que esta é ou não é possa ser errónea. Para a vasta maioria das pessoas, a macrobiótica é um sistema alimentar, uma dieta restrita e pouco saborosa que pode ajudar a prevenir doenças ou, nalguns casos, tratá-las.
Na realidade, a macrobiótica é muito mais do que uma simples dieta, é uma filosofia e um estilo de vida que tem como objectivo último ajudar a criar seres humanos mais íntegros, saudáveis e responsáveis e consequentemente uma sociedade mais pacífica e espiritualizada.
A prática alimentar é de suma importância mas não o único factor desta filosofia e, apesar de relativamente simples nos seus princípios alimentares este regime é extraordinariamente versátil, saboroso e saudável.
Nesta série de artigos, tentarei fazer um resumo da história deste movimento ao longo dos tempos; por questões de espaço este resumo será manifestamente incompleto, mas tentarei mencionar as pessoas e factos que me parecem ser mais relevantes.
De filósofos gregos a escritores, historiadores e cientistas muitas pessoas no decurso da história humana professaram princípios quer filosóficos quer alimentares ou de saúde, semelhantes aqueles que actualmente chamamos de macrobiótica.
No entanto, nos tempos modernos a palavra parece ter sido cunhada no séc. XVIII por um médico alemão chamado Christopher Von Hufeland. Von Hufeland foi o médico pessoal de Goethe e em 1796 escreveu o livro "Macrobiótica ou a Arte de Prolongar a Vida Humana". Para este médico, que praticou na altura em que viveu uma forma invulgar de medicina, o segredo para uma vida saudável e longa era a cultivação apropriada da "Força da Vida" e existem inúmeros paralelos entre as recomendações de Von Hufeland e as recomendações macrobióticas dos tempos modernos.
Um século antes no Japão, Ekken Kaibara (1630-1716), um ávido estudioso da natureza e dos princípios éticos e socais escreveu o livro Yojokun, traduzido com o nome Segredos Japoneses para uma Boa Saúde ; para Kaibara a saúde e a felicidade, tal como a doença e a infelicidade são a criação de cada um e algumas das suas muitas observações incluem: "Cada um tem a vida nas suas mãos", "A doença nunca surge sem razão" ou "As calamidades advém daquilo que dizemos e a doença daquilo que colocamos na boca".
Kaibara foi não apenas um filósofo mas alguém que verdadeiramente praticou aquilo que ensinou: aos 83 anos ainda tinha todos os dentes e conseguia ler e escrever perfeitamente, sem o uso de óculos.
A macrobiótica na sua vertente moderna, inicia-se no entanto no séc. XIX com um médico japonês, Sagen Ishizuka (1850-1910). Ishizuka foi treinado segundo os melhores princípios médicos da Europa e exerceu medicina como médico do exército até ter contraído uma doença renal incurável. Começou a estudar os clássicos de medicina oriental e curou-se rapidamente mudando de alimentação.
A partir daí começou a fazer experiências consigo mesmo e chegou à conclusão que a alimentação era a causa principal de todas as doenças e de todos os problemas humanos particularmente, segundo ele, o desequilíbrio entre sódio (Na) e potássio (K) no regime alimentar. Ishizuka falava 4 ou 5 idiomas diferentes, estudou exaustivamente quase todas as áreas do conhecimento humano e foi famosíssimo no Japão.
O legado de Sagen Ishizuka é verdadeiramente extraordinário, para alguém que viveu na sua era: conseguiu questionar com sucesso os princípios da medicina alopática e nutrição modernas; criou um sistema eficaz para a edificação de seres humanos mais sãos, sistema esse que era acima de tudo alimentado por um sonho de um mundo de paz.
Ishizuka foi o criador da primeira organização macrobiótica mundial a que deu o nome de Shoku-Yo Kai.
George Ohsawa (1893-1966), de seu verdadeiro nome Yukikazu Sakurazawa, foi a pessoa que assumiu a direcção da Shoku-Yo Kai uns quantos anos após a morte de Ishizuka Sagen e que, mais do que qualquer outro, contribuiu para a expansão da Macrobiótica no Japão, Europa e América.
Ohsawa foi um pensador original, um escritor incansável, orador e activista social e foi ele que, após Von Hufeland, voltou a utilizar o nome macrobiótica quando em 1929 decidiu vir viver para a Europa, com o fim único de tornar a macrobiótica conhecida no Ocidente, particularmente pelos grandes intelectuais da época, de quem ele era um ávido leitor e admirador.
Dotado de um carisma inigualável, George Ohsawa deu milhares de conferências na Europa, particularmente na França e em Bélgica e reuniu um bom número de discípulos como Michio e Aveline Kushi, Herman e Cornelia Aihara, Tomio e Bernardete Kikuchi, Françoise Riviére, Shizuko Yamamoto e muitos outros que, um pouco por todo o Mundo, continuaram o seu trabalho até agora.
Ohsawa foi um verdadeiro activista político que escreveu cartas a quase todas as pessoas mais influentes no Mundo da época como Truman, Einstein ou Estaline, encontrou-se com Albert Schweitzer, médico e prémio Nobel da Paz, no Congo Belga, fez experiências com transmutações químicas e, na minha opinião, contribuiu grandemente para muitas das ideias sobre saúde natural, ecologia e ambiente, equilíbrio social, que hoje aceitamos de mão beijada.
No próximo artigo, continuarei a escrever sobre Ohsawa, Kushi e o desenvolvimento da Macrobiótica até aos dias de hoje.
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[+] Francisco Varatojo - História da Macrobiótica - 2ª parte
História da Macrobiótica - 2ª parte
por Francisco Varatojo
George Ohsawa morreu no Japão em 1966, após uma vida vivida com uma determinação e coragem extraordinárias.
Depois da sua morte, o movimento macrobiótico continuou a expandir-se um pouco por todo o Mundo, liderado pelos seus discípulos mais directos:
Michio e Aveline Kushi, Herman e Cornelia Aihara, Shizuko Yamamoto e Noboru Muramoto nos Estados Unidos, Françoise Riviére e René Levy em França, Clim Yoshimi na Bélgica, Eb Nakamura e Augustine Kawano na Alemanha, Ilse Clausnitzer na Suécia, Tomio e Bernadette Kikuchi no Brasil, Hideo Ohmori, Okada, Lima Ohsawa, no Japão, citando apenas os mais importantes.
Em Portugal, o movimento macrobiótico só começa por volta de 1975 por intermédio de José Galamba, Abel Trancoso e outros, e tanto quanto me é possível lembrar a primeira palestra sobre macrobiótica em Lisboa foi proferida pelo médico espanhol Dr.Vicente Ser, também ele um discípulo de George Ohsawa.
De entre todos os discípulos de Ohsawa, Michio Kushi foi aquele que indubitavelmente mais difundiu o movimento em todo o Mundo, pelo que começarei este artigo, relatando, seguramente de forma incompleta, o seu trajecto e contributo para o movimento macrobiótico e para a sociedade em geral.
Michio Kushi nasceu no Japão em 1926 e movido por o sonho de um Mundo de Paz, particularmente após testemunhar a destruição causada pela 2ª Guerra Mundial, decidiu formar-se em Direito Internacional com o intuito de ajudar a estabelecer as bases para a criação de um governo mundial, movimento que surgiu após a guerra e que tinha proponentes como Albert Einstein, Thomas Mann, Upton Sinclair, entre muitos outros.
Kushi conheceu Ohsawa em Tóquio em 1948 e desde o primeiro encontro que surgiu uma enorme empatia entre os dois. Kushi tinha apenas 22 anos, não compreendeu muito bem as ideias de Ohsawa mas houve algo na sua personalidade que o atraiu enormemente.
Em 1949, Michio Kushi parte para S. Francisco nos Estados Unidos, com o apoio de Ohsawa, Norman Cousins (um diplomata americano), Professor Shigeru Nanbara e do Reverendo Toyohiko Kagawa, com o intuito de se doutorar em Direito Internacional e com a intenção vaga de difundir a Macrobiótica e os ensinamentos de Ohsawa.
Quando nos Estados Unidos, termina os seus estudos e começa a sentir-se frustrado com a incapacidade da ciência política para criar um mundo de paz e pouco a pouco os ensinamentos de Ohsawa começam a fazer sentido - para Ohsawa a paz podia ser criada através da aplicação do monismo dialéctico à alimentação.
Em 1951, Aveline Kushi vai para os Estados Unidos e casam-se, começando os dois a trabalhar em prol do desenvolvimento da Macrobiótica.
Em 1952, Herman Aihara parte também do Japão para a América, e os Kushis começam a trabalhar com os Aihara em Nova Iorque. Herman casa com Cornelia em 1955 e os dois casais passam a ser os principais dinamizadores na Costa Leste dos Estados Unidos.
Em 1961, os Aihara decidem mudar-se para a Califórnia onde começam um centro macrobiótico, e em 1964 os Kushi, cada vez mais insatisfeitos com a cidade de Nova Iorque decidem mudar-se para Boston, Massachussets.
Em Boston, os Kushi dedicam-se exclusivamente às actividades macrobióticas e fundam a East West Foundation , o restaurante Sanae , a primeira empresa de produtos naturais na América, Erewhon, a revista East West Journal e a distribuidora de livros Tao Books.
Os finais dos anos 60 e o inicio dos anos 70 são um período de enorme crescimento para o movimento macrobiótico e de produtos naturais nos Estados Unidos e centenas de estudantes vindos de toda a América juntam-se aos Kushi, criando as bases para uma autêntica revolução no modo de vida americano.
Em 1977 é fundado o Instituto Kushi de Boston, um ano depois do Instituto Kushi de Londres (iniciado por Bill Tara), que começa a atrair também estudantes estrangeiros, entre os quais eu, onde cheguei em Fevereiro de 1979.
As principal diferença entre Kushi e Ohsawa é que Kushi tentou traduzir para a cultura ocidental a, às vezes intraduzível, cultura oriental.
Também, Kushi influenciou decisivamente os muitos estudos posteriormente realizados sobre alimentação e saúde e contribuiu enormemente para a difusão de produtos naturais em todos os Estados Unidos e Europa.
Como reconhecimento do seu trabalho em prol da saúde e paz, o governo americano tem uma exposição sua no Smithsonian Institute em Washington e Kushi foi também convidado por Bill Clinton para criar directrizes alimentares para o povo americano.
Muito mais poderia escrever neste artigo, mas por limitações de espaço terei que terminar aqui. Continuarei a escrever sobre este tema nos próximos números.
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[+] Francisco Varatojo - Macrobiótica
Macrobiótica
por Francisco Varatojo
Neste artigo tentarei elucidar os leitores sobre o que são a alimentação e o estilo de vida macrobióticos, uma vez que me parece haver uma certa confusão por parte do público em geral sobre que é e o que não é este modo de vida. Leio com alguma frequência, críticas à prática alimentar macrobiótica, que não têm muitas das vezes qualquer fundamento dum ponto de vista nutricional, por mero desconhecimento técnico por parte de quem escreve a crítica.
Existe também a ideia de que a Macrobiótica e o vegetarianismo se regem pelos mesmos princípios, o que também não é verdade - o regime macrobiótico sendo predominantemente de origem vegetal, não é necessariamente um regime vegetariano; o uso de produtos animais (preferivelmente peixe) é aceitável e nalguns casos necessário dependente de factores como o clima, grau de actividade física, antecedentes biológicos e outros.
A Macrobiótica não é exclusivamente uma dieta, um regime, mas sim um estilo de vida que tem como objectivo último ajudar-nos a desenvolver o nosso potencial humano, ao seguirmos as leis da natureza dum ponto de vista biológico (através da alimentação), ecológico (fazendo escolhas diárias que contribuem para uma melhor qualidade de vida ambiental), social e espiritual (tratando os outros com amor e compaixão e assumindo a nossa responsabilidade como um pequeno elo numa vasta cadeia de seres e fenómenos).
A origem da palavra é grega, "macro" - grande - e "bio" - vida e não significa apenas "grande vida" mas também a capacidade de vivermos a vida duma forma grandiosa e magnífica. A esse nível, a alimentação é importante, essencial, porque nos dá a base biológica, a saúde para gozarmos a vida em todo o seu esplendor e para termos sensibilidade para com o meio que nos rodeia. Nós somos literalmente o que comemos, os alimentos criam o nosso sangue que vai nutrir as células, os órgãos, o cérebro. Sem alimentos a vida não é possível.
A palavra Macrobiótica foi utilizada por filósofos gregos como Hipócrates e na era moderna primeiro no séc. XVIII por um professor de medicina alemão, médico pessoal de Goethe, chamado Christoph Von Hufeland que escreveu o livro "Macrobiótica, ou a Arte de prolongar a Vida" onde prescreveu recomendações muito semelhantes às da "macrobiótica moderna". Nos finais do séc. XIX, um médico do exército japonês, Sagen Ishisuka, que se curou duma doença de rins intratável pela medicina moderna, adoptando um regime alimentar baseado em cereais integrais e vegetais, fundou a primeira organização macrobiótica denominada na altura Sokuiokai e foi extremamente famoso no Japão nos finais do séc. XIX e início do séc. XX.
Para Ishizuka todos os problemas de saúde e sociais tinham como origem uma má nutrição, particularmente um desequilíbrio entre sódio e potássio nos alimentos e, para ele, todos os problemas podiam ser corrigidos adoptando uma prática alimentar de acordo com a constituição biológica humana, em especial a utilização de cereais integrais e vegetais como alimentos principais.
O trabalho de Ishizuka foi continuado e desenvolvido por George Ohsawa que nos anos 30 trouxe os seus ensinamentos para a Europa, em especial para a França e Bélgica; Ohsawa escreveu dezenas de livros e foi relativamente conhecido em França, mas duma forma geral, o que se conhece mais da abordagem de George Ohsawa é uma prática alimentar macrobiótica extremamente restritiva que não se adapta bem (na minha opinião) à vida moderna. Isto, apesar de Ohsawa ter uma concepção extremamente alargada do regime macrobiótico, recomendando desde dietas muito simples, monodietas, até regimes com uma quantidade aceitável de produtos animais e pequena quantidade de bebidas alcoólicas.
Ohsawa prescrevia segundo a condição individual - para ele, praticar macrobiótica era comer segundo as necessidades em constante mutação de cada um - para algumas pessoas jejuar é a terapia, para outros comer bastante variedade e divertir-se é a solução mais indicada. No entanto, na prática diária, os cereais integrais e os vegetais continuam a ser os alimentos mais adaptados à espécie humana, e consequentemente aqueles que mais ajudam a criar e a manter a saúde.
Os ensinamentos de George Ohsawa foram na geração seguinte disseminados pelos seus discípulos orientais particularmente Michio e Aveline Kushi, Herman e Cornelia Aihara, Tomio e Bernardete Kikuchi, Shizuko Yamamoto, Clim Yoshimi, entre outros e na geração actual especialmente por estudiosos europeus e americanos. Michio Kushi, residente nos Estados Unidos desenvolveu um modelo alimentar mais simples de compreender e mais adaptado à vida moderna denominado "Alimentação Macrobiótica Padrão" (Standard Macrobiotic Diet), o modelo alimentar mais utilizado pela maioria dos praticantes macrobióticos modernos.
Nas linhas que me restam para concluir este artigo, vou tentar identificar aqueles que me aparecem ser os aspectos mais importantes da alimentação e estilo de vida macrobióticos.
Devemos comer segundo as nossas características biológicas - o Homem é por natureza um ser designado para comer maioritariamente alimentos de origem vegetal, em particular cereais e vegetais, apesar de ter a capacidade para ingerir de tudo.
A alimentação deve reflectir o enquadramento geográfico e climático pelo se deve adaptar aos diferentes climas e habitats; deve também ser tradicional, ou seja devemos escolher um estilo alimentar que venha a ser seguido há séculos (os cereais, os vegetais e as leguminosas foram a base alimentar da espécie humana durante milhares de anos e só recentemente esses hábitos foram alterados).
A noção de bipolaridade, ou a teoria de "yin" e "yang" é uma parte essencial deste estilo de vida - a ideia de que todos os fenómenos, alimentos incluídos, têm qualidades energéticas, metafísicas e de que a harmonia relativa é conseguida quando "equilibramos" estes dois pólos, yin e yang, nas nossas vidas.
Temos o livre arbítrio para escolhermos comer e viver como quisermos, mas há uma responsabilidade inerente a cada uma das escolhas que fazemos; não existem alimentos proibidos mas existe um critério a partir do qual podemos escolher duma forma mais responsável e consciente.
Essencialmente, na prática da Macrobiótica, a saúde e a felicidade começam em cada um de nós, e as nossas vidas são em grande parte, um reflexo das nossas escolhas e prioridades.
Espero que com este artigo passe a ter uma ideia mais alargada e mais acertada do que significa praticar macrobiótica; oportunamente escreverei sobre os aspectos mais técnicos e nutricionais desta prática alimentar.
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[+] Francisco Varatojo - Macrobiótica - Sabedoria Tradicional para o Novo Milénio
Macrobiótica - Sabedoria Tradicional para o Novo Milénio
por Francisco Varatojo
Vida Saudável - Ainda é Possível
A vida moderna significa para a maioria de nós que é cada vez um desafio maior mantermo-nos saudáveis. Felizmente que isso é possível. Apesar de problemas como a poluição ambiental, stress e decrescente qualidade dos alimentos não desaparecerem de um momento para o outro, ainda assim existem muitas escolhas positivas que podemos fazer. Apesar de tudo, a forma como escolhemos viver é da nossa responsabilidade. As decisões mais importantes que tomamos são aquelas que podem melhorar o nosso bem estar a todos os níveis.
A Filosofia e Estilo de Vida Macrobióticos oferecem uma abordagem única à transformação pessoal. A prática Macrobiótica pode melhorar a nossa energia, vitalidade e flexibilidade assim como o nosso bem estar mental e criatividade. Também realçam as nossas capacidades intuitivas, instintivas e intelectuais e abrem-nos para níveis mais elevados de crescimento espiritual.
A Macrobiótica oferece-nos uma forma de experimentar a ligação entre todos os fenómenos da Natureza, é uma visão as Natureza guiada pelas leis da ordem e do movimento que afecta todos os aspectos da vida.
A Alimentação tem uma influência poderosa no nosso bem estar físico, mental e espiritual. Para a maioria de nós tentar descobrir o que significa alimentarmo-nos de uma forma saudável pode ser bastante confuso. É aqui que a abordagem macrobiótica pode ser uma valiosa ajuda. A Macrobiótica considera a qualidade energética dos alimentos e utiliza a polaridade de expansão e contracção - yin e yang, para criar equilíbrio. Os cereais integrais são o alimento principal na macrobiótica, que também inclui uma grande variedade de vegetais e alimentos complementares como leguminosas, algas, oleaginosas, sementes, frutos e alguns alimentos de origem animal. Idealmente os alimentos são de origem orgânica, frescos, sazonais e da mesma área geográfica. A arte única que é a culinária macrobiótica cria refeições deliciosas, adaptadas às necessidades individuais.
Informação
Este artigo foi produzido pelos membros da IMA (Associação Macrobiótica Internacional, fundada em 1978). Os seus membros são representantes experientes de projectos educacionais e comunitários, lojas e restaurantes de produtos alimentares, casas de hóspedes e empresas de produção de alimentos. O objectivo da Associação é de tornar a Macrobiótica mais acessível ao público em geral. Para mais informação contacte por favor o seu centro, loja ou associação.
"A Felicidade é a realização interminável do nosso sonho infinito."
George Ohsawa -
[+] Francisco Varatojo - Manter a Saúde
Manter a Saúde
por Francisco Varatojo
Manter um estado de boa saúde deve ser uma prioridade para todos nós; a saúde é um dos nossos bens mais preciosos, algo que infelizmente a maioria das pessoas só compreende quando se vê a braços com uma qualquer doença.
Quando somos saudáveis encaramos a vida com mais coragem, estamos mais disponíveis para os outros, somos mais sensíveis ao meio que nos rodeia. Se bem que algumas pessoas possam herdar determinados problemas constitucionais que não lhe permitem usufruir de uma vida relativamente saudável, mantermo-nos em boa forma e mesmo recuperar de problemas de saúde mais ou menos graves não é na maioria dos casos particularmente difícil.
Na realidade, o nosso corpo tem a sabedoria para se tentar manter sempre funcional, criando mecanismos de defesa e de adaptação constantes; sem a capacidade de adaptação adquirida ao longo de milhões de anos de evolução morreríamos literalmente com o ar que respiramos, a água que bebemos ou os alimentos que ingerimos; enlouqueceríamos com a quantidade de informação a que o nosso sistema nervoso está continuamente exposto. No entanto, a maioria das pessoas consegue viver razoavelmente bem e adaptar-se a imensas condições adversas, porque o organismo tende sempre a criar equilíbrio e harmonia.
Neste artigo propus-me escrever sobre aqueles que penso serem os factores mais importantes na manutenção e recuperação da saúde, factores esses que são bastante simples e baseados no bom senso. Acredito sinceramente que para sermos saudáveis não necessitamos de nenhuns estudos especializados nem de seguir quaisquer teorias complicadas. A saúde surge quando seguimos as leis da natureza e a doença quando as violamos, consciente ou inconscientemente.
Assim, os aspectos que considero mais essenciais na criação de uma vida vital e gratificante são:
1. Auto-reflexão
2. Alimentação adequada
3. Estilo de vida natural e actividade física regular
A auto-reflexão é provavelmente a actividade mais importante nas nossas vidas e algo que devemos fazer com regularidade; reflectirmos profundamente sobre as nossas vidas coloca-nos em contacto com os nossos valores prioritários e ajuda-nos a tomar uma direcção mais positiva na vida. Aprendermos a assumir a responsabilidade dos nossos actos e a colocar o leme da nossa vida nas nossas mãos é fundamental para nos sentirmos bem connosco mesmo e para realizarmos que temos o poder de transformação necessário para viver melhor.
Assumir a responsabilidade pela nossa saúde e bem estar pode ser difícil mas é a única forma real de nos curarmos verdadeiramente. Isto não significa que não possamos obter ajuda de técnicos mais ou menos especializados mas o que realmente conta é aquilo que fazemos no dia a dia com as nossas vidas.
Como exercício de auto-reflexão, sugiro-lhe que use pelo menos meia hora do seu dia, preferivelmente uma hora, para reflectir sobre a direcção que está a tomar em todas as esferas da sua existência. Analise aquilo a que dá mesmo valor e de que forma é que pode melhorar as diferentes áreas da sua vida: biológica, emocional, social, espiritual.
Sobre alimentação adequada tenho escrito imensos artigos e seguramente que o leitor tem a noção de que as escolhas alimentares são determinantes para a saúde. Para não me alongar demasiado num tema sobre o qual escreverei muito mais vezes sugiro-lhe que comece a escolher alimentos mais naturais para as suas refeições diárias, nomeadamente cereais integrais, vegetais da estação, leguminosas, sementes e oleaginosas, frutos, entre outros. Evite ou minimize o uso de açúcar, produtos químicos, carne vermelha, produtos lácteos.
A maioria dos mais recentes estudos de nutrição aconselha uma alimentação predominantemente de origem vegetal como sendo a mais saudável não só para a saúde humana como também para a saúde ambiental.
No que toca ao estilo de vida e actividade física as sugestões são: em casa utilize tanto quanto possível materiais naturais e ornamente o lar com plantas verdes; evite o uso excessivo de material electrónico e eléctrico, em particular no quarto de dormir. Em contacto directo com a pele vista apenas roupa de algodão, evitando especialmente o uso de tecidos sintéticos; dê preferência a cosméticos naturais. Pratique actividade física regular, pelo menos meia hora seguida a andar todos os dias; a actividade física melhora a circulação sanguínea e linfática e ajuda o organismo a desintoxicar mais facilmente.
As três sugestões apresentadas são importantes e contribuem para uma melhor saúde, e nos mais de vinte anos a que me dedico a estudar e a ensinar os princípios de uma vida mais de acordo com as leis naturais, tive a oportunidade de verificar em mim mesmo e em muitas outras pessoas a validade destas recomendações. Quando usamos a nossa mente e emoções de uma forma mais positiva, escolhemos uma alimentação mais saudável e praticamos actividade física, rapidamente a vitalidade aumenta, o discernimento fica mais claro e ficamos mais alerta em relação à vida.
Proponho-lhe que faça você mesmo a experiência.
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[+] Francisco Varatojo - Realidades
Realidades
por Francisco Varatojo
A Alimentação dos americanos teve uma alteração significativa desde 1900. Até então, a maioria das refeições eram baseadas em cereais, batatas, vegetais frescos e frutos - com um consumo ocasional de carne. Nos últimos anos substituímos estes hábitos alimentares, ricos em hidratos de carbono complexos e fibra e pobres em gordura e colesterol, por uma alimentação com um alto teor de gordura saturada e com pouca fibra - uma alimentação baseada em carne, lacticínios e outros produtos animais.
Em 1980, o consumo de cereais e vegetais caiu para níveis inferiores a 50% do que eram em 1900, enquanto que a quantidade de gordura na alimentação americana aumentou para mais do dobro. Mudanças alimentares tão drásticas não se podem dar sem que hajam consequências sérias - não só na saúde pública, como também na economia e no ambiente...
- Alimento sagrado dos Americanos Nativos: Milho
- Quantidade de milho cultivado nos E.U. para consumo humano: 20%
- Quantidade de milho cultivado nos E.U. para alimentação de gado: 80%
- Quantidade de aveia cultivada nos E.U. para alimentação de gado: 95%
- Quantidade de proteína desperdiçada ao converter cereais em alimentação de gado: 90%
- Quantidade de hidratos de carbono desperdiçados ao converter cereais em alimentação de gado: 99%
- Quantidade de fibra desperdiçada ao converter cereais em alimentação de gado: 100%
- Com que frequência é que morre uma criança como resultado de uma alimentação deficiente: Cada 2.3 segundos.
- Quantidade de batatas que podem ser produzidas em 0.5 ha de terra : 10,000 quilos.
- Carne de vaca que pode ser produzida em 0.5 ha de terra : 83 quilos.
- Percentagem de terra para agricultura que é utilizada nos E.U. para produzir carne de vaca: 56%
- Quantidade de cereais e feijão soja necessários para produzir 0.5 quilos de carne de vaca: 8 quilos.
- Quantidade de proteína dada aos frangos para poder produzir 0.5 quilos de carne de frango: 2,5 quilos.
- Quantidade de proteína dada aos porcos para poder produzir 0.5 quilos de carne de porco: 2,5 quilos.
- Número de crianças que todos os dias morrem de subnutrição: 38,000
- Número de vegetarianos que podem ser alimentados com a quantidade de terra necessária para alimentar 1 pessoa consumidora regular de carne: 20
- Número de pessoas que morrerá este ano como resultado de uma subnutrição: 20,000,000
- Número de pessoas que poderia ser adequadamente alimentado com a terra, água , energia, cereais e feijão soja necessários para alimentar o gado americano se os Americanos reduzissem em 10% o consumo de carne: 60,000,000
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- Causa histórica da queda de grandes civilizações: Erosão dos solos.
- Solo superficial até agora perdido nos E.U.: 75%
- Quantidade de terra agrícola perdida todos os anos devido à erosão dos solos: 2,000,000 de hectares, a área do Estado de Connecticut, E.U.A.
- Quantidade de terra agrícola perdida devido à produção de gado: 85%
- Hectares de floresta americana destruídos para produzir uma alimentação baseada em produtos animais: 130,000,000
- A frequência com que desaparece 0,5 ha de árvores americanas: De 5 em 5 segundos.
- Quantidade de árvores poupadas quando uma pessoa faz a transição para uma alimentação totalmente vegetariana: 0.5 ha
- Razão principal para a destruição das florestas tropicais: O hábito americano de consumir carne.
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- Quantidade de carne importada anualmente pelos E.U. oriunda da América do Sul e Central: 150,000,000 de quilos.
- Percentagem de crianças da América Central com menos de cinco anos que estão subnutridas: 75%
- Razão actual de extinção de espécies devido à destruição de florestas tropicais e habitats relacionados: 1,000 por ano.
- Razão principal para a intervenção militar americana no Golfo Persa: Dependência do petróleo estrangeiro.
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- Número de escolas médicas americanas: 125
- Número de escolas médicas americanas que têm uma disciplina obrigatória de nutrição: 30
- Horas de nutrição recebidas pelo médico médio americano durante 4 anos de escola médica: 2,5 horas
- Causa principal de morte nos E.U.: Doenças cardiovasculares.
- Frequência com que um ataque cardíaco mata nos E.U: De 45 em 45 segundos.
- Risco de morte por ataque cardíaco para um homem americano médio: 50%
- Risco de morte por ataque cardíaco para um homem americano que não consome carne: 15%
- Risco morte por ataque cardíaco para um homem americano que não consome carne, produtos lácteos ou ovos: 4%
- Redução de risco de ataque cardíaco se reduzir em 10% o consumo de carne, produtos lácteos e ovos: 9%
- Redução de risco de ataque cardíaco se reduzir em 50% o consumo de carne, produtos lácteos e ovos: 45%
- Redução de risco de ataque cardíaco se reduzir em 100% o consumo de carne, produtos lácteos e ovos: 90%
- Aumento no nível de colesterol se consumir 1 ovo por dia: 12%
- Aumento do risco de ataque cardíaco devido a um aumento de 12% no nível de colesterol: 24%
- Nível médio de colesterol em pessoas que comem uma alimentação baseada em carne: 210 mg/dl
- Hipótese de morrer de doença cardiovascular se for homem e se o seu nível de colesterol for superior a 210 mg/dl: Mais do que 50%
- Fontes principais de gordura saturada e colesterol na alimentação americana: Carne, produtos lácteos e ovos.
- Colesterol existente em todos os cereais, leguminosas, vegetais, frutos, oleaginosas, sementes: Nenhum
- Hipótese de morrer de doenças cardiovasculares se não consumir colesterol: 4%
- Países do mundo com um consumo elevado de carne que não tem níveis igualmente elevados de cancro no cólon: Nenhum
- Países do mundo com um consumo reduzido de carne que não tem níveis igualmente reduzidos de cancro no cólon: Nenhum
- Aumento de risco de cancro no seio em mulheres que comem ovos diariamente em comparação com aquelas que os consomem menos de 1 vez por semana: 2,8 vezes mais elevado.
- Aumento de risco de cancro no seio em mulheres que comem carne diariamente em comparação com aquelas que os consomem menos de 1 vez por semana: 3,8 vezes mais elevado.
- Aumento de risco de cancro mortal nos ovários em mulheres que comem ovos 3 ou mais dias por semana em comparação com aquelas que os consomem menos de 1 vez por semana: 3 vezes mais elevado.
- Slogan original da campanha dos Produtores de Leite: "Todas as Pessoas Necessitam de Leite"
- Como considerou a "Federal Trade Comission" o slogan "Todas as Pessoas Necessitam de Leite": Falso, enganador e ilusório.
- Slogan revisto pela campanha dos Produtores de Leite: "O Leite tem qualquer coisa para toda a gente."
- Aumento de risco de cancro no seio em mulheres que consomem carne, produtos lácteos e ovos diariamente em comparação com aquelas que consomem estes produtos ocasionalmente: 3,2 vezes mais elevado.
- Aumento de risco de cancro mortal na próstata em homens que consomem carne, produtos lácteos e ovos diariamente em comparação com aqueles que consomem estes produtos ocasionalmente: 3,6 vezes mais elevado.
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- Quantidade de calorias diárias originárias de proteína segundo a Organização Mundial de Saúde: 4,5%
- Quantidade de calorias diárias originárias de proteína segundo o "Food and Nutririon Board" do Departamento de Agricultura Norte Americano: 6%
- Quantidade de calorias diárias originárias de proteína segundo o "National Research Council": 4,5%
- Quantidade de calorias sob a forma de proteína no leite humano: 5%
- Quantidade de calorias sob a forma de proteína no arroz: 8%
- Quantidade de calorias sob a forma de proteína no trigo: 17%
- Quantidade de calorias sob a forma de proteína nos brócolos: 45%
- Nome da doença associada a um consumo insuficiente de proteínas: Kwashiorkor
- Número de casos de kwashiorkor nos Estados Unidos: Nenhum
- Doenças associadas a um consumo excessivo de proteína animal: Osteoporose e insuficiência renal.
- Número de casos de osteoporose e insuficiência renal nos Estados Unidos: Dezenas de milhões.
- O decréscimo médio de densidade óssea em mulheres de 65 anos que comem carne: 35%
- O decréscimo médio de densidade óssea em mulheres de 65 anos que são vegetarianas: 18%
- Nome da pessoa que popularizou o conceito de que os vegetarianos necessitam de combinar as proteínas: Frances Moore Lappé
- Resultado da actualização da pesquisa de Frances Moore Lappé em pessoas com uma alimentação vegetariana variada e saudável: A combinação de proteínas é desnecessária.
- Estado de saúde de muitos povos do Mundo com uma alimentação vegetariana, segundo o "Food and Nutrition Board" da Academia Nacional de Ciências: Excelente.
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- Reivindicação dos anúncios da "Associação Americana dos Produtores de Carne": A carne actual tem um baixo teor de gordura.
- Os seus anúncios publicitários apresentam doses com 200 calorias.
- Realidade: As doses de carne de vaca apresentadas têm metade do tamanho de uma dose média e a gordura foi cirurgicamente removida com um bisturi.
- A indústria de lacticínios reivindica: O leite completo tem 3,5% de gordura.
- Realidade: Os 3,5% são baseados no peso e a maioria do peso do leite é água; a quantidade de calorias derivadas de gordura no leite completo é de 50%.
- A indústria de lacticínios reivindica: O leite é o alimento mais perfeito que a Natureza criou.
- Realidade: O leite é o alimento mais perfeito da Natureza para um bezerro, que tem quatro estômagos, duplica de peso em 47 dias e pode atingir 500 quilos de peso num ano.
- A indústria de lacticínios reivindica: Para crescer forte, beba muito leite.
- Realidade: O enzima necessário para a digestão do leite é a lactase. 20% dos Caucasianos e cerca de 90% dos Negros e Asiáticos não possuem lactase nos intestinos, o que faz que quando bebam leite tenham cólicas, inchaço e diarreia.
- As indústrias produtoras de gado e ovos dizem-nos: "Os produtos animais constituem 2 dos 4 grupos alimentares básicos."
- Realidade: Havia originalmente 12 "grupos alimentares básicos" antes destas indústrias fazerem uma enorme pressão política a favor destes produtos.
- As indústrias produtoras de gado, lacticínios e ovos dizem-nos: Ficamos bem alimentados só com produtos animais.
- Realidade: As doenças que podem comummente ser evitadas, melhoradas e nalguns casos curadas com um alimentação com baixo teor de gordura, sem produtos animais, incluem:
Tromboses
- Doenças cardíacas
- Osteoporose
- Cálculos renais
- Cancro no seio
- Cancro no cólon
- Cancro da próstata
- Cancro no pâncreas
- Cancro nos ovários
- Cancro cervical
- Cancro no estômago
- Cancro no endométrio
- Diabetes
- Hipoglicemia
- Doenças renais
- Úlceras no estômago
- Prisão de ventre
- Hemorróidas
- Hérnias do hiato
- Diverticulose
- Obesidade
- Pedras na vesícula
Hipertensão
- Asma
- Cólon Irritável
- Salmonelose
- Triquinose
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- Quantidade de leite humano que contem quantidades significativas de DDT: 99%
- Quantidade de leite de mães vegetarianas que contem quantidades significativas de DDT: 8%
- Poluição química do leite materno das mulheres americanas com uma alimentação convencional em comparação com as que são completamente vegetarianas: 35 vezes mais elevada.
- Percentagem de estudantes universitários masculinos estéreis em 1950: 0.5
- Percentagem de estudantes universitários masculinos estéreis em 1978: 25
- Contagem de espermatozóides no americano médio, em comparação com há 30 anos: Menos 30%
- Causa principal da esterilidade e redução no número de espermatozóides nos americanos: Pesticidas hidrocarbonados clorinados, incluindo a dioxina, DDT, etc.
- A indústria de carne reivindica que a dioxina e outros pesticidas presentes na carne de vaca não são razão de preocupação: Porque as quantidades são muito pequenas.
- Realidade: Umas meras 30 gramas de dioxina podem matar 1 milhão de pessoas.
- Crença comum da população: O Departamento de Agricultura Americano protege a nossa saúde através da inspecção das carnes.
- Realidade: Menos de 1 em cada 25 milhões de animais abatidos são testados para procurar resíduos químicos tóxicos.
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- Percentagem da quantidade total de antibióticos utilizada nos Estados Unidos para ministrar ao gado: 55%
- Infecções de estafilococos resistentes à penicilina em 1960: 13%
- Infecções de estafilococos resistentes à penicilina em 1988: 91%
- Causa principal: Desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos devido à administração regular de antibióticos ao gado.
- Eficácia dos antibióticos: A decrescer rapidamente.
- Causa principal: Desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos devido à administração regular de antibióticos ao gado.
- Resposta da Comunidade Económica Europeia à questão sobre a administração de antibióticos ao gado: Proibição
- Resposta das indústrias de carne e farmacêuticas americanas à questão sobre a administração de antibióticos ao gado: Apoio total e completo.
Estatísticas extraídas do Livro "Realities" de John Robbins, EarthSave Foundation. -
[+] Francisco Varatojo - Saúde
Saúde
por Francisco Varatojo
Neste artigo optei por fazer uma abordagem geral à saúde, na tentativa de criar uma reflexão e auto-avaliação sobre o que realmente significa sermos ou não saudáveis.
Para a maioria das pessoas, técnicos de saúde incluídos, a Saúde é meramente uma ausência de sintomas físicos ou emocionais; se não tivermos um problema diagnosticado somos saudáveis mesmo que no dia a dia nos sintamos terrivelmente mal; é comum (demasiado comum, acrescentaria) nos dias de hoje termos pessoas que não se sentem de todo bem consigo mesmas e que após uma bateria de testes sanguíneos, raios X, ecografias, chegam à conclusão de que estão em perfeita forma e que não têm a mínima razão para se queixarem. Contudo, os sintomas de mal-estar persistem e a sensação de que não estando doente também não se está suficientemente bem, é real.
Também, temos a ideia de que a saúde e a doença são estados absolutos - ou estamos (somos) saudáveis ou estamos (somos) doentes, não havendo estados intermédios, não existindo um determinado processo numa direcção ou outra.
Para mim, saúde e doença não são de forma alguma estados absolutos, mas sim processos contínuos de transformação: nunca estamos absolutamente saudáveis nem absolutamente doentes e paradoxalmente adoecemos na tentativa de recuperarmos a saúde, ou seja, num todo o organismo tende sempre a criar harmonia e saúde relativas.
Vejo a saúde e a doença como processos, como uma questão de orientação na vida: podemos estar num processo de saúde quando alinhamos as diferentes áreas da nossa vida (alimentação, exercício, atitude e outros) numa direcção produtiva para nós e para os outros ou num processo de doença quando os diferentes factores da nossa existência estão desalinhados entre si e não são coerentes ou consequentes.
A saúde tem essencialmente a ver com a forma como nos adaptamos ao meio em que vivemos e somos tão saudáveis quanto a nossa adaptação a factores físicos, emocionais ou sociais se dá de uma forma fluida e graciosa, quando a totalidade do nosso organismo se adapta espontaneamente ao meio circundante com o mínimo de tensão (não sem tensão, mas com a tensão necessária para a actividade que estamos a realizar ou para a situação em que nos encontramos).
Assim, citando William Tara autor do livro "Magical Mirror" , podemos dizer que "a saúde é uma interacção dinâmica entre o organismo individual e o ambiente em que vive, em que se produz o mínimo de stress, permitindo uma adaptação, movimento e desenvolvimento óptimos".
Por outro lado, a doença será uma incapacidade crescente de interagir com o ambiente de uma forma produtiva para o desenvolvimento do nosso próprio potencial, conduzindo a um isolamento cada vez maior.
Em 1997 li num livro escrito pelo filósofo George Ohsawa, um teste de saúde para avaliação regular que ainda hoje utilizo no dia a dia como uma forma de reflexão sobre a minha própria saúde; neste teste Ohsawa considera 7 áreas importantes de diagnóstico, e apesar de já ter bastantes anos considero este teste bastante actual e profundo.
Neste ponto do artigo sugiro-lhe que avalie o seu estado geral tendo em consideração os seguintes aspectos:
1. Vitalidade - num estado saudável, temos suficiente energia para realizarmos aquilo a que nos dispomos. A ligeireza com que consideramos normal o cansaço nos tempos modernos, parece-me ser no mínimo assustadora.
2. Bom Apetite - um apetite pela comida e pela vida em si que pode ser satisfeito sem extravagâncias. Uma curiosidade ilimitada e a força da vida são extensões naturais do nosso apetite físico.
3. Sono Profundo e Pacífico - adormecer rapidamente, dormir duma forma profunda e ficarmos satisfeitos com 6 a 7 horas de sono (para um adulto), acordando com uma enorme vontade de enfrentar mais um dia é a terceira condição de saúde.
4. Boa Memória - um reflexo de um funcionamento harmonioso do sistema nervoso e a sua capacidade de relembrar experiências passadas como uma instrução para o futuro.
5. Bom Humor - a capacidade de apreciar as qualidades paradoxais da vida e de não ficarmos apegados a experiências desagradáveis.
6. Clareza e Rapidez de Pensamento e de Acção - uma resposta rápida e apropriada aos acontecimentos previsíveis ou imprevisíveis a que estamos sujeitos.
7. Honestidade e Justiça - é a última condição de saúde de Ohsawa mas para ele a mais importante; honestidade e justiça reflectem-se numa apreciação profunda da ordem natural e numa compreensão de causa e efeito; Honestidade e Justiça permitem-nos também ver o alcance a longo prazo das nossas acções diárias.Se os resultados do seu teste não são satisfatórios, é provável que não se sinta na sua melhor forma, pelo que é importante fazer uma reflexão sobre os seu estilo de vida e hábitos diários.
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[+] Francisco Varatojo - Shiatsu
Shiatsu
por Francisco Varatojo
Segundo os princípios da medicina oriental, somos saudáveis quando a chamada energia ki (ou chi ou prana) energia flui duma forma adequada; quando surgem distúrbios no fluxo energético, o organismo começa a adoecer. Através de técnicas como a acupunctura, shiatsu, moxabustão, do-in e outras pretende-se reequilibrar todo o sistema energético e, enquanto que com por exemplo na acupunctura se inserem agulhas em pontos específicos dos meridianos para criar harmonia em todo o sistema, no caso do shiatsu utilizam-se os dedos para obter os mesmos efeitos.
Assim, durante um tratamento de shiatsu (que regra geral dura cerca duma hora) todo o corpo é massajado, não apenas músculos e tendões, mas essencialmente os canais energéticos e respectivos pontos de tratamento e diagnóstico. O terapeuta faz um diagnóstico e com base neste dá mais ou menos ênfase a determinadas áreas do corpo. No final do tratamento, idealmente, a energia ki nos meridianos deve estar mais harmonizada, com um consequente acréscimo de bem estar na pessoa que foi tratada.
Em relação a outras técnicas de terapia, o shiatsu tem as vantagens de não necessitar de equipamento especial e de aliar uma terapia ao toque físico, que por si só é já bastante eficaz no alívio de stress físico e emocional.
O shiatsu, é uma palavra de origem japonesa que significa "pressão com os dedos" (shi - dedos, atsu - pressão) e desenvolveu-se a partir duma técnica de manipulação oriunda da China chamada anma (ou ankyo). No período em que a medicina tradicional chinesa foi exportada para o Japão, a anma era considerada a forma de terapia mais simples e segura de tratar o corpo humano e durante o período Edo (há cerca de 300 anos) no Japão era obrigatório os médicos estudarem esta arte para melhor conhecerem a estrutura e funcionamento do corpo humano.
Apesar de existirem diferentes métodos e escolas de shiatsu, todas elas - tal como a acupunctura, moxabustão, do-in e outras - assentam nos princípios básicos da medicina oriental: a noção de que existe uma energia invisível (ki, ou chi, ou prana) que percorre o nosso corpo (assim como o dos animais ou das plantas) em canais específicos, denominados meridianos.
Pessoalmente, estudei shiatsu há cerca de 20 anos e, apesar de actualmente não dar muitos tratamentos, tive oportunidade de tratar centenas de pessoas e constatar melhoras notáveis após poucos tratamentos; o shiatsu é também uma ferramenta extraordinária para ajudar o organismo a desenvolver a sua capacidade de auto-cura e é um tratamento que não dispenso quando me sinto particularmente cansado ou stressado.
A massagem shiatsu actua sobre os meridianos e pontos de acupunctura e durante um tratamento todos os meridianos e alguns pontos principais são estimulados de forma a reequilibrar todo o sistema energético. Em medicina oriental, considera-se que a energia vital, denominada ki ou chi flui dos meridianos para os órgãos, glândulas, músculos, nervos e sangue, promovendo a regeneração do corpo e o seu bem estar.
Os meridianos de energia atravessam todo o corpo da seguinte forma:
Pulmões - lado de dentro do braço até ao dedo polegar
Intestino Grosso - dedo indicador até à cara
Estômago - cara até ao 2º e 3º dedos dos pés
Baço e Pâncreas - dedo grande do pé até ao tronco
Coração - do tronco até ao dedo mínimo
Intestino Delgado - do dedo mínimo até à cara
Bexiga - da cara até ao dedo pequeno do pé, atravessando as costas
Rins - da planta do pé até ao tronco
Governador do Coração - do tronco até ao dedo médio
Triplo Aquecedor - do dedo anelar até à cara
Vesícula Biliar - da cara até ao 4º dedo do pé
Fígado - do dedo grande do pé até ao tronco
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[+] Francisco Varatojo - Sono
Sono
por Francisco Varatojo
Um sono profundo e reparador é um dos melhores sintomas de saúde e uma verdadeira benção para aqueles que o usufruem. Quando dormimos os nosso organismo recupera e regenera, dão-se funções importantes de desintoxicação e durante as horas de sono profundo ficamos ligados ao infinito através do nosso mundo subconsciente de fantasias e aspirações.
As características de um sono profundo e reparador são: adormecer assim que nos deitamos, dormir profundamente sem pesadelos ou sonhos vagos, não acordar durante a noite para urinar, dormir 6 a 8 horas e acordar fresco e energético, pronto a enfrentar o desafio de mais um dia.
Infelizmente, no entanto, são cada vez mais as pessoas com distúrbios de sono, distúrbios esses que nalguns casos afectam de forma dramática a vida pessoal e profissional, para não mencionar os efeitos na saúde física e emocional.
Diferentes estudos mostram que se não dormirmos adequadamente envelhecemos bastante mais depressa e um estudo recente parece indicar uma relação entre insónias crónicas e o desenvolvimento de cancro na mama.
De acordo com a macrobiótica e a medicina oriental o sono é uma das mais importantes condições de saúde e as insónias podem ser classificadas em duas categorias - yin ou yang.
As insónias yin são as mais comuns e manifestam-se por uma incapacidade de adormecer facilmente - de um ponto de vista alimentar surgem devido ao consumo excessivo de alimentos mais yin (expansivos) como açúcar, café, álcool, alimentos de origem tropical, entre outros.
As insónias yang são mais comuns em pessoas de idade e manifestam-se por um acordar muito cedo sem conseguir dormir mais - de um ponto de vista alimentar a causa é um excesso de alimentos yang como produtos animais, sal, alimentos secos e fumados, ausência de frescura, etc.
Problemas com o sono são geralmente classificados na categoria de problemas água e envolvem órgãos como os rins, glândulas supra-renais e bexiga. Com base na minha experiência e observação, a maioria das pessoas que têm distúrbios de sono sofrem simultaneamente de distúrbios nos órgãos mencionados, particularmente cálculos renais, quistos renais, infecções crónicas de bexiga e supra-renais demasiado activas. Na maioria dos casos, quando estes órgãos melhoram, o sono melhora também consideravelmente.
Evidentemente que existem causas externas - stress, problemas económicos, divórcios, falecimento de um ente querido, etc. - para as insónias mas estas em geral são passageiras e não afectam o sono de uma forma crónica. Outras, como stress pós traumático necessitam muitas vezes de acompanhamento psicológico durante bastante tempo.
Independentemente do tipo de insónias que possa ter, deixo-lhe algumas sugestões que podem melhorar bastante a qualidade do seu sono:
1. Siga uma alimentação centrada em cereais e vegetais, evitando os alimentos mais extremos mencionados acima.
2. Não coma pelo menos 2 horas antes de dormir, preferivelmente 3 horas.
3. Tente deitar-se antes da meia-noite - o nosso sistema revitaliza-se durante as primeiras horas da noite, particularmente as glândulas supra-renais; também, no mesmo período a vesícula biliar elimina toxinas, pelo que se estivermos acordados até tarde, as toxinas acabam por afectar o fígado e todo o organismo, conduzindo a uma má saúde.
4. Durma na maior escuridão possível - se houver luz quando dorme, o ritmo circadiano da glândula pineal e a produção de melatonina e seratonina são afectados. Se se levantar durante a noite não acenda as luzes todas, tentando manter a casa tão escura quanto possível.
5. Antes de dormir lave os pés em água quente, ou melhor ainda, em água quente salgada - se se deitar com os pés quentes é mais fácil dormir; também lavar os pés antes de dormir estimula o meridiano de acupunctura dos rins, responsáveis por um bom sono.
6. Evite televisão e outros aparelhos eléctricos ou electrónicos no quarto de dormir; não tenha colunas de som perto da cabeceira da cama (se tiver uma aparelhagem no quarto, as colunas devem estar pelo menos a um metro da cabeça); não carregue o telemóvel no quarto e não durma com ele ligado na mesinha de cabeceira - a poluição electromagnética pode afectar seriamente a qualidade de sono e prejudicar a saúde.
7. Tenha um actividade física regular - para além dos benefícios conhecidos de uma prática física, esta ajuda também a ter um bom sono. Se sofre de insónias, um passeio a pé de meia hora após jantar pode fazer maravilhas.
8. Perca peso se tiver peso a mais - a obesidade contribui seriamente para a apneia do sono, para além de afectar seriamente toda a saúde.Bem, e depois de todas estas recomendações só me resta desejar-lhe um bom sono e sonhos cor de rosa.
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[+] Francisco Varatojo - Sou Yin ou Yang - 2ª Parte
Sou Yin ou Yang - 2ª Parte
por Francisco Varatojo
No último artigo elaborei um teste de yin e yang para a constituição (a nossa estrutura básica); esta semana o teste é sobre alguns aspectos físicos da condição. Caso não tenha lido os artigos anteriores, condição refere-se aos aspectos mutáveis da nossa saúde, pelo que pode obter resultados diferentes em dias diferentes, à medida que altera a sua actividade, estilo de vida e padrão alimentar.
Tal como com o teste anterior, some os "yins" e os "yangs" e verifique se tem a maioria de um de outro. Caso uma resposta não se aplique ao seu caso ou não saiba como responder, deixe essa resposta em branco. Pode responder a mais do que uma situação em cada capítulo.
Vamos então ao teste:
Vitalidade
Yin YangCansaço
Hiperactividade
Dificuldade em descontrair
Dificuldade em sentir-se motivado
Comportamento
Yin YangResistente à mudança
Cada vez mais exigente
Acha que os outros são demasiado exigentes ou insistentes
Sono
Yin YangMais do que 9 horas
Menos do que 6 horas
Urina
Yin YangUrina com muita frequência?
Urina muito pouco?
A Urina é escura?
A urina é clara?
Com um cheiro forte?
Pouco ou nenhum odor?
Fezes e movimento intestinal
Yin YangFezes mais soltas
Fezes mais duras
Cor mais clara
Cor mais escura
Evacuação frequente - 2, 3 vezes/dia
Evacuação pouco frequente - 2,3 vezes / semana
Voz
Yin YangAlta
Suave
Aguda
Grave
Clara
Fraca
Forma de andar
Yin YangRápida / com intenção
Lenta / a vaguear
Paciente
Impaciente
Músculos
Yin YangO aperto de mão é fraco?
O aperto de mão é muito forte?
Sente os músculos entorpecidos?
Tem dores agudas nos músculos?
Sente-se demasiado tenso?
Sente-se demasiado "solto"?
Pele
Yin YangA sua pele tem um ar envelhecido/ enrugado? (considerando a sua idade?)
A sua pele está flácida?
A sua pele é oleosa?
A sua pele é seca?
Olhos e Olhar Yin Yang
Olhos cansados
Olhos com brilho
Pestaneja com frequência
Pestaneja pouco
Tendência para olhar fixamente
Tendência para fugir com o olhar
Conclusão Yin Yang
Conte agora as suas resposta. A sua condição geral é maisNo próximo artigo farei o último teste com áreas como actividade, stress, ambiente.
Nota: Agradecimentos a Jon Sandifer, autor do livro "10 Day-Rebalancing Program", pela estruturação deste teste.
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[+] Francisco Varatojo - Sou Yin ou Yang - 3ª Parte
Sou Yin ou Yang - 3ª Parte
por Francisco Varatojo
Para terminar a série de artigos e testes sobre yin e yang, concluo hoje com a parte final do teste começado há 15 dias; neste teste pode avaliar se a sua condição é mais yin ou mais yang tomando em consideração aspectos como actividade, níveis de stress e outros. Se, por acaso, se deparou hoje com estes artigos pela primeira vez, sugiro-lhe que leia os meus artigos publicados nas últimas semanas nesta revista.
Tal como nos testes anteriores, conte o número de "yin's" e "yang's" e verifique se a sua condição é mais yin ou mais yang.
Vamos então ao teste:
Actividade
Yin YangLenta
Rápida
Silenciosa
Barulhenta
Passiva
Agressiva
Com pouca auto-estima
Demasiado confiante
Indiferente
Competitiva
No que toca à actividade você é
Yin YangStress
YinSintomas Yin de stress:
Constantemente atrasado para reuniões ou encontros
Tendência para adiar
Sentir que está a perder o controle
Sentir-se em pânico
Começar a afastar-se dos amigos e colegas
Uma sensação geral de desamparo
Uma sensação geral de tremura nas mãos, face ou pés
Maior susceptibilidade a constipações/ gripes ou infecções
O desejo de urinar com mais frequência
Sintomas Yang de stress:
YangIncapacidade de dormir (insónia)
Dores na parte de trás ou nos lados da cabeça
Irritabilidade crescente
Demonstrações de agressividade
Sentir-se constantemente em movimento
Tendência para franzir o sobrolho
Ranger os dentes
Excessivamente excitado com pequenos detalhes
Cada vez mais impulsivo
Impaciente com aqueles que o rodeiam
Andar de um lado para o outro como um animal enjaulado
Sob pressão, tamborilar com os dedos ou mexer as pernas e pés
Como estão os seus níveis de stress?
Yin YangPredominantemente
Padrões de comportamento
YinPadrões de comportamento Yin:
Anda a queixar-se mais do que é habitual?
Está a perder a ambição?
Está a perder a autoconfiança?
Está a ficar cada vez mais esquecido?
Está a ficar desnecessariamente medroso?
Está a ficar mais defensivo?
Está a tornar-se mais desconfiado ou céptico?
Sente que se está a fechar em si mesmo ou no seu espaço?
Está a mostrar sinais de um complexo de inferioridade?
Está a começar a viver num mundo de fantasia ou ilusão?
Sente-se uma vítima?
Padrões de comportamento Yin:
YangEstá a tornar-se rígido na sua abordagem e visão da vida?
Está a ficar teimoso?
Sente que está a ficar preso aos detalhes e a assuntos triviais?
Está a sentir-se invulgarmente excitado?
Sente que está a ficar mais ofensivo?
Tem menos tolerância para com os outros e mais facilidade em se zangar?
Mostra sinais de preconceito e discriminação?
Esta á tornar-se exclusivo nas suas crenças e nas pessoas com quem se quer associar?
Tem um complexo de superioridade?
Está a tornar-se mais controlador e convincente?
Está a ficar cada vez mais egocêntrico ou egoísta?
Os seus padrões de comportamento mostram que são:
Yin YangMais
Conclusão:
Se tem os resultados dos últimos três testes realizados (este incluído), deve agora ter podido chegar à conclusão se é (ou está) mais yin ou mais yang. Se os resultados são "assustadoramente" mais yin ou mais yang, provavelmente está a viver a sua vida de uma forma muito unilateral e por consequência a sentir-se pouco confortável.
Sugiro-lhe que comece a investir nas áreas da sua vida que podem não estar tão bem, tomando particular atenção à alimentação, estilo de vida e actividade física.
A minha sugestão é que utilize estes testes como uma auto-avaliação regular, repetindo-os uma vez por estação. Será assim mais fácil conhecer-se melhor e tornar-se mais flexível à mudança. Boa sorte!
Nota: Agradecimentos a Jon Sandifer, autor do livro "10 Day-Rebalancing Program", pela estruturação deste teste.
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[+] Francisco Varatojo - Sou Yin ou Yang?
Sou Yin ou Yang?
por Francisco Varatojo
Nos dois artigos anteriores escrevi sobre yin e yang, tentei explicar o que são estas duas forças e de que forma é que elas estão relacionadas com a nossa alimentação, saúde e condição diária.
Ao longo dos anos dei inúmeras aulas e palestras sobre este tema e uma pergunta que é invariavelmente colocada é: "Mas eu sou yin ou sou yang?".
Para este artigo e para o próximo decidi incluir um teste simples que o ajudará a avaliar as suas tendências yin e yang; o teste está dividido em duas partes, constituição e condição e é baseado em métodos de diagnóstico utilizados há séculos na medicina oriental.
Para saber o resultado, tem que somar as respostas yang e yin e verificar quais estão em maioria.
A constituição é a sua estrutura básica e não muda - dá-lhe as ferramentas básicas para a vida e é formada ao longo dos 9 meses de gravidez a partir de factores como a qualidade das células reprodutoras dos progenitores, factores, ambientais, alimentares e outros.
A condição muda diariamente segundo aquilo que comemos, bebemos, actividade física, factores ambientais, emocionais e outros.
Assim, pode chegar à conclusão que a sua constituição é mais yang (esse aspecto não é alterável) e que a sua condição hoje é mais yin (daqui a um dia, uma semana, um mês pode ser yang, depende daquilo que faz no dia a dia).
Comecemos então o teste:
Quem Sou Eu (Constituição)
Estrutura Óssea
Yin YangPesada
Leve
Note por favor que a estrutura óssea não se refere à massa corporal mas à robustez dos ossos, que pode mais facilmente ser verificada no pulso e tornozelo.
Relação Cabeça/Corpo
Yin YangCabeça relativamente grande em relação ao resto do corpo.
Cabeça relativamente pequena em relação ao resto do corpo.
Altura
Relativamente aos membros da sua família considera-se:
Yin YangAlto
Baixo
Olhos
Yin YangPequenos e rasgados
Grandes e redondos
Mais juntos
Mais separados
Maxilar
Yin YangMaxilar quadrado
Maxilar pontiagudo
Forma da Cara
Yin YangQuadrada
Redonda
Longa
Alta e magra
Mãos
Yin YangPalma mais quadrada e forte
Palma mais comprida e estreita
Dedos compridos
Dedos curtos
Orelhas
Yin YangGrandes
Pequenas
Carnudas
Magras
Dentes
Yin YangFortes
Fracos
Fechados e virados para dentro
Com espaços e virados para fora
Conte agora o número de yins e de yangs no questionário acima e verifique se a sua constituição é mais yin ou mais yang. (Para saber o que significa uma constituição mais yin ou mais yang, leia por favor os artigos das semanas anteriores).
É possível que tenha tido dificuldade a avaliar alguns aspectos como a forma da cara ou a relação cabeça/corpo, uma vez que possivelmente não tem prática nestas matérias.
Sugiro-lhe que comece a observar melhor as pessoas, começando com o estudo das fotografias desta revista que tem nas mãos. Verá que com o tempo este estudo se tornará muito mais fácil.
No próximo número avaliaremos a condição diária.
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[+] Francisco Varatojo - Stress
Stress
por Francisco Varatojo
A vida não é possível sem "stress", existe um grau inerente de tensão à vida que precisamente nos faz reagir e adaptar, sobreviver. Com uma mudança de atitude, alimentação e actividade física, pode transformar o "stress" em vitalidade.
O Verão não é talvez a melhor altura do ano para estar a escrever sobre "stress" mas atendendo ao facto de esta palavra ser proferida por todos nós, tantas vezes por dia ao longo do ano, faz para mim sentido falar sobre "stress" em qualquer época.
Especialmente, quando os sintomas de um problema que não é problema, de uma doença que não é doença afecta de forma dramática tantas pessoas na nossa sociedade e, paradoxalmente, quando temos tantos artefactos e um estilo de vida que supostamente deviam tornar a vida muito mais cómoda, descontraída e funcional.
"stress" é uma palavra inglesa (que foi adoptada em quase todos os idiomas do mundo ocidental) que significa tensão e é utilizada para definir a sensação de desgaste que os nossos corpos experimentam à medida que nos ajustamos a um ambiente em mudança constante. Na realidade, a vida não é possível sem "stress", existe um grau inerente de tensão à vida que precisamente nos faz reagir e adaptar, sobreviver.
Como influência positiva, o "stress" pode compelir-nos à acção; pode fornecer-nos uma nova consciência e uma perspectiva nova e excitante. Como influência negativa, pode resultar em sensações de desconfiança, rejeição, zanga e depressão, que por sua vez podem dar origem a problemas de saúde como dores de cabeça, de estômago, insónia, úlceras, hipertensão.
Um ponto regra geral não mencionado quando falamos de "stress" é que este é bastante subjectivo e baseia-se muito numa questão de percepção individual: ou seja, nem todas as pessoas reagem da mesma forma aos mesmos eventos, e cada um de nós reage de formas diferentes ao mesmo acontecimentos - os mesmos factores que paralisam de medo ou preocupação alguns de nós, servem para outros como um tremendo catalisador de vitalidade, imaginação e criatividade; há dias (ou horas) em que uma notícia qualquer nos deixa completamente transtornados e outros em que a mesma notícia nos faz rir ao apreciarmos o paradoxo brutal que pode ser a vida. Basicamente, o "stress" é relativo e correndo o risco de poder parecer sádico, o "stress" pode ser altamente positivo.
Quais são então os factores que determinam o nosso grau de "stress"? Como podemos transformar o "stress" em vitalidade? Estas questões são debatidas pelos psicoterapeutas que estudam estas áreas e actualmente existe um número crescente de empresas que tenta incorporar no dia a dia da empresa técnicas que visam minorar a sensação de "stress" vivenciada pelos funcionários.
Há cerca de dois anos fui contactado pela multinacional petrolífera BP/Mobil para organizar um programa eficaz para administrar níveis elevados de "stress" e compraz-me dizer que o "feedback" obtido foi altamente positivo; durante cerca de 2 meses proferi palestras nas diferentes instalações da BP/Mobil onde falei sobre os efeitos da atitude, alimentação, respiração e outros factores na nossa percepção de "stress". Faço-lhe de seguida um resumo dos pontos focados neste programa e espero que estes o possam ajudar também a conviver com este "mal" moderno.
Factores que influenciam a nossa percepção do "stress":
Aspectos Constitucionais - existem pessoas geneticamente mais sujeitas ao "stress" do que outras; nestas, os factores de "stress" tendem a ser amplificados em grande escala e são pessoas stressadas por natureza. Os aspectos constitucionais são, na minha opinião, maioritariamente criados durante o período de gravidez por factores como o estilo de vida e vivência emocional da mãe, influências biológicas (alimentos e bebidas, sono entre outras) e ancestrais (se somos oriundos de uma família de pessoas muito tensas temos grandes probabilidades de nos tornarmos num indivíduo stressado).
Se este é o seu caso, tenha em particular atenção os seguintes factores:
Perspectiva de Vida - aprenda a ser menos competitivo e/ou menos perfeccionista; encare as situações de conflito como um desafio; aprenda a ver os problemas sob um outro ângulo - a maioria das vezes que analisamos um problema qualquer segundo outro ponto de vista, o problema assume características totalmente diferentes; na língua chinesa a palavra crise e oportunidade escrevem-se e proferem-se da mesma maneira, são a mesma palavra. Em situações de crise considere que tem ali mesmo uma oportunidade extraordinária para mudar a situação para melhor. Utilize essa oportunidade como uma alavanca para andar para a frente.
Actividade Física e Modo de Vida - a maioria das escola de psicoterapia modernas considera a actividade física como uma ferramenta valiosa e insubstituível na gestão do "stress". Dê pelo menos um passeio diário de meia hora, pratique um desporto qualquer que lhe dê prazer ou pratique actividades como o Yoga, Tai Chi ou meditação, que inquestionavelmente ajudam a melhorar a percepção de "stress". Acima de tudo, aprenda a respirar e quando se sentir "a explodir", concentre-se na sua respiração (que está seguramente mais entrecortada) e comece a respirar duma forma mais lenta e profunda.
Alimentação - a alimentação desempenha também um papel fundamental no "stress"; os alimentos que mais contribuem para o "stress" são produtos animais - que nos tornam mais tensos e agressivos e com maior dificuldade em descontrair - e alimentos estimulantes como café, especiarias, refrigerantes. Uma tensão excessiva está geralmente relacionada com níveis de açúcar baixos e sobrecarga do fígado e glândulas supra-renais.
Coma predominantemente alimentos de origem vegetal dando particular ênfase aos cereais e aos vegetais.
Se quando ler este artigo estiver de férias e se sentir mesmo descontraído, esta é a melhor altura para se preparar emocional e biologicamente para mais um ano de trabalho. Tente seguir estes conselhos e provavelmente passará a ver o "stress" de outra maneira.
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[+] Francisco Varatojo - TECNOLOGIA E QUALIDADE DE VIDA
TECNOLOGIA E QUALIDADE DE VIDA
por Francisco Varatojo
Com o crescente desenvolvimento tecnológico, a maioria da população pensa que a ciência e a tecnologia mais cedo ou mais tarde resolverão quase todos os problemas que afectam a espécie humana e o nosso planeta.
Isso é particularmente verdade na área da saúde, onde apesar de serem bem conhecidos os perigos de um estilo de vida desregrado e de uma alimentação excessiva, um número enorme de pessoas opta por arriscar, convencido que, para o quer que aconteça, haverá um qualquer "truque mágico" científico que vai resolver ou minimizar o problema.
Não só na população em geral como, em particular, entre os profissionais de saúde, a tecnologia de ponta exerce um fascínio quase hipnotizante, relegando totalmente para segundo plano aspectos como actividade física, alimentação, mente positiva, auto-responsabilidade, entre outros. Isto, apesar de os estudos apontarem para uma inegável ligação entre o estilo de vida e uma grande parte dos problemas de saúde da civilização.
Apesar de a tecnologia de ponta salvar evidentemente vidas em situações extremas, muitos dos problemas modernos diminuiriam drasticamente se começássemos a ter mais cuidado com a forma como vivemos o dia-a-dia, e assumíssemos mais responsabilidade pela nossa saúde e bem-estar.
Estas são algumas das premissas de algumas das escolas de "medicina natural", o que lhes confere um papel muito importante no panorama da saúde pública de qualquer país.
Já há diversos anos que o governo americano encomenda estudos científicos sobre algumas medicinas alternativas, com resultados positivamente estrondosos em muitos casos.
Talvez um bom exemplo para seguir em Portugal...
25 de Setembro de 2006
Francisco Varatojo
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[+] Francisco Varatojo - Teoria das 5 Transformações
Teoria das 5 Transformações
por Francisco Varatojo
Neste e nos próximos artigos abordarei tópicos relacionados com a saúde física e emocional utilizando um modelo de avaliação oriental milenar e ainda hoje utilizado exaustivamente por profissionais de saúde e outros: A Teoria das 5 Transformações, comummente traduzida por Teoria dos 5 Elementos.
A filosofia oriental (assim como muitas filosofias ocidentais) consideram que todos os fenómenos estão em mutação constante e infindável e que essa mudança é governada por dois pólos a que chamaram yin e yang; yin e yang são regidos por leis e teoremas precisos e transformam-se constantemente um no outro.
Entre os estágios de expansão máxima (yin) e de contracção máxima (yang), os chineses, de acordo com a observação da Natureza, consideraram haver 5 estágios intermédios de movimento da energia a que chamaram as 5 Transformações, ou os 5 Movimentos, ou as 5 Energias ou os 5 Elementos. Esses estágios de mudança energética foram apelidados de: Energia Árvore (ou Madeira), Energia Fogo, Energia Solo (ou Terra), Energia Metal e Energia Água.
Cada um dos estados dá origem ao seguinte e assim diz-se por exemplo que Árvore apoia Fogo, Fogo apoia Solo, Solo apoia Metal, Metal apoia Água e Água apoia Árvore.
Existe também um ciclo, chamado de controle, em que as Energias opostas se controlam ou se cancelam: Árvore controla Solo, Fogo controla Metal, Solo controla Água, Metal controla Árvore, Água controla Fogo. (ver figura abaixo).
Árvore representa um movimento ascendente de energia e representa fenómenos como por exemplo a evaporação, a manhã, a Primavera, a cor verde e órgãos como o Fígado e a Vesícula Biliar.
Fogo tipifica um estágio energético muito rápido e expansivo e é representado por fenómenos como o estado de plasma, o meio-dia, o Verão, a cor vermelha e órgãos como o Coração e o Intestino Delgado e funções chamadas de Governador do Coração e Triplo Aquecedor.
A energia do Solo é mais estável e descendente, representando a condensação, a tarde, o fim de Verão e os estágios intermédios entre cada estação, assim como a cor amarela e o Baço, o Pâncreas e o Estômago.
Metal é um estado energético muito mais concentrado e o arquétipo da materialização e organização, o anoitecer, o Outono, a cor branca, os Pulmões e o Intestino Grosso.Em Água, a energia começa a mover-se, a flutuar e água representa a liquidificação, a noite, o Inverno, o preto e órgãos como os Rins e Bexiga, assim como Órgãos Reprodutores.
Considere por favor que existem muitas mais associações com cada uma das energias do aquelas que referi, como pode ver na tabela abaixo.
Em Medicina Oriental, considera-se que uma pessoa é saudável física e emocionalmente quando estes estágios mantêm entre si um equilíbrio dinâmico; começamos a adoecer quando o nosso padrão físico e de comportamento começa a tornar-se mais rígido denotando um desequilíbrio nestas 5 fases.
Nos próximos artigos explorarei em detalhe cada uma destas fases, começando com a Energia Árvore e os seus órgãos principais: o Fígado e a Vesícula Biliar.
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[+] Francisco Varatojo - Yin e Yang
Yin e Yang
por Francisco Varatojo
Nestes artigos sobre alimentação da XIS que tenho o grato privilégio de escrever, tenho dado uma abordagem alimentar essencialmente analítica: falo dos alimentos segundo um ponto de vista nutricional - proteínas, hidratos de carbono, vitaminas, efeitos do açúcar e produtos químicos no organismo, etc.
O método analítico, mais focalizado, sendo a forma mais comum como nós, ocidentais, estudamos o Mundo à nossa volta, não é no entanto o único método possível para avaliar um fenómeno. Os orientais, mais dados à observação do todo e à contemplação, com mais tendência para ver toda a floresta e não só uma árvore da mesma, desenvolveram ao longo dos séculos um outro sistema de estudo e avaliação, um sistema que considera todo o universo em mudança, a inter-relação entre todos os fenómenos, gerida por duas forças a que chamaram yin e yang.
Consideram por exemplo que um organismo não é um factor isolado, mas que é influenciado por, literalmente, todo o Universo. Assim, em muitos países do Mundo as esquadras de polícia têm mais polícias de serviço durante as noites de lua cheia, porque se sabe que neste período do mês há mais crimes, acidentes de automóveis e entradas nas emergências dos hospitais. Para a filosofia oriental, isto sucede porque a Lua Cheia tem um efeito mais yang, contractivo, sobre as espécies vegetais e animais, criando mais movimento, calor, acção.
Yin e Yang são os dois pólos primários da criação e em conjunto geram e gerem todos os fenómenos. A força yin é centrífuga, dispersa, mais leve, mais fria, a força yang é centrípeta, mais pesada, mais quente (ver tabela).
Mas, nesta altura do artigo deve estar a perguntar a si mesmo(a), "que tem tudo isto a ver com a saúde ou a alimentação"? Bem, uma vez que yin e yang influenciam todos os fenómenos, influenciam também os alimentos que ingerimos; assim sendo, os alimentos mais yang criam uma atitude mais yang - mais activa, mais dinâmica, mais extrovertida, enquanto que os alimentos mais yin criam uma atitude mais gentil, mais reflectida, mais estética. No entanto, alimentos excessivamente yang contribuem para um carácter mais agressivo, impaciente e dominador enquanto que alimentos mais yin produzem uma natureza mais depressiva, inerte e dependente.Quais são então os alimentos mais yang e os mais yin? De que forma os devemos utilizar?
Os alimentos no extremo yang da tabela são por exemplo ovos, carne, queijo duro, alimentos fumados, etc., os alimentos no extremo yin da tabela são drogas, açúcar, refrigerantes, frutos tropicais, leite, etc.; o que acontece é que quando comemos alimentos muito yang somos automaticamente atraídos para alimentos mais yin e vice-versa de forma a criarmos um equilíbrio dinâmico, da mesma forma que quando ingerimos muito sal nos apetece beber mais.
Na nossa alimentação diária o ideal é utilizarmos como alimentos principais, alimentos mais centrais, mais equilibrados (que também são classificados segundo as suas características yin e yang), que contribuem para melhor nos adaptarmos ao ambiente circundante e criarmos um carácter mais "equilibrado".
Esta lista contém os alimentos que constituem uma alimentação saudável:
YANG
Sal marinho integral
Cereais integrais como arroz integral, massas, flocos de aveia, cuscuz, etc.
Leguminosas
Raízes
Vegetais verdes de rama
Tofu
Oleaginosas e sementes
Fruta
Líquidos
YINLista de alimentos menos saudáveis que representam mais extremos de yin e yang:
YANG
Carne,
Ovos
Frango
Queijos duros
Queijos macios
Manteiga
Leite
Iogurte
Alimentos açucarados
Refrigerantes
YINEu estudo esta filosofia há mais de 20 anos e ainda hoje me surpreendo com a sua sabedoria e extraordinária eficácia. Se soubermos utilizar yin e yang no dia a dia temos a capacidade para conscientemente escolhermos se desejamos ser mais activos ou mais calmos, mais sérios ou divertidos, mais físicos ou mentais, alterando essencialmente a nossa alimentação, actividade física e estilo de vida.
Uma vez que o meu espaço nesta rubrica está praticamente esgotado, sobre isso escreverei no próximo artigo.
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[+] Francisco Varatojo - Yin e Yang - 2ª Parte
Yin e Yang - 2ª Parte
por Francisco Varatojo
No artigo anterior escrevi sobre as forças a que os chineses chamaram de yin e yang (na nossa linguagem ocidental não existe uma tradução adequada para estes nomes), forças essas que são complementares e opostas - yin não pode existir sem yang e vice-versa - e que governam o mundo relativo em que vivemos.
Uma vez que o âmbito destes artigos tem a ver com alimentação e saúde, expliquei um pouco sobre como estas "energias" operam ao nível dos alimentos e referi que podemos utilizar este conhecimento para ter um maior controle sobre as nossas vidas.
Esta semana vou tentar explicar como nos podemos tornar mais yin ou mais yang, escolhendo os alimentos, métodos culinários e actividade física.
É importante considerar que yin e yang são termos relativos e que consequentemente não existe nenhum fenómeno exclusivamente yin ou exclusivamente yang, não existe ninguém exclusivamente yin ou yang, todos nós somos uma combinação das duas forças.
Para além disso há que considerar a diferença que existe entre a nossa constituição de base (aspectos da nossa estrutura física e mental que nos são dados durante o período embrionário e primeiros anos de vida e que dificilmente são alteráveis) e a nossa condição (que muda todos os dias de acordo com a nossa alimentação e estilo de vida).
Assim, é relativamente fácil mudar a depressão matinal ou o mau humor crónico, mas mais difícil de alterar o sermos muito bons ou muito maus em desporto, por exemplo.
No que toca à personalidade, uma personalidade mais yang é activa, dinâmica, focalizada, boa com detalhes, rápida, precisa, interessada na ciência, boa com números e matemática, assertiva, proactiva.
Uma personalidade mais yin é criativa, artística, sensível, flexível, aberta, solícita, tolerante, descontraída, imaginativa, paciente, gentil, pacífica.
Imagine agora que se sente inactivo, letárgico, sem qualquer iniciativa e dependente do que os outros dizem. Está mais yin ou mais yang?
A resposta é mais yin e quase de certeza que na sua alimentação está a exagerar no consumo de alimentos como açúcar, doces em geral, álcool, café, frutos tropicais, entre outros (ver artigo anterior).
Se se sente como um furacão, força a sua opinião nos outros, não consegue descontrair, acha que tem sempre razão, está mais yang e anda a abusar de produtos animais (carne e ovos em particular), sal, alimentos secos e muito cozinhados, etc. (uma vez mais, leia por favor o artigo anterior).
Claro que a maioria das pessoas come alimentos nas duas categorias mas existe sempre uma tendência para cada um favorecer o lado yin ou yang da tabela.
No que toca a sintomas físicos, o excesso de yin durante muito tempo conduz a sintomas como sentir-se esgotado, ser mais susceptível a doenças infecciosas, sentir mais frio, ter dificuldade em levantar-se de manhã, retenção de líquidos, dores de cabeça à frente, diarreia, má circulação.
A longo prazo, excesso de yang produz tensão muscular, rigidez das articulações, dores de cabeça atrás, insónia e dificuldade em descontrair, dureza do abdómen, prisão de ventre, artérias entupidas.
Penso que agora já lhe é um pouco mais fácil avaliar a sua condição actual; assim sendo se acha que está mais yin e quer sentir-se melhor deve começar a reduzir os alimentos mais yin e começar a ingerir alimentos yang de boa qualidade; se sente que está mais yang ou deseja ficar mais yin deve fazer o oposto.Para além dos alimentos, os métodos culinários também podem ser classificados segundo yin e yang: cozinhar no forno será uma preparação yang, salada crua um método yin.
A lista seguinte exemplifica estilos culinários de yang para yin. Quanto mais tempo cozinharmos os alimentos mais yang eles se tornam.
YANG
Cozinhar no forno
Cozinhar na panela de pressão
Estufados e Guisados
Saltear muito tempo
Sopas cozinhadas muito tempo
Cozer em chama baixa
Fritar
Saltear duma forma rápida
Cozinhar no vapor
Escaldar ou ferver rapidamente
Salada crua
YINOs alimentos podem também ser tornados mais yin ou yang de acordo com o tipo de temperos utilizados:
YANG
Sal
Miso (pasta de soja)
Shoyu (molho de soja natural)
Gengibre
Alho
Vinagres naturais - de arroz ou maçã
Adoçantes naturais - malte de cevada, malte de arroz e outros
Sumos de frutos
YINA actividade física e os exercícios respiratórios são também uma boa forma de "yinizar" ou "yangizar". Correr ou ginástica aeróbica são práticas mais yang, ficarmos deitados no sofá a ver televisão é uma prática mais yin. O trabalho é yang, as férias são yin. Consequentemente, se está mais yin necessita de actividades mais vigorosas (difíceis para quem está nesta condição), se está mais yang precisa de aprender a descontrair e a "deixar-se ir" (também muito complicado para alguém muito yang).
É provável que tudo isto lhe pareça um pouco complicado de início; se praticar e se ler alguma literatura existente no mercado sobre o assunto verá que pouco a pouco as peças deste dinâmico puzzle de yin e yang começam pouco a pouco a encaixar umas nas outras.
Desejo-lhe boa sorte e lembre-se que a virtude está, como dizia Confúcio, no caminho do meio.
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[+] Francisco Varatojo - Yoga
Yoga
por Francisco Varatojo
O yoga é uma disciplina que envolve o corpo e a mente e pode ser praticado por praticamente qualquer pessoa.
A palavra yoga, apesar da sua origem indiana, já entrou no vocabulário da maioria dos povos e o yoga é praticado por milhões de pessoas em todo o Mundo.
O termo yoga vem do sânscrito e é geralmente traduzido por união, a forma de unificar o corpo, a mente e o espírito. O yoga tem origem na Índia antiga e estima-se que as suas origens datem de há cerca de 5000 anos.
Apesar de algumas pessoas pensarem que o yoga é um tipo de ginástica oriental ou um desporto, tal não é verdade; o yoga é uma disciplina que envolve o corpo e a mente e pode ser praticado pela maioria das pessoas; na realidade, a sua prática pode e deve ser adaptada às necessidades e condição individuais de cada um.
Uma sessão típica de yoga consiste numa sequência de asanas ou poses físicas; as asanas permitem que se tenha uma maior consciência do corpo, podendo assim trabalhar nas áreas mais necessitadas. Cada postura tem passos essenciais para ser executada devidamente e é mantida durante mais ou menos tempo, conforme o nível de prática e vitalidade de cada pessoa.
As asanas melhoram a postura, fazendo com que a coluna vertebral fique mais flexível com uma consequente melhoria da circulação sanguínea e da circulação linfática. Os órgãos internos são massajados, a digestão processa-se melhor e o prana (termo utilizado no yoga para definir a energia vital ou energia electromagnética) flui duma forma mais suave e eficaz.
O yoga pode ser bastante eficaz no alívio de problemas como hipertensão, colesterol elevado, enxaquecas, asma, obstipação, diabetes, dificuldades respiratórias, sintomas associados com a menopausa, varizes, dores de costas e muitas doenças crónicas.
Inerente também à prática do yoga são o pranayama e a meditação. O pranayama consiste em técnicas respiratórias que ajudam a oxigenar o sangue, a acalmar o espírito e a focar a mente. A respiração é feita pelo nariz e considerada absolutamente essencial para que a prática seja correctamente efectuada.
A meditação é geralmente praticada no final duma sessão, particularmente quando se deseja adquirir um grau de relaxamento mais elevado. Com a meditação, o praticante vira-se para si mesmo e adquire uma maior tranquilidade e paz de espírito.
A prática duma sessão de yoga pode durar de 20 minutos a duas ou mais horas e pode ser extremamente extenuante ou bastante ligeira conforme o grau de dificuldade da sessão e o tipo de yoga praticado.
O yoga pode ser praticado por todos mas se tiver problemas de coluna ou uma condição de saúde muito precária é conveniente discutir o seu caso pessoal com um instrutor qualificado ou mesmo fazer um check-up médico.
Dada a divulgação que tem sido feita a esta técnica milenar é relativamente fácil encontrar instrutores de yoga em praticamente todo o país. Certifique-se de que este tem as qualificações adequadas para que a prática seja correcta.
Vocabulário de yoga:
Asana - uma das posturas ou posições utilizadas no yoga
Bhkati Yoga - Escola de Yoga que ensina o caminho da devoção e amor a Deus ou Espírito Universal
Dyana - o termo utilizado para meditação
Hatha Yoga - Escola de yoga que utiliza posturas, técnicas respiratórias e meditação. É o tipo de yoga mais utilizado e tem diferentes subdivisões. Entre outras destacam-se o Iyengar Yoga (com ênfase estrito na forma e no alinhamento) e o Ashtanga Yoga (uma técnica muito mais vigorosa, com sequências fluidas de posturas de hatha yoga, permitindo uma purificação também através do suor e da respiração profunda).
Jnana Yoga - Prática e desenvolvimento da sabedoria e conhecimento
Karma Yoga - Escola de yoga que enfatiza a caridade e serviço aos outros assim como a não agressão, com o intuito de obter paz e uma consciência mais aberta
Meditação - Técnicas para ajudar a relaxar a mente e o corpo
Pranayama - técnicas respiratórias utilizadas no yoga
Raja Yoga - Escola de yoga que enfatiza a meditação, simplicidade e desapego de assuntos mundanos.
Tantra Yoga - Caminho do desenvolvimento da consciência através de rituais religiosos, incluindo a sexualidade que é considerada sagrada e vital
Yogi - praticante de yoga
















